Casa do Sistema Toyota de Produção com os pilares just in time e jidoka
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O que é o Sistema Toyota de Produção

O Sistema Toyota de Produção (STP, ou TPS em inglês) é o sistema desenvolvido pela Toyota Motor Corporation para entregar a melhor qualidade, o menor custo e o menor lead time por meio da eliminação do desperdício. É a origem do que o Ocidente passou a chamar de lean.

O Lean Enterprise Institute o descreve como uma casa com dois pilares, just in time e jidoka, mantida por trabalho padronizado e kaizen.

Quem busca "14 princípios da Toyota" normalmente fala do Modelo Toyota (The Toyota Way), livro de Jeffrey Liker. O STP é o sistema de produção. Os 14 princípios são uma leitura mais ampla, que inclui cultura, pessoas e filosofia. Este artigo cobre os dois.

Em uma frase, a lógica é esta: produzir só o que o cliente pede, no ritmo que ele pede, com qualidade garantida em cada etapa, e usar cada problema que aparece como oportunidade de melhorar. O sistema não é uma lista de ferramentas. É uma forma de gerir que liga ferramentas, pessoas e rotina de liderança.

Origem: quatro nomes e um sistema

QuemContribuiçãoQuando
Sakichi ToyodaTear que para sozinho quando o fio arrebenta, a origem do jidokaInício do século 20
Kiichiro ToyodaConceito de just in time, sem estoque em excessoAnos 1930
Taiichi OhnoDesenvolveu o sistema a partir da usinagem e o espalhou pela ToyotaAnos 1950 e 1960
NUMMIJoint venture entre Toyota e General Motors na Califórnia, marco da difusão fora do Japão1984

Segundo o LEI, a difusão para os fornecedores da Toyota aconteceu nos anos 1960 e 1970. O livro de Taiichi Ohno é a fonte clássica sobre a lógica do sistema.

A história mostra que o STP não nasceu pronto. Foi montado por tentativa e erro, em décadas, a partir de problemas reais da usinagem e da montagem. Cada ferramenta surgiu para resolver uma dificuldade concreta, como o excesso de estoque ou o defeito que passava para a etapa seguinte. Copiar o resultado final sem passar por esse caminho é a origem de muitas implantações frustradas.

A casa do STP: pilares e base

A casa é uma forma de lembrar que as ferramentas dependem umas das outras.

Cada elemento responde a uma pergunta. O takt time responde a que ritmo o cliente exige. O fluxo contínuo responde a como movimentar uma peça por vez sem fila. O sistema puxado responde a quando produzir, ligando o processo cliente ao fornecedor por sinais como o kanban. O jidoka responde a o que fazer quando algo sai do padrão: parar, sinalizar e corrigir na origem. O heijunka nivela volume e mix para que o resto funcione sem picos.

Se a base é frágil, os pilares não se sustentam. É por isso que o just in time sem processo estável vira falta de material, e o jidoka sem padrão vira parada sem causa conhecida.

Os 14 princípios do Modelo Toyota, em 4 grupos

Jeffrey Liker organizou a prática da Toyota em 14 princípios e quatro grupos, chamados de 4Ps: filosofia, processo, pessoas e parceiros, solução de problemas. A divisão é uma organização prática do autor.

GrupoPrincípios
1. Filosofia de longo prazo1. Basear as decisões em filosofia de longo prazo, mesmo às custas de metas financeiras de curto prazo
2. Processo2. Criar fluxo contínuo para trazer os problemas à tona. 3. Usar sistemas puxados para evitar a superprodução. 4. Nivelar a carga de trabalho (heijunka). 5. Parar para resolver problemas e fazer certo da primeira vez. 6. Padronizar tarefas. 7. Usar controle visual. 8. Usar só tecnologia confiável e testada
3. Pessoas e parceiros9. Formar líderes que vivem a filosofia. 10. Desenvolver pessoas e equipes excepcionais. 11. Respeitar e desafiar os parceiros e fornecedores
4. Solução de problemas12. Ir ver por si mesmo (genchi genbutsu). 13. Decidir devagar, por consenso, e implementar rápido. 14. Aprender com reflexão e melhoria contínua

O grupo do processo tem sete princípios e é o que as empresas mais copiam. Os outros três grupos têm sete princípios no total e são os que mantêm o sistema vivo.

Filosofia. O primeiro princípio diz que a decisão deve olhar o longo prazo. Na prática, isso significa aceitar, por exemplo, investir em treinamento ou em estabilidade do processo mesmo quando o resultado do mês ainda não aparece. Sem esse compromisso da direção, os demais princípios viram campanha.

Processo. São os princípios mais próximos do chão de fábrica. Fluxo contínuo e produção puxada tornam os problemas visíveis, porque sem estoque entre as etapas qualquer falha aparece na hora. Parar para resolver, padronizar e usar controle visual dão resposta rápida a esses problemas. O nivelamento sustenta tudo isso, pois uma carga irregular quebra o fluxo.

Pessoas e parceiros. Líderes que conhecem o trabalho ensinam pelo exemplo, e equipes capazes resolvem os problemas sem esperar ordens. Os fornecedores entram no mesmo raciocínio: são desafiados e apoiados a melhorar, não apenas pressionados por preço.

Solução de problemas. Ir ver no local, entender a causa raiz com o PDCA e decidir com cuidado, mas implementar rápido. O último princípio fecha o ciclo: a empresa aprende com cada ciclo e registra o que aprendeu.

Exemplo resolvido: diagnóstico dos 14 princípios

Exemplo ilustrativo, com notas inventadas para mostrar o método. Uma fábrica avalia cada princípio de 1 a 5 (1 = não existe, 5 = praticado e sustentado), em uma reunião no gemba com líderes e operadores.

GrupoNotas dos princípiosSomaMédia
1. FilosofiaP1 = 444,0
2. Processo (7 princípios)P2 = 4, P3 = 3, P4 = 2, P5 = 4, P6 = 4, P7 = 3, P8 = 4243,4
3. Pessoas e parceirosP9 = 2, P10 = 2, P11 = 262,0
4. Solução de problemasP12 = 4, P13 = 3, P14 = 293,0
Total14 princípios43 de 7061,4%

Contas: 4 + 24 + 6 + 9 = 43. Pontuação máxima = 14 × 5 = 70. Aproveitamento = 43 ÷ 70 = 61,4%. A média do processo é 24 ÷ 7 = 3,4.

Leitura: o grupo mais fraco é o de pessoas e parceiros, com média 2,0. Dentro do processo, o ponto mais baixo é o nivelamento (P4 = 2). A ação com mais retorno é formar líderes e desenvolver equipes antes de investir em mais ferramentas.

Como usar o resultado: o percentual total (61,4%) serve para comparar avaliações ao longo do tempo, não para ranquear fábricas. O que importa é a diferença entre os grupos e a discussão que as notas provocam. Duas pessoas podem dar notas diferentes ao mesmo princípio, e esse desacordo mostra onde falta entendimento comum.

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STP, Modelo Toyota, lean e Six Sigma

TermoO que éFoco
STPSistema de produção da Toyota, com a casa e suas ferramentasFluxo e eliminação de desperdício
Modelo ToyotaOs 14 princípios e 4Ps de LikerCultura, pessoas e filosofia
LeanGeneralização do STP para outras empresas e setoresValor para o cliente
Six SigmaMétodo estatístico de redução de variabilidadeDefeitos e variação

Lean e Six Sigma se complementam. Veja as diferenças em Lean vs Six Sigma.

Uma regra prática para escolher: se o problema é fluxo, espera, estoque e lead time, o caminho é o STP e o lean. Se o problema é variação e defeito em um processo já estável, o Six Sigma entra com a análise estatística. Em muitas fábricas, os dois são usados em sequência.

Erros comuns ao copiar a Toyota

O ponto comum a todos esses erros é tratar o STP como projeto com data de fim. Na Toyota, ele é a rotina de gestão. A forma de evitar o erro é começar pequeno, em uma área, com um líder presente, e deixar a prática se espalhar a partir dos resultados.

Próximo passo

Faça o diagnóstico do exemplo na sua fábrica. Reúna líderes e operadores, dê nota de 1 a 5 a cada princípio, some por grupo e escolha o grupo de menor média. Defina uma ação, um responsável e uma data, e repita a avaliação no trimestre seguinte, sempre começando pelo gemba. Uma regra simples ajuda: uma ação por grupo fraco, no máximo, para não diluir o esforço.

Em seguida, entenda o que o sistema combate: os 7 desperdícios do Lean.

Perguntas frequentes

O que é o Sistema Toyota de Produção?

É o sistema criado pela Toyota para entregar a melhor qualidade, o menor custo e o menor lead time eliminando desperdícios. Tem dois pilares: just in time e jidoka.

Quem criou o Sistema Toyota de Produção?

O desenvolvimento é creditado a Taiichi Ohno, a partir de conceitos de Sakichi e Kiichiro Toyoda.

Quais são os pilares do STP?

Just in time e jidoka, apoiados em uma base de estabilidade, heijunka, trabalho padronizado e kaizen.

Quais são os 14 princípios da Toyota?

São os princípios do Modelo Toyota, de Jeffrey Liker, em quatro grupos: filosofia de longo prazo, processo, pessoas e parceiros, e solução de problemas.

Qual a diferença entre STP e Modelo Toyota?

O STP é o sistema de produção, com suas ferramentas. O Modelo Toyota são os 14 princípios, que incluem cultura, liderança e desenvolvimento de pessoas.

STP e lean são a mesma coisa?

Não exatamente. O lean generaliza os princípios do STP para outras empresas e setores.

Como começar a aplicar o STP?

Comece pela estabilidade: 5S e trabalho padronizado em uma área. Depois torne os problemas visíveis e só então reduza estoque e avance para o sistema puxado.

Fontes

  1. Lean Enterprise Institute. Toyota Production System. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/toyota-production-system/
  2. Lean Enterprise Institute. Just-in-Time Production. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/just-in-time/
  3. LIKER, J. K. The Toyota Way. New York: McGraw-Hill, 2004.
  4. OHNO, T. Toyota Production System: Beyond Large-Scale Production. Portland: Productivity Press.

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Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.