Casa do Sistema Toyota de Produção com seus pilares e a base de estabilidade

O que é o Sistema Toyota de Produção

O Sistema Toyota de Produção (STP), ou Toyota Production System, é o conjunto de práticas de gestão desenvolvido pela Toyota entre as décadas de 1940 e 1970, principalmente por Taiichi Ohno e Shigeo Shingo. Ele é a origem direta do que hoje chamamos de Lean Manufacturing: enquanto o Lean é a interpretação ocidental e generalizada do sistema, o STP é o modelo original, ainda em uso e evolução dentro da própria Toyota.

A "Casa" do TPS

O STP costuma ser representado como uma casa. O telhado representa as metas: melhor qualidade, menor custo, menor lead time. Os dois pilares que sustentam o telhado são Just-in-Time (produzir a peça certa, na quantidade certa, no momento certo) e Jidoka (automação com toque humano: a máquina ou o operador para o processo assim que detecta uma anomalia, para que o defeito não avance). A base da casa é a estabilidade: processos padronizados, nivelamento da produção (heijunka) e melhoria contínua.

Publicidade

Os 14 princípios (modelo de Jeffrey Liker)

No livro The Toyota Way, o pesquisador Jeffrey Liker organizou a filosofia da Toyota em 14 princípios, agrupados em quatro categorias (os "4 P's"): Filosofia, Processo, Pessoas/Parceiros e Solução de Problemas.

Filosofia de longo prazo

01

Decisões gerenciais baseadas em filosofia de longo prazo

Priorizar objetivos de longo prazo mesmo às custas de resultados financeiros de curto prazo.

O processo certo produzirá os resultados certos

02

Criar fluxo contínuo de processo

Reduzir o tempo parado entre etapas para expor problemas rapidamente.

03

Usar sistemas puxados

Evitar superprodução, deixando o consumo real disparar a reposição (Kanban).

04

Nivelar a carga de trabalho (Heijunka)

Produção nivelada reduz picos de sobrecarga e desperdício de recursos.

05

Parar para resolver problemas (Jidoka)

Construir uma cultura de parar a linha diante de um defeito, para acertar na primeira vez.

06

Padronizar tarefas

Tarefas padronizadas são a base para a melhoria contínua e para dar autonomia ao operador.

07

Usar controle visual

Painéis, andons e sinalizações que tornam o status do processo visível a qualquer pessoa.

08

Usar somente tecnologia confiável e testada

Tecnologia deve servir às pessoas e ao processo, nunca o contrário.

Pessoas e parceiros

09

Formar líderes que vivam a filosofia

Líderes desenvolvidos internamente, que entendem o trabalho na prática e ensinam o método.

10

Desenvolver pessoas e times excepcionais

Investir continuamente em capacitação técnica e comportamental.

11

Respeitar e desenvolver fornecedores e parceiros

Tratar a cadeia de suprimentos como extensão da própria empresa.

Resolução contínua de problemas

12

Ver com os próprios olhos (Genchi Genbutsu)

Ir ao chão de fábrica para entender a situação real antes de decidir.

13

Decidir com calma e por consenso, implementar rápido

Avaliar todas as opções amplamente antes de decidir, e executar sem hesitar depois.

14

Tornar-se uma organização de aprendizagem (Hansei e Kaizen)

Reflexão honesta sobre erros e melhoria contínua como hábito institucional.

Como aplicar fora da indústria automotiva

Hospitais, bancos, softwares e varejo já usam versões adaptadas desses princípios. O ponto de partida costuma ser o mesmo: padronizar o trabalho atual, tornar problemas visíveis com gestão visual e criar o hábito de ir ver o processo real antes de propor soluções — em vez de decidir apenas com base em relatórios.

Próximo passo: entenda os desperdícios que o STP combate

Leia o guia completo sobre os 7 desperdícios do Lean (muda) e como identificá-los no seu processo.

Ler artigo
Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.