Relógio de linha de produção com estações de trabalho e peças saindo em intervalos regulares
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O que é takt time

Takt time é o tempo de produção disponível dividido pela demanda do cliente. Ele diz de quanto em quanto tempo uma peça precisa ficar pronta para que a produção acompanhe as vendas, nem mais rápido, nem mais devagar.

A palavra vem do alemão Takt, que significa compasso, o intervalo regular da música. O Lean Enterprise Institute (LEI) o descreve como o ritmo que casa a produção com a demanda, e por isso ele é chamado de "batimento cardíaco" do sistema enxuto. Segundo o LEI, o conceito foi usado na indústria aeronáutica alemã nos anos 1930 e amplamente adotado na Toyota nos anos 1950.

Takt time não mede a velocidade do processo. Mede a velocidade que o cliente exige. É uma referência externa, e é isso que o torna útil: ele mostra se a linha está acima ou abaixo do que o mercado pede.

Na prática, o takt serve a quatro decisões: quantos operadores a linha precisa, quais estações são gargalo, quando a produção está adiantada ou atrasada em relação ao pedido e que ritmo os trabalhos padronizados devem seguir. Um painel simples, com o número de peças que deveriam estar prontas a cada hora contra as realmente produzidas, torna o takt visível para a equipe sem relatórios longos.

Fórmula do takt time

Takt time = tempo disponível ÷ demanda do cliente

As duas variáveis precisam estar no mesmo período, por exemplo por dia ou por turno. O resultado sai na unidade do tempo usado: segundos por peça, minutos por peça.

VariávelComo definirO que não entra
Tempo disponívelTempo do turno menos as paradas programadas (refeição, pausas, reunião diária, ginástica laboral)Quebras, falta de material e setups não planejados
Demanda do clienteQuantidade que o cliente precisa no período, em peças por dia ou por turnoEstoque de segurança por conta própria e metas de produção sem pedido

Quebras e falta de material não são descontadas do tempo disponível. Elas são perdas que a linha precisa eliminar para cumprir o takt. Se você as descontar, o takt fica artificialmente alto e o problema desaparece do cálculo.

O exemplo clássico do LEI: uma fábrica opera 480 minutos por dia, com demanda de 240 peças por dia. O takt time é de 2 minutos por peça.

Exemplo resolvido: takt de 72 segundos

Exemplo ilustrativo de uma linha de montagem com dois turnos. Os dados são do exercício, não de uma empresa real.

ItemValor
Turnos por dia2 turnos de 8 h = 960 min
Paradas programadas2 × 60 min (refeição e pausas) = 120 min
Tempo disponível960 − 120 = 840 min = 50.400 s
Demanda diária700 peças
Takt time50.400 ÷ 700 = 72 s por peça

Se a demanda vem por mês, converta antes: 15.400 peças em 22 dias úteis dão 15.400 ÷ 22 = 700 peças por dia. Se a demanda subir para 840 peças por dia, o takt cai para 50.400 ÷ 840 = 60 segundos. O takt acompanha a demanda, por isso deve ser revisado com regularidade. Segundo o LEI, a Toyota costuma revisá-lo todo mês, com ajustes a cada 10 dias.

Para falar em minutos, divida por 60: 72 s equivalem a 1,2 min por peça.

Takt time, tempo de ciclo e lead time

Os três termos aparecem juntos e são confundidos com frequência. Só o primeiro vem do cliente.

TermoOrigemPergunta que respondeNo exemplo
Takt timeDemanda do clienteA cada quanto tempo uma peça precisa sair?72 s
Tempo de cicloOperaçãoQuanto tempo o posto leva para fazer uma peça?45 a 80 s, conforme a estação
Lead timeFluxo totalQuanto tempo uma peça leva da entrada à saída?Depende dos estoques entre as etapas

Quando o tempo de ciclo de uma estação é maior que o takt, ela é o gargalo e a linha não atende a demanda. Quando é muito menor, há ociosidade ou superprodução, o pior dos 7 desperdícios. Veja como reduzir o tempo total em lead time: como calcular e reduzir.

Há ainda o pitch, usado para controlar a produção em blocos: é o takt multiplicado pela quantidade de peças de um contêiner. Com contêineres de 10 peças, o pitch é 72 × 10 = 720 s, ou 12 minutos.

Como usar o takt no balanceamento da linha

O uso mais comum do takt é distribuir o trabalho entre as estações. O roteiro é curto.

  1. Calcule o takt (72 s no exemplo).
  2. Cronometre o ciclo de cada estação várias vezes e use o valor representativo.
  3. Monte um gráfico de barras com as estações e uma linha horizontal no takt.
  4. Passe tarefas das estações acima do takt para as que estão abaixo.
  5. Registre a nova divisão em trabalho padronizado.
EstaçãoCiclo antes (s)Ciclo depois (s)Situação
15555Abaixo do takt
26868Abaixo do takt
38070Estava 8 s acima do takt
46262Abaixo do takt
54555Recebeu 10 s da estação 3
Soma310310O trabalho total não mudou

O número mínimo teórico de operadores é a soma dos ciclos dividida pelo takt, arredondada para cima: 310 ÷ 72 = 4,3, ou seja, 5 operadores. Com 5 operadores, a eficiência do balanceamento é 310 ÷ (5 × 72) = 310 ÷ 360 = 86,1%. Se a demanda subir e o takt cair para 60 s, o cálculo vira 310 ÷ 60 = 5,2, e a linha precisa de 6 operadores ou de redução de tarefas. O tema completo está em balanceamento de linha.

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Vários produtos, turnos e paradas

Com mais de um produto na mesma linha, some as demandas. Se o produto A pede 400 peças por dia e o B pede 300, a demanda total é 700 e o takt continua em 72 s. O que muda é o conteúdo de trabalho de cada modelo, e a sequência de produção entra em cena. Para misturar os modelos sem bagunçar o ritmo, use o heijunka.

Três cuidados práticos no cálculo:

Para relacionar o ritmo com a capacidade instalada, veja capacidade produtiva.

Quando o takt time funciona e quando não funciona

O takt é mais útil onde a demanda é repetitiva e o fluxo é contínuo: linhas de montagem, células de produção e processos com volume estável. Nesses casos ele organiza o trabalho de todos em torno de um único ritmo.

Em ambientes de alta variedade e baixo volume, como uma oficina de usinagem sob encomenda, o takt de um item sozinho diz pouco, porque cada pedido tem roteiro e tempo diferentes. Ali o takt é calculado por família de produtos, ou se usa a carga de trabalho por centro produtivo no lugar dele. Essa é uma orientação prática, não uma regra fechada, e cada fábrica adapta ao seu fluxo.

O takt também conversa com a produção puxada. No kanban, o ritmo de reposição acompanha o consumo do cliente, e o takt é a tradução desse consumo em tempo. Sem um ritmo definido, a fábrica tende a produzir no ritmo da máquina mais rápida, e o estoque cresce entre as etapas.

Erros comuns no cálculo e no uso

Próximo passo

Escolha uma linha e calcule o takt hoje, com a demanda real da última semana e o tempo disponível do turno. Depois cronometre o ciclo de cada estação e monte o gráfico de barras com a linha do takt. A primeira estação acima da linha é o seu ponto de partida. Registre o resultado e revise o cálculo na semana seguinte.

Perguntas frequentes

O que é takt time?

É o tempo de produção disponível dividido pela demanda do cliente. Indica o intervalo em que uma peça deve ser concluída para atender o pedido.

Qual a fórmula do takt time?

Takt time = tempo disponível ÷ demanda do cliente, com os dois dados no mesmo período.

Quebras de máquina entram no cálculo do takt?

Não. Só se descontam as paradas programadas, como refeição e pausas. Quebras são perdas que a linha precisa eliminar para cumprir o takt.

Qual a diferença entre takt time e tempo de ciclo?

O takt vem da demanda do cliente. O tempo de ciclo vem da operação e mede quanto o posto leva por peça. Se o ciclo passa do takt, a estação é gargalo.

Takt time e lead time são a mesma coisa?

Não. Takt é o ritmo de saída exigido pelo cliente. Lead time é o tempo total que um produto leva para atravessar o processo.

Como calcular o takt time com demanda mensal?

Divida a demanda mensal pelos dias úteis para obter a demanda diária e use o tempo disponível de um dia. Exemplo: 15.400 ÷ 22 = 700 peças por dia.

Com que frequência o takt deve ser revisado?

Sempre que a demanda mudar de forma relevante. Segundo o LEI, a Toyota costuma revisá-lo todo mês, com ajustes a cada 10 dias.

Fontes

  1. Lean Enterprise Institute. Takt Time. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/takt-time/
  2. Lean Enterprise Institute. Cycle Time. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/cycle-time/
  3. ROTHER, M.; SHOOK, J. Learning to See: Value Stream Mapping to Add Value and Eliminate Muda. Cambridge: Lean Enterprise Institute.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.