
O que é kanban
Kanban é um dispositivo de sinalização que autoriza e dá instruções para produzir ou retirar itens em um sistema puxado. A palavra é japonesa e significa sinal ou placa. O cartão é o exemplo mais conhecido, mas o Lean Enterprise Institute lembra que também servem placas, bolas coloridas, sinais eletrônicos ou qualquer meio que passe a informação certa e evite instruções erradas.
O sistema foi desenvolvido na Toyota e descrito por Taiichi Ohno como o meio de operar o just in time. A ideia é simples: o processo seguinte retira o que consumiu, e o processo anterior produz somente o que foi retirado. Nada é produzido ou movimentado sem um kanban.
O principal objetivo é eliminar a superprodução, o desperdício de produzir mais, antes ou mais rápido do que o cliente pede. Como o número de cartões limita o estoque do circuito, o kanban também torna os problemas visíveis: quando falta peça, a causa aparece e pode ser tratada.
Atenção ao termo: o kanban de fábrica, tratado aqui, repõe peças. O quadro kanban de equipes de software e escritório herdou o nome e a ideia de limitar o trabalho em andamento, mas é outra aplicação.
Como funciona o ciclo do kanban
O ciclo básico tem seis passos. O supermercado é um estoque pequeno e organizado, com endereço fixo, entre os dois processos.
- O posto cliente consome o último item de um contêiner cheio.
- O cartão de retirada que estava no contêiner é solto e vai ao supermercado.
- O abastecedor retira um contêiner cheio do supermercado e leva ao cliente com o cartão.
- O cartão de produção do contêiner retirado volta ao posto fornecedor e entra no quadro de programação.
- O fornecedor produz um contêiner para cada cartão do quadro, na ordem em que chegaram.
- O contêiner pronto, com o cartão de produção, volta ao supermercado e o ciclo recomeça.
O resultado é uma produção puxada: o consumo real dita o ritmo do fornecedor, em vez de uma programação empurrar peças pela fábrica. Para ver o sistema inteiro ao qual o kanban pertence, leia Just in Time.
Kanban de produção e kanban de retirada
| Kanban de produção | Kanban de retirada | |
|---|---|---|
| Função | Autoriza o processo fornecedor a produzir | Autoriza a movimentação de peças até o processo cliente |
| Quando é emitido | Quando o cliente retira peças do supermercado | Quando o cliente consome um contêiner |
| Exemplo | A estamparia recebe o cartão e produz um lote de 50 peças | O abastecedor leva uma caixa do supermercado até a montagem |
O cartão informa o nome e o código da peça, o fornecedor ou processo que abastece, a quantidade por embalagem, o endereço de armazenagem e o processo que consome. Pode ter código de barras para rastreamento. Existem também variações: o kanban de fornecedor, para peças de fora; o kanban de sinal, em que o cartão é substituído por uma marca no contêiner; e o kanban eletrônico, que envia o sinal por sistema. O princípio é o mesmo.
As regras do kanban
Para o sistema funcionar, a literatura sobre o Sistema Toyota de Produção descreve regras de uso. Há versões resumidas em quatro regras e versões com seis; esta é uma organização prática:
- O processo cliente retira do processo fornecedor somente o que o cartão indica.
- O processo fornecedor produz apenas a quantidade e a sequência retiradas.
- Nenhuma peça é produzida ou transportada sem um kanban.
- O kanban acompanha sempre a peça física.
- Peça defeituosa nunca segue para o processo seguinte.
- Reduzir o número de cartões aumenta a sensibilidade do sistema aos problemas.
Como calcular o número de cartões, com exemplo
N = D × LT × (1 + α) ÷ C
N é o número de cartões, D a demanda por período, LT o tempo de reposição na mesma unidade, α a folga de segurança e C a quantidade por contêiner. Exemplo ilustrativo:
| Dado | Valor |
|---|---|
| Demanda (D) | 400 peças por dia |
| Tempo de reposição (LT) | 0,5 dia |
| Segurança (α) | 10% |
| Peças por contêiner (C) | 50 |
N = 400 × 0,5 × 1,1 ÷ 50 = 220 ÷ 50 = 4,4, arredondado para 5 cartões. Estoque máximo no circuito: 5 × 50 = 250 peças, ou 0,625 dia de demanda.
Em um dia de 8 horas, a linha consome um contêiner a cada 60 minutos. Durante a reposição de meio dia, ela consome 4 contêineres (200 peças). Os 0,4 cartão restantes são a segurança, 20 peças. Veja o que acontece ao mexer no número:
| Cartões | Peças no circuito | Demanda na reposição, com segurança | Resultado |
|---|---|---|---|
| 4 | 200 | 220 | Faltam 20 peças; a linha para |
| 5 | 250 | 220 | Sobram 30 peças de folga |
Com 4 cartões, o circuito cobre exatamente a demanda de 0,5 dia, sem folga alguma. Qualquer atraso para a linha. Por isso o Lean reduz cartões aos poucos e só depois de atacar a causa do problema que o estoque escondia. Para o passo a passo da conta, veja dimensionamento de kanban.
Quando o kanban funciona, kanban x MRP e quadro de equipes
O kanban funciona melhor com demanda razoavelmente estável, itens repetitivos, variedade controlada e fornecedor com tempo de reposição conhecido. Com demanda muito irregular, vale estudar antes o heijunka. Com setups longos, o SMED deve vir primeiro, para permitir lotes menores.
| Kanban | MRP | |
|---|---|---|
| Lógica | Puxa: repõe o que foi consumido | Planeja a partir da previsão e empurra ordens |
| Gatilho | Cartão ou sinal do consumo | Plano mestre e lista de materiais |
| Melhor para | Itens de giro alto e demanda estável | Itens caros, sob encomenda ou de longo prazo |
Muitas fábricas usam os dois: MRP para compras de longo prazo e kanban para o giro alto no chão de fábrica. Já o quadro kanban de equipes, usado em software e escritório, limita o trabalho em andamento, mas não repõe peças.
Como implantar sem travar a linha
- Comece por uma família de peças de consumo regular, com um cliente e um fornecedor bem definidos.
- Monte o supermercado com endereços fixos e identificação visual, apoiado no 5S.
- Calcule os cartões com folga no início e reduza aos poucos.
- Treine as regras: sem cartão, não se produz; só se retira o que o cartão pede.
- Acompanhe rupturas e excessos em um quadro de gestão visual.
- Revise o número de cartões quando mudarem a demanda, o tempo de reposição ou o contêiner. Cada problema revelado vira um ciclo de kaizen.
Erros comuns
- Calcular os cartões uma vez e nunca revisar.
- Usar o kanban em processo instável, com setup longo e quebras frequentes.
- Produzir sem cartão para aproveitar a máquina parada.
- Usar segurança alta para esconder a instabilidade.
- Perder cartões sem controle e misturar unidades de tempo no cálculo.
- Enviar peça defeituosa ao supermercado.
Próximo passo
- Escolha um item de giro regular, com cliente e fornecedor claros.
- Meça a demanda diária e o tempo real de reposição.
- Calcule N com a fórmula e arredonde para cima.
- Monte o supermercado, imprima os cartões e rode por duas semanas.
- Se a linha nunca faltar peça, retire um cartão e observe o que aparece.
Perguntas frequentes
O que é kanban?
É um sinal, em cartão, placa ou meio eletrônico, que autoriza produzir ou retirar itens em um sistema de produção puxada.
O que significa a palavra kanban?
É uma palavra japonesa que significa sinal ou placa.
Como funciona o kanban?
O cliente consome um contêiner, o cartão vai ao supermercado e ao fornecedor, e o fornecedor produz somente o que foi retirado, repondo o supermercado.
Qual a diferença entre kanban de produção e de retirada?
O de produção autoriza o fornecedor a produzir; o de retirada autoriza a movimentação das peças até o cliente.
Como calcular a quantidade de cartões?
Use N = D × LT × (1 + α) ÷ C e arredonde para cima. No exemplo, 400 × 0,5 × 1,1 ÷ 50 = 4,4, ou seja, 5 cartões.
Kanban e just in time são a mesma coisa?
Não. O just in time é o sistema de produção; o kanban é uma das ferramentas que fazem o sistema puxado funcionar.
Kanban é a mesma coisa que o quadro kanban de equipes?
Não. O kanban de fábrica repõe peças consumidas. O quadro de equipes limita o trabalho em andamento em software e escritório.
Quando não usar kanban?
Em demanda muito irregular, itens sob encomenda ou processos instáveis, com setup longo e muitas quebras, o kanban tende a falhar.
Fontes
- Lean Enterprise Institute. Kanban. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/kanban/
- Lean Enterprise Institute. Supermarket. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/supermarket/
- MONDEN, Y. Toyota Production System: An Integrated Approach to Just-in-Time. Boca Raton: CRC Press.
- OHNO, T. O Sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala. Porto Alegre: Bookman.
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