Quadro kanban com colunas, raias e cartões coloridos na parede de uma fábrica
Anúncio · Publicidade

O que é um quadro kanban

Um quadro kanban é uma superfície visível onde o trabalho aparece como cartões que andam por colunas. Cada coluna é uma etapa do processo. Quem passa em frente ao quadro entende em dez segundos o que está sendo feito, o que está parado e o que vem a seguir.

O quadro é a parte visível de um sistema maior. A lógica de puxar trabalho conforme a necessidade está explicada no guia de kanban e produção puxada. Aqui o foco é outro: como desenhar o quadro em si, peça por peça.

Ele funciona porque aplica a gestão visual: o problema deixa de ficar escondido em planilhas e conversas e passa a ocupar um lugar na parede.

Colunas: o caminho do trabalho

As colunas espelham as etapas reais do processo, não as que existem no organograma. Comece com o fluxo que a equipe já usa e dê um nome de verbo a cada etapa.

Dividir demais cria burocracia. Quatro a seis colunas atendem a maioria dos casos. Se uma coluna nunca recebe cartão, apague-a.

Raias: separando tipos de trabalho

As raias são faixas horizontais que cortam as colunas. Cada raia agrupa um tipo de trabalho ou uma prioridade, e cada uma pode ter regras próprias.

Use poucas raias. Com mais de quatro, o quadro deixa de caber no olhar e perde a função.

Limite de WIP: o que torna o quadro um sistema

WIP é o trabalho em processo. O limite de WIP é o número máximo de cartões que cada coluna aceita ao mesmo tempo, escrito no topo da coluna. Sem esse número, o quadro é apenas um mural de recados.

Quando a coluna atinge o limite, ninguém puxa trabalho novo para dentro dela. A equipe olha para a frente do fluxo e ajuda a terminar o que está parado. O limite força o foco em concluir, não em começar.

Para o chute inicial, use o número de pessoas que trabalham na etapa e ajuste depois. Se a coluna vive cheia e o fluxo trava, o limite está alto. Se vive vazia e as pessoas esperam, está baixo. A lógica de calcular o tamanho do circuito com cartões físicos está em dimensionamento de kanban.

O erro mais frequente é tratar o limite como sugestão. No primeiro dia de pressão, alguém coloca "só mais um" cartão na coluna, e o limite deixa de existir. Combine antes o que a equipe faz quando a coluna enche: ajudar a etapa seguinte, investigar o bloqueio ou registrar a espera. Cada resposta vira informação para melhorar o fluxo.

Cartões: o que escrever em cada um

O cartão representa uma unidade de trabalho que faz sentido para o cliente da etapa. Tamanho muito diferente entre cartões distorce a leitura do quadro.

  1. Identificação curta do item (código ou nome).
  2. Quantidade ou tamanho do lote.
  3. Responsável atual.
  4. Data de entrada no quadro, para medir quanto tempo ele já esperou.
  5. Marca visual de bloqueio, como um ímã vermelho, quando o item está impedido.

Cores devem ter significado fixo. Se cada pessoa usa uma cor, ninguém entende o quadro.

Evite cartões que misturam vários itens. Se um cartão representa "pedido da semana", ele esconde o andamento real. Prefira unidades pequenas e comparáveis, que atravessem o quadro em dias, e não em semanas.

Anúncio · Publicidade

Regras do quadro: acordos escritos

Regras implícitas geram discussão. Escreva-as em uma folha ao lado do quadro, com poucas linhas e linguagem simples.

Revise as regras quando a rotina mudar. Regra que ninguém segue deve ser corrigida ou removida.

Exemplo: quadro de uma linha de montagem

Imagine uma célula que monta conjuntos de válvulas com três etapas e duas famílias. O quadro abaixo é ilustrativo e pode ser copiado com ajustes.

ColunaLimite de WIPCritério para sair da coluna
Fila de montagem6Kit de componentes completo e conferido
Montagem3Torque e encaixe conforme instrução
Teste2Aprovado no teste de estanqueidade
Aguardando embalagem4Etiqueta aplicada
Concluídosem limiteEntregue à expedição

Duas raias: família A na de cima e família B na de baixo, com uma raia expressa de limite 1. O limite total de WIP interno é 3 + 2 = 5 conjuntos entre montagem e teste, mais a fila. Se o teste enche, a montagem para de puxar e os operadores ajudam no teste. O gargalo aparece sozinho, sem relatório.

Próximo passo

Desenhe o quadro em uma folha de papel antes de comprar qualquer material. Liste as etapas reais, defina um limite de WIP inicial por coluna e escreva três regras. Teste por duas semanas na reunião diária e ajuste. Para sinalizar problemas no quadro com rapidez, combine-o com o andon. Se o objetivo é um time organizado, siga para como organizar seu time com um quadro.

Perguntas frequentes

O que é um quadro kanban?

É uma superfície visual com colunas que representam as etapas do processo e cartões que representam o trabalho, com limite de itens em andamento por coluna.

Quantas colunas um quadro kanban deve ter?

Entre quatro e seis atendem a maioria dos casos. Use as etapas reais do processo e remova colunas que nunca recebem cartões.

O que é limite de WIP?

É o número máximo de cartões permitidos em uma coluna ao mesmo tempo. Ele evita acúmulo de trabalho começado e força o foco em terminar.

Para que servem as raias?

Separam tipos de trabalho, como famílias de produto, urgências ou manutenção, e permitem regras próprias para cada tipo.

Quadro físico ou digital?

Em produção, o físico costuma funcionar melhor porque fica no local do trabalho e é visto por todos sem abrir computador.

Fontes

  1. Lean Enterprise Institute. Kanban (glossário Lean). https://www.lean.org/lexicon-terms/kanban/
  2. Lean Enterprise Institute. Visual management (glossário Lean). https://www.lean.org/lexicon-terms/visual-management/
  3. ANDERSON, D. Kanban: Successful Evolutionary Change for Your Technology Business. Blue Hole Press.
  4. ROTHER, M.; SHOOK, J. Aprendendo a Enxergar. São Paulo: Lean Institute Brasil.

Quer uma produção puxada de verdade?

Baixe o e-book gratuito sobre produção puxada, com kanban, supermercado e nivelamento.

Baixar e-book
Anúncio · Publicidade
Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.