Equipe diante de um quadro com cadeia de perguntas por quê ligando um problema à sua causa raiz
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O que são os 5 porquês

Os 5 porquês são a prática de perguntar "por quê?" repetidamente diante de um problema, para ir além do sintoma óbvio e chegar à causa raiz. É uma das ferramentas mais simples do kit de solução de problemas do Lean e uma das mais mal usadas.

O Lean Enterprise Institute (LEI) destaca que o número cinco não é o ponto: o importante é continuar perguntando até chegar à causa que, ao ser eliminada, impede o problema de voltar. Às vezes bastam três perguntas, às vezes são sete.

A diferença entre corrigir e corrigir a causa é o que separa a fábrica que apaga incêndios da que melhora. Trocar um fusível queimado resolve o dia. Descobrir por que ele queimou resolve o mês.

Os 5 porquês servem para falhas de equipamento, defeitos de qualidade, acidentes, atrasos de entrega e até problemas administrativos. Eles pedem apenas um quadro, uma caneta e a disposição de olhar o processo sem procurar culpado. Por isso funcionam bem como primeira resposta a qualquer desvio, antes de ferramentas mais pesadas.

O exemplo clássico de Taiichi Ohno

O LEI reproduz o exemplo que Taiichi Ohno usou para explicar o método, sobre uma máquina que parou:

  1. Por que a máquina parou? Houve sobrecarga e o fusível queimou.
  2. Por que houve sobrecarga? O mancal não estava suficientemente lubrificado.
  3. Por que não estava lubrificado? A bomba de lubrificação não bombeava o suficiente.
  4. Por que não bombeava? O eixo da bomba estava gasto e com folga.
  5. Por que o eixo estava gasto? Não havia filtro, e entraram cavacos de metal.

Sem perguntar várias vezes, o gestor trocaria o fusível ou a bomba, e a falha voltaria. A causa raiz era a falta do filtro.

Como fazer os 5 porquês, passo a passo

  1. Descreva o problema com fatos: o quê, onde, quando e quanto. "Refugo de 3,2% na operação 20 neste mês" é melhor que "qualidade ruim".
  2. Reúna quem conhece o processo: operador, manutenção, qualidade e o líder da área.
  3. Vá ao local. Porquês feitos em sala de reunião viram opinião. Veja genchi genbutsu e a prática de gemba walk.
  4. Pergunte por quê e confirme cada resposta com evidência antes de seguir para o próximo porquê.
  5. Pare na causa raiz: aquela que, se eliminada, impede o problema de voltar e que está ao alcance da equipe.
  6. Defina a contramedida com dono e prazo, e teste em um ciclo PDCA.

Um bom teste de qualidade é ler a cadeia de trás para frente com a palavra "portanto". Se a causa 5 existe, então a causa 4 acontece, e assim por diante até o problema. Se alguma ligação não fecha, a cadeia tem um erro.

Exemplo resolvido: refugo na furação

Exemplo ilustrativo, com dados do exercício e não de uma empresa real. Na operação 20 (furação), 640 de 20.000 peças do mês foram refugadas por furo fora de posição: 640 ÷ 20.000 = 3,2%.

PerguntaRespostaComo foi confirmado
ProblemaRefugo de 3,2% (640 de 20.000 peças) por furo fora de posiçãoRegistro de refugo do mês
Por quê? (1)A peça se desloca durante a furaçãoObservação do ciclo no posto
Por quê? (2)O batente do dispositivo está gasto e a peça não assentaMedição do batente contra o desenho
Por quê? (3)Ninguém mede o desgaste do batenteEntrevista com o operador e o líder
Por quê? (4)O dispositivo não consta no plano de manutenção, que cobre só as máquinasConsulta ao plano de manutenção
Por quê? (5)Dispositivos são cadastrados como ferramental, sem dono nem rotina de inspeçãoConsulta ao cadastro de ferramental
ContramedidaIncluir o dispositivo no plano, inspecionar toda semana com calibre passa/não passa e trocar o batenteResponsável: manutenção. Prazo: 2 semanas

Repare no padrão: cada resposta nasce da anterior e cada uma tem uma evidência. As três primeiras respostas descrevem o que acontece na máquina. A quarta e a quinta mudam de plano e falam do sistema de gestão, que é onde costuma estar a causa raiz. Quando a análise termina em algo técnico e não chega ao sistema, vale perguntar mais uma vez.

A meta da ação é levar o refugo de 3,2% para até 1,0%, o que equivale a 200 peças em 20.000. A redução esperada é de 640 − 200 = 440 peças por mês. Se a análise parasse no segundo porquê, a equipe trocaria o batente e o desgaste voltaria. A causa raiz é a falta de dono e de rotina para dispositivos. A ação de bloqueio pode incluir um poka-yoke, como um pino que impeça a montagem da peça fora de posição.

Como conduzir uma sessão de 30 minutos

A análise rende mais quando é feita em grupo, no local do problema e com regras simples. Uma sessão de cerca de 30 minutos costuma bastar para a maioria das falhas de chão de fábrica. Esse tempo é uma referência prática, não uma regra.

Quando a pergunta tem mais de uma resposta

Nem todo porquê tem uma única resposta. No exemplo da furação, o desgaste do batente poderia ter um segundo ramo: por que o batente gasto não foi percebido na troca de turno? A resposta pode ser que o checklist de início de turno não pede a verificação do dispositivo. São duas causas que se somam, e cada uma gera sua contramedida.

Quando surgir mais de uma resposta, desenhe os ramos lado a lado e siga cada um até o fim. Depois compare: qual dos ramos explica a maior parte do problema? Os dados do refugo, separados por turno e por dispositivo, ajudam a decidir por onde começar.

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Modelo para preencher

Use uma folha com as colunas abaixo. A terceira é a que mais falta nas análises do dia a dia.

CampoO que escrever
ProblemaO quê, onde, quando e quanto, com números
Por quê? (1 a 5)Uma resposta por linha, baseada em fato
Como foi confirmadoMedição, foto, registro ou observação no local
Causa raizA causa que, eliminada, impede a volta do problema
ContramedidaAção, responsável, prazo e indicador de resultado

5 porquês, Ishikawa, Pareto e A3: quando usar cada um

As ferramentas não competem, elas se encaixam. Esta é uma organização prática, e cada equipe monta a sua sequência.

FerramentaMelhor usoLimite
5 porquêsUm problema específico com uma cadeia causal claraSegue um caminho só; depende de quem pergunta
IshikawaListar muitas causas possíveis por categoriaMostra hipóteses, não prova nenhuma
ParetoEscolher qual problema atacar primeiroNão explica a causa
A3Problemas complexos, com plano e acompanhamentoExige mais tempo e disciplina

Uma sequência comum: o Pareto define o problema, o Ishikawa levanta as hipóteses, os 5 porquês aprofundam as mais prováveis e o A3 registra tudo.

Erros que levam a causas falsas

Quando os 5 porquês não bastam

O método funciona bem para falhas com uma cadeia causal direta. Em problemas com várias causas combinadas, muita variação ou dados estatísticos, ele sozinho é insuficiente. Nesses casos, abra ramos (um conjunto de porquês para cada causa) ou use o relatório A3, as ferramentas estatísticas e, para falhas já previsíveis, a FMEA. Duas pessoas podem chegar a causas diferentes pelas mesmas perguntas, por isso a evidência de cada resposta é o que protege a análise.

Próximo passo

Escolha o problema que mais se repete no seu setor, escreva-o com número, vá ao local com a equipe e preencha o modelo acima até a causa raiz. Defina a contramedida com dono e prazo e volte para conferir o resultado. Uma análise completa por semana já muda a rotina da área.

Perguntas frequentes

O que são os 5 porquês?

É a prática de perguntar por quê repetidamente diante de um problema, até chegar à causa raiz e não apenas ao sintoma.

Precisa sempre perguntar cinco vezes?

Não. Cinco é uma referência. O importante é continuar até chegar a uma causa que, eliminada, impeça a volta do problema.

Como fazer os 5 porquês na prática?

Descreva o problema com fatos, vá ao local, pergunte por quê e confirme cada resposta com evidência, pare na causa raiz e defina a contramedida com dono e prazo.

Quem criou os 5 porquês?

O método é associado à Toyota e a Taiichi Ohno, que usou o exemplo da máquina parada para explicá-lo.

Qual a diferença entre 5 porquês e Ishikawa?

O Ishikawa lista muitas causas possíveis por categoria. Os 5 porquês aprofundam uma cadeia causal. Costumam ser usados juntos.

Quando os 5 porquês não bastam?

Em problemas com várias causas combinadas ou muita variação. Aí vale usar ramos de porquês, o A3 ou ferramentas estatísticas.

Como saber se cheguei à causa raiz?

Leia a cadeia de trás para frente com a palavra portanto. Se a ligação fecha e eliminar a última causa impede o problema de voltar, você chegou.

Fontes

  1. Lean Enterprise Institute. 5 Whys. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/five-whys/
  2. Lean Enterprise Institute. A3 Report. Lean Lexicon. https://www.lean.org/lexicon-terms/a3-report/
  3. OHNO, T. O Sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala. Porto Alegre: Bookman.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.