Engenheiro da qualidade ao lado de um torno CNC conferindo o diâmetro de um eixo com micrômetro.

O que é o plano de controle

O plano de controle de processo é o documento que descreve, operação por operação, o que é controlado, como, com que frequência e o que fazer quando algo sai do especificado. Ele transforma o FMEA em ação no chão de fábrica: cada risco relevante do FMEA precisa ter um controle correspondente no plano.

No setor automotivo, o plano de controle faz parte do APQP, é exigido pela IATF 16949 e acompanha o PPAP. Mas o formato serve para qualquer fábrica que queira padronizar a inspeção e a reação a desvios.

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Mapa visual do plano de controle

O mapa mostra as colunas do plano, a ligação com o FMEA e o exemplo do eixo usinado deste artigo.

PLANO DE CONTROLE
Mapa visual 121: Plano de controle de processo: como montar, com exemplo e FMEA. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

As colunas do plano de controle

O modelo mais usado (AIAG) tem um cabeçalho (número do plano, peça, revisão, fornecedor, datas, aprovações) e uma tabela com estas colunas:

ColunaO que registrarExemplo
Nº da operação e processoEtapa do fluxograma20 – Torneamento do Ø12
Máquina, dispositivo, ferramentaMeio de produção usadoTorno CNC 03
Característica de produtoO que se mede na peçaØ12,00 ±0,02 mm
Característica de processoParâmetro que gera a característicaRotação, avanço, desgaste da ferramenta
Classe da característicaEspecial ou crítica, se houverEspecial (função/montagem)
Especificação/tolerânciaLimites do desenho11,98 a 12,02 mm
Técnica de mediçãoInstrumento e resoluçãoMicrômetro 0–25 mm, 0,001 mm
Amostra: tamanho e frequênciaQuantas peças e quando5 peças por hora
Método de controleCarta, 100%, poka-yoke, auditoriaCarta X̄-R
Plano de reaçãoO que fazer se fora do limiteParar, segregar, avisar o líder

Ligação com o FMEA

O fluxo é este: o FMEA de processo lista modos de falha, causas e controles atuais; os itens de maior risco definem o que o plano precisa controlar e com que rigor. Severidade alta indica característica especial e controle mais forte. Ocorrência alta pede controle do processo (carta de controle, poka-yoke). Detecção ruim pede inspeção melhor ou um sistema de medição validado.

NPR = Severidade (S) × Ocorrência (O) × Detecção (D)

Modo de falha (FMEA)SODNPRControle no plano
Diâmetro acima da tolerância845160Carta X̄-R, 5 peças/h, micrômetro com Gauge R&R aprovado
Material com dureza fora926108Certificado + dureza em 1 peça por lote no recebimento
Furo transversal não passa no calibre73484Calibre passa/não passa, 1 peça a cada 30 min
Rebarba na aresta55375Inspeção visual 100% com padrão limite

Conferência: 8 × 4 × 5 = 160; 9 × 2 × 6 = 108; 7 × 3 × 4 = 84; 5 × 5 × 3 = 75. A edição AIAG-VDA do FMEA (2019) usa a prioridade de ação (AP) no lugar do NPR; a lógica de ligar risco a controle continua a mesma. Quando o FMEA mudar, o plano muda junto.

Exemplo: eixo usinado

Exemplo fictício: eixo com Ø12,00 ±0,02 mm. Plano resumido:

Op.CaracterísticaTolerânciaMediçãoAmostraMétodoReação
10 RecebimentoDureza da barraConforme certificadoDurômetro1 peça/loteVerificação por loteReter lote, avisar qualidade
20 TorneamentoØ12 (especial)11,98 a 12,02Micrômetro5 peças/hCarta X̄-RParar, segregar, avisar líder
30 FuraçãoFuro Ø4 H7Conforme desenhoCalibre passa/não passa1 peça/30 minCalibreSegregar desde a última peça boa
40 FinalRebarba na arestaSem rebarbaVisual com padrão100%Inspeção visualRetrabalhar e registrar
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Verificação de capabilidade da operação 20: média 12,003 mm e desvio-padrão 0,004 mm. Cpk = menor entre (12,02 − 12,003) ÷ (3 × 0,004) = 1,42 e (12,003 − 11,98) ÷ (3 × 0,004) = 1,92, ou seja, 1,42. Acima de 1,33, valor de referência usual em clientes automotivos; o requisito exato é o do seu cliente. Veja Cp e Cpk e CEP. A medição só vale se o instrumento for confiável: MSA e Gauge R&R.

Plano de controle nas três fases

O plano é um documento vivo: revise-o após mudança de produto, processo, instrumento, fornecedor, reclamação de cliente ou alteração do FMEA.

Como montar em 7 passos

  1. Parta do fluxograma do processo, com todas as operações, inclusive recebimento e embalagem.
  2. Traga as características do desenho e do cliente e marque as especiais.
  3. Importe do FMEA os modos de falha e os controles atuais.
  4. Defina o método: controle estatístico, 100% automático, dispositivo à prova de erro ou amostragem. Prefira prevenir a detectar.
  5. Defina instrumento, amostra e frequência; valide o instrumento no MSA.
  6. Escreva o plano de reação com responsável e destino da peça suspeita.
  7. Aprove com produção e qualidade, treine o operador e publique no posto de trabalho. Registre também no trabalho padronizado.

Use as 7 ferramentas da qualidade para analisar os dados coletados. Em sistemas de gestão certificados, o plano se encaixa nos requisitos de controle de produção da ISO 9001; para controles de aspectos ambientais, veja ISO 14001.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que é um plano de controle?

É o documento que define, para cada operação, as características controladas, o método, a amostragem e a reação a desvios.

Qual a diferença entre plano de controle e FMEA?

O FMEA analisa o que pode falhar e o risco. O plano de controle define como o processo será controlado para que essas falhas não cheguem ao cliente.

Quem elabora o plano de controle?

Uma equipe multifuncional: engenharia de processo, qualidade, produção e, quando necessário, manutenção e logística.

O plano de controle é obrigatório?

Na cadeia automotiva, sim: a IATF 16949 o exige. Em outros setores, é boa prática e muitas vezes pedido pelo cliente.

Com que frequência revisar?

Sempre que houver mudança de produto, processo ou medição, reclamação de cliente ou alteração do FMEA, além de uma revisão periódica definida pela empresa.

Plano de controle é o mesmo que plano de inspeção?

Não. O plano de inspeção lista verificações. O plano de controle inclui controles de processo, prevenção e reação, além da inspeção.

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Fontes

  1. AIAG. Advanced Product Quality Planning (APQP) and Control Plan, 2nd ed., 2008.
  2. AIAG; VDA. FMEA Handbook (Failure Mode and Effects Analysis), 1st ed., 2019.
  3. IATF 16949:2016. Quality management system requirements for automotive production and relevant service parts organizations.
  4. AIAG. Measurement Systems Analysis (MSA), 4th ed., 2010.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.