Duas curvas normais dentro dos limites de especificação, uma centrada e outra deslocada
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O que são Cp e Cpk

Cp e Cpk são índices de capabilidade: comparam a variação natural do processo com a tolerância do cliente. Respondem a uma pergunta simples: com a variação que tem hoje, o processo consegue produzir dentro da especificação?

O Cp olha só a largura: cabe a variação dentro da tolerância? O Cpk olha também a posição: a média está bem centrada ou encostada em um dos limites?

Mapa visual de Cp e Cpk

O mapa reúne a especificação do exemplo, as fórmulas, os gráficos do processo centrado e deslocado, os cálculos e a regra de interpretação.

Mapa visual de Cp e Cpk: especificação, fórmulas, processo centrado e deslocado, cálculos e interpretação
Mapa visual 08: capabilidade do processo, Cp e Cpk. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Fórmulas

Cp = (LSE − LIE) ÷ 6σ
Cpk = menor entre (LSE − média) ÷ 3σ e (média − LIE) ÷ 3σ

LSE e LIE são os limites superior e inferior de especificação; σ é o desvio padrão do processo. Com a carta de controle estável, σ pode ser estimado por R̄ ÷ d2, como mostrado no artigo de CEP e cartas de controle.

Exemplo resolvido: eixo de 25,00 ± 0,10 mm

A especificação é 25,00 ± 0,10 mm (LIE 24,90 e LSE 25,10) e o desvio padrão do processo é 0,0215 mm.

SituaçãoMédiaCpCpk
Processo centrado25,000,20 ÷ 0,129 ≈ 1,550,10 ÷ 0,0645 ≈ 1,55
Média deslocada25,05≈ 1,550,05 ÷ 0,0645 ≈ 0,78

O Cp não muda, porque a variação é a mesma. O Cpk cai pela metade porque a média encostou no limite superior. Na prática, o processo deslocado passa a produzir cerca de 1% das peças acima de 25,10 mm, enquanto o centrado fica na casa de poucas peças por milhão.

Como interpretar

CpkLeitura
≥ 1,33Processo capaz, com baixo risco de defeitos
Entre 1,00 e 1,33Processo marginal: atende, mas pede monitoramento e melhoria
< 1,00Processo não capaz: alto risco de produzir fora da especificação

A referência mínima de 1,33 é comum em contratos, especialmente no setor automotivo, que costuma pedir valores maiores em estudos iniciais e características críticas. Sempre vale o requisito do cliente. Quando Cp é alto e Cpk é baixo, o problema é centralização, resolvido com ajuste; quando os dois são baixos, o problema é variação, que pede melhoria no processo, como em um projeto Six Sigma.

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Estabilidade antes da capabilidade

Só faz sentido calcular Cp e Cpk de um processo estável, sem causas especiais. Se a carta de controle mostra pontos fora de controle, o σ não representa o processo e o índice engana. A ordem correta é: estabilizar com CEP, depois medir capabilidade. O e-Handbook do NIST traz as definições e as condições de uso.

Cp e Cpk ou Pp e Ppk?

Cp e Cpk usam o desvio padrão de curto prazo, dentro dos subgrupos. Pp e Ppk usam o desvio padrão de todos os dados, de longo prazo. Se Ppk fica bem abaixo de Cpk, o processo muda ao longo do tempo, entre turnos, lotes ou setups, e vale investigar essas fontes.

Como aplicar

  1. Defina os limites de especificação da característica crítica.
  2. Valide o sistema de medição.
  3. Colete dados suficientes de um processo estável, por exemplo 25 subgrupos de 5 peças.
  4. Calcule média, desvio padrão, Cp e Cpk.
  5. Atue: centralize se Cpk < Cp; reduza variação se ambos forem baixos; monitore com CEP.

Erros comuns

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Cp e Cpk?

Cp compara a largura da tolerância com a variação; Cpk considera também a posição da média em relação aos limites.

Como calcular o Cpk?

Calcule (LSE − média) ÷ 3σ e (média − LIE) ÷ 3σ e use o menor valor.

Qual valor de Cpk é bom?

Um Cpk de pelo menos 1,33 é a referência mais comum; abaixo de 1,00 o processo não é capaz.

Por que o Cpk caiu e o Cp não?

Porque a média se deslocou; a variação continua a mesma, mas o processo ficou mais perto de um limite.

Posso calcular Cpk com o processo instável?

Não deveria. Primeiro estabilize o processo com CEP; só então o índice representa a realidade.

Fontes

  1. NIST/SEMATECH e-Handbook of Statistical Methods. What is Process Capability? https://www.itl.nist.gov/div898/handbook/pmc/section1/pmc16.htm
  2. MONTGOMERY, D. C. Introdução ao Controle Estatístico da Qualidade. Rio de Janeiro: LTC.
  3. AIAG. Statistical Process Control (SPC) Reference Manual. Southfield: AIAG.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.