Equipe de qualidade em volta de uma mesa com peças usinadas, paquímetro e relatório impresso no chão de fábrica

O que é o relatório 8D

O relatório 8D é um método estruturado de resolução de problemas em oito disciplinas (D1 a D8), usado para tratar reclamações de clientes e falhas repetitivas: contém o problema, protege o cliente, acha a causa raiz e impede a reincidência. Está muito presente na cadeia automotiva, onde clientes exigem o 8D do fornecedor.

O método vem da Ford, que publicou o guia "Team Oriented Problem Solving" nos anos 1980, com oito disciplinas; depois muitas empresas acrescentaram uma etapa D0 de preparação e resposta de emergência. O princípio central: conter primeiro, investigar depois, corrigir de forma permanente e padronizar.

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Mapa visual das 8 disciplinas

O mapa traz as disciplinas D1 a D8 em linha do tempo, as ferramentas de cada uma e o exemplo numérico abaixo.

Mapa visual: As 8 disciplinas do 8d. Resumo do artigo em oito blocos, do conceito à aplicação prática.
Mapa visual 111: Relatório 8D: as 8 disciplinas com exemplo resolvido. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

As 8 disciplinas, uma a uma

DisciplinaObjetivoFerramentas
D1 EquipeReunir pessoas com conhecimento do processo, um líder e um patrocinadorMatriz de competências
D2 Descrever o problemaDizer o que, onde, quando, quanto, com dados5W2H, é / não é
D3 Contenção provisóriaProteger o cliente até a solução definitivaTriagem, bloqueio de estoque, inspeção 100%
D4 Causa raizAchar a causa de ocorrência e a causa de escape (por que não foi detectado)Ishikawa, 5 Porquês
D5 Ações corretivasEscolher e verificar a ação permanente antes de implantarTeste piloto, Cpk
D6 Implantar e validarImplantar, retirar a contenção e confirmar a eficáciaDados de acompanhamento
D7 Prevenir recorrênciaAtualizar padrões e estender a processos similaresFMEA, plano de controle, POP
D8 Encerrar e reconhecerAprovar o fechamento, registrar lições aprendidas, reconhecer a equipeBanco de lições

Dois pontos separam um bom 8D de um relatório de fachada: a contenção em D3 não substitui a ação permanente, e o D4 precisa explicar também por que o defeito escapou da detecção.

Exemplo resolvido: furo fora de tolerância

Caso fictício: um fornecedor de buchas usinadas recebe reclamação do cliente. Entre 8.000 peças entregues, 12 chegaram com furo acima do limite superior. O furo especificado é 10,00 ± 0,05 mm (9,95 a 10,05 mm).

EtapaRegistro
D1Líder da qualidade, operador do torno, manutenção, engenharia; patrocinador: gerente industrial
D212 peças em 8.000 com furo > 10,05 mm: 12 ÷ 8.000 × 1.000.000 = 1.500 ppm
D3Triagem de 2.400 peças em estoque: 36 reprovadas, ou 36 ÷ 2.400 = 1,5%; inspeção 100% no calibrador passa/não passa até a ação permanente
D4Causa de ocorrência: broca desgastada, sem controle de vida útil. Causa de escape: inspeção final por amostragem de 5 peças por lote não detectou
D5Troca da broca por contador de furos e CEP no diâmetro
D6Implantação na linha, resultado conferido por 3 meses sem peça fora
D7FMEA, plano de controle e POP atualizados; contador estendido às outras máquinas
D8Fechamento aprovado, lições registradas

Verificação em D5 com a capabilidade do processo, pela fórmula Cpk = mín(LSE − média; média − LIE) ÷ 3s.

SituaçãoMédiaDesvio padrão (s)Cpk
Antes10,03 mm0,012 mmmín(10,05 − 10,03; 10,03 − 9,95) ÷ (3 × 0,012) = 0,02 ÷ 0,036 = 0,56
Depois10,00 mm0,010 mmmín(0,05; 0,05) ÷ 0,030 = 1,67

Antes da ação, o processo estava descentrado e instável (Cpk 0,56 é muito abaixo do mínimo usual de 1,33); depois, ficou centrado e capaz.

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Como escrever e conduzir um 8D bom

  1. Abra em 24 horas: faça a contenção (D3) antes de investigar a fundo.
  2. Descreva com dados: use contagem, fotos, lote, data e local. Evite "peças ruins".
  3. Valide o sistema de medição antes de concluir que a peça está fora (MSA).
  4. Teste a causa raiz: reproduza o defeito ligando e desligando a causa. Sem prova, é hipótese.
  5. Verifique a ação antes de implantar e confirme a eficácia depois (D6).
  6. Feche com padronização: um 8D sem D7 volta a acontecer.

Se a empresa já usa o relatório A3, o 8D é mais indicado para reclamação de cliente e contenção; o A3 serve melhor a problemas internos de melhoria. Para o tratamento de não conformidades em geral, veja não conformidade e CAPA; para o documento que recebe as ações do D7, veja plano de controle.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que significa 8D?

As oito disciplinas (D1 a D8) de um método estruturado de solução de problemas, da formação da equipe ao reconhecimento do time.

Qual a diferença entre 8D e A3?

O 8D foca reclamação de cliente e contenção, com formato mais rígido; o A3 é um relatório de uma página usado para problemas e melhorias internas.

O que é D0 no 8D?

Uma etapa de preparação, usada por muitas empresas, que avalia se o 8D é necessário e aciona a resposta de emergência.

Qual o prazo do relatório 8D?

Depende do cliente. É comum exigir a contenção em até 24 horas e o relatório completo em prazo definido contratualmente.

Qual a diferença entre causa de ocorrência e de escape?

A causa de ocorrência explica por que o defeito foi gerado; a de escape, por que o controle não o detectou.

Quem deve liderar um 8D?

Alguém com autoridade e conhecimento do processo, apoiado por um patrocinador que libere recursos.

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Fontes

  1. FORD MOTOR COMPANY. Team Oriented Problem Solving (TOPS), anos 1980.
  2. LIKER, J. K. O Modelo Toyota: 14 princípios de gestão. Porto Alegre: Bookman.
  3. MONTGOMERY, D. C. Introduction to Statistical Quality Control. Wiley.
  4. ABNT NBR ISO 9001: Sistemas de gestão da qualidade, requisitos sobre não conformidade e ação corretiva.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.