
O que é o roteiro de produção
O roteiro de produção (routing) é o documento que define, para cada item fabricado, a sequência de operações, o centro de trabalho de cada uma e os tempos de preparação e de execução. É ele que transforma a lista de materiais em trabalho: a BOM diz o que entra, o roteiro diz onde, em que ordem e quanto tempo se gasta.
Sem roteiro confiável, o MRP não consegue calcular prazos, o PCP não consegue carregar as máquinas e o custo do produto vira estimativa.
Mapa visual do roteiro de produção
O mapa mostra os campos do roteiro, a fórmula do tempo por operação e o exemplo do eixo com lote de 200 peças.

O que um roteiro precisa conter
Cada linha do roteiro é uma operação. Os campos mínimos são:
- Número da operação: de 10 em 10, para permitir inserir etapas depois sem renumerar tudo.
- Centro de trabalho: a máquina ou o grupo de máquinas e pessoas que executa (torno, fresa, bancada de montagem).
- Descrição: o que se faz, em verbo de ação.
- Tempo de preparação (setup): gasto uma vez por lote, antes da primeira peça boa.
- Tempo de execução: minutos por peça, de preferência o tempo padrão medido e não um palpite.
- Ferramental e instrução: gabaritos, programas, desenhos e o POP da operação.
Tempos de fila e de movimentação entre operações costumam ficar em campos próprios do sistema (ou em um parâmetro por centro de trabalho), porque dependem da programação e não do método.
Fórmula do tempo por operação
Tempo da operação no lote = Tp + (Q × Te)
Tp é a preparação (min por lote), Q a quantidade do lote e Te o tempo de execução por peça. O tempo médio por peça é o tempo do lote dividido por Q, e por isso cai quando o lote cresce: a preparação é diluída.
Exemplo: eixo com lote de 200 peças
Exemplo fictício de um eixo usinado, com cinco operações e lote de 200 peças:
| Op. | Centro | Descrição | Tp (min) | Te (min/pç) | Tempo no lote (min) |
|---|---|---|---|---|---|
| 10 | SER-01 | Serrar a barra | 20 | 0,50 | 20 + 200 × 0,50 = 120 |
| 20 | TOR-02 | Tornear | 45 | 2,40 | 45 + 200 × 2,40 = 525 |
| 30 | FRE-01 | Fresar a chaveta | 30 | 1,50 | 30 + 200 × 1,50 = 330 |
| 40 | RET-01 | Retificar | 40 | 1,80 | 40 + 200 × 1,80 = 400 |
| 50 | QUA-01 | Inspecionar | 10 | 0,30 | 10 + 200 × 0,30 = 70 |
| Total | 145 | 6,50 | 1.445 | ||
O lote consome 1.445 minutos de trabalho, ou 7,225 min por peça. A operação 20 (525 min) é a maior carga e passa de um turno de 480 min: o torno TOR-02 é o candidato a gargalo e precisa de dois dias.
Efeito do tamanho do lote no tempo médio por peça, com os mesmos tempos:
| Lote | Tempo total (min) | Min por peça |
|---|---|---|
| 50 | 470 | 9,40 |
| 200 | 1.445 | 7,23 |
| 1.000 | 6.645 | 6,65 |
Se entre cada par de operações houver 240 min de fila e movimentação (4 transições), o lead time do lote sobe para 1.445 + 960 = 2.405 min, cerca de 5 turnos de 480 min. O tempo de trabalho é menos da metade do prazo.
Onde o roteiro é usado
- Ordem de produção: ao emitir a ordem de produção, o sistema copia as operações do roteiro e o chão de fábrica aponta tempo em cada uma.
- Capacidade: multiplicando a quantidade planejada pelo tempo de cada operação, obtém-se a carga por centro, base do planejamento de capacidade RCCP e CRP.
- Prazos no MRP: o MRP usa os tempos do roteiro para deslocar as datas de início de cada nível.
- Custo: tempo de operação vezes o custo da hora-máquina dá a conversão do produto, base do custo de produção.
- Melhoria: comparar o roteiro com o tempo real aponta onde atacar, por exemplo com SMED nas preparações longas.
Como manter o roteiro correto
- Defina um responsável (engenharia de processos) e uma revisão numerada.
- Altere o roteiro sempre que mudar método, máquina ou ferramenta, antes de mudar o chão.
- Compare o tempo apontado nas ordens com o previsto; desvio recorrente acima de 10% pede revisão do tempo ou do processo.
- Separe roteiros alternativos (máquina A ou B) em vez de editar o principal.
- Mantenha coerência com o trabalho padronizado: o roteiro diz o tempo, o standard work diz o jeito de fazer.
Erros comuns
- Copiar tempos de um produto parecido sem medir.
- Misturar preparação e execução em um único tempo, o que distorce lotes pequenos e grandes.
- Não registrar o que mudou: roteiro sem revisão vira fonte de custo e prazo errados.
- Ignorar refugo e retrabalho: se a operação perde 3% das peças, o lote precisa ser maior que o pedido.
- Deixar o roteiro no sistema diferente do que o operador faz na máquina.
Perguntas frequentes
O que é roteiro de produção?
É a lista ordenada de operações para fabricar um item, com centro de trabalho, tempo de preparação e tempo de execução de cada uma.
Qual a diferença entre roteiro e BOM?
A BOM lista os materiais e componentes; o roteiro lista as operações e os recursos. Juntos, definem o que e como produzir.
Como calcular o tempo de uma operação no lote?
Tempo = preparação + (quantidade × tempo de execução). No exemplo do torno: 45 + 200 × 2,40 = 525 minutos.
O que é centro de trabalho?
É a máquina, célula ou grupo de recursos tratado como uma unidade de capacidade no planejamento e no custo.
Roteiro e ordem de produção são a mesma coisa?
Não. O roteiro é o modelo permanente do item; a ordem de produção é a instância para um lote, com quantidade e datas.
Com que frequência revisar o roteiro?
Sempre que o método, a máquina ou a ferramenta mudar e, no mínimo, quando o tempo apontado divergir do previsto de forma recorrente.
Fontes
- VOLLMANN, T. E.; BERRY, W. L.; WHYBARK, D. C.; JACOBS, F. R. Manufacturing Planning and Control for Supply Chain Management. McGraw-Hill.
- SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas.
- CORRÊA, H. L.; GIANESI, I. G. N.; CAON, M. Planejamento, Programação e Controle da Produção. São Paulo: Atlas.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ASCM: Association for Supply Chain Management (em inglês)
- ABEPRO: Associação Brasileira de Engenharia de Produção
- Wikipédia: Programação e controle da produção
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