Centro de usinagem em fábrica com operador conferindo uma peça metálica pronta.

O que é o custo da hora-máquina

O custo da hora-máquina é quanto custa manter uma máquina trabalhando por uma hora: depreciação, custo do capital, manutenção, energia, espaço e, se você quiser, o operador. É o valor que se multiplica pelo tempo de ciclo para saber o quanto a máquina pesa no custo de cada peça.

Sem essa taxa, o custo das peças usinadas, injetadas ou estampadas é um chute: todo o custo da máquina cai num rateio genérico, e uma prensa de R$ 480 mil acaba custando o mesmo que uma bancada. Para o quadro geral de custos, veja o custo de produção unitário; aqui o foco é a taxa por hora.

Mapa visual do custo da hora-máquina

O mapa reúne os componentes, a fórmula e o exemplo de R$ 110,55 por hora usado neste artigo.

CUSTO DA HORA-MÁQUINA
Mapa visual 208: Custo da hora-máquina: como calcular, com exemplo resolvido. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Os componentes da taxa

Separe os custos em dois grupos. Os custos fixos anuais existem mesmo com a máquina parada e são divididos pelas horas produtivas do ano. Os custos variáveis por hora só ocorrem quando a máquina liga.

ComponenteGrupoComo estimar
DepreciaçãoFixo(valor de compra − valor residual) ÷ vida útil; veja os métodos em depreciação de máquinas
Custo do capital (juros)Fixo(valor de compra + residual) ÷ 2 × taxa anual: capital médio imobilizado
ManutençãoFixo (ou por hora)Média histórica de preventiva e corretiva por ano
Seguro e impostosFixoPercentual do valor da máquina por ano
EspaçoFixoÁrea ocupada em m² × custo do m² por ano
EnergiaVariávelkW × fator de carga × tarifa por kWh
OperadorVariável ou à parteSalário com encargos ÷ horas pagas por mês

Fórmula

Custo da hora-máquina = (custos fixos anuais ÷ horas produtivas por ano) + custos variáveis por hora

O denominador decide o resultado. Use as horas produtivas previstas (horas disponíveis × utilização esperada), não as 8.760 horas do calendário nem as horas da jornada cheia, a menos que a máquina realmente trabalhe todas elas.

Exemplo resolvido: centro de usinagem

Exemplo fictício. Centro de usinagem comprado por R$ 480.000, valor residual de 10% (R$ 48.000) e vida útil de 10 anos. Opera 8 h por dia, 300 dias por ano: 2.400 h disponíveis. Com utilização de 80%, são 1.920 horas produtivas. Premissas: custo do capital de 12% ao ano, manutenção de R$ 24.000 por ano, seguro de 1% do valor, 20 m² a R$ 30 por m² por mês, motor de 30 kW com fator de carga de 70% e tarifa de R$ 0,80 por kWh, operador com salário de R$ 3.520, encargos de 80% e 176 h por mês.

ItemCálculoR$ por anoR$ por hora (÷ 1.920)
Depreciação(480.000 − 48.000) ÷ 1043.20022,50
Custo do capital(480.000 + 48.000) ÷ 2 × 12%31.68016,50
Manutençãomédia histórica24.00012,50
Seguro1% × 480.0004.8002,50
Espaço20 m² × 30 × 127.2003,75
Custos fixossoma110.88057,75

Custos variáveis por hora: energia = 30 kW × 70% × R$ 0,80 = R$ 16,80; operador = 3.520 × 1,80 ÷ 176 = R$ 36,00.

ComposiçãoR$ por hora
Custos fixos (110.880 ÷ 1.920)57,75
Energia16,80
Hora-máquina sem operador74,55
Operador36,00
Hora-máquina com operador110,55

Com tempo de ciclo de 3 minutos, a máquina produz 20 peças por hora. O custo de máquina por peça é 74,55 ÷ 20 = R$ 3,73, ou R$ 5,53 com o operador (110,55 ÷ 20).

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Como a utilização mexe na taxa

Como a maior parte do custo é fixa, a taxa sobe quando a máquina fica parada. Mesma máquina, mesmos custos:

Horas produtivas por anoUtilizaçãoFixo por horaHora-máquina com operador (R$)
1.20050%92,40145,20
1.92080%57,75110,55
2.400100%46,2099,00

Passar de 50% para 80% de utilização reduz a taxa em R$ 34,65 por hora (de 145,20 para 110,55). Esse é o elo com o OEE e a capacidade produtiva: cada ponto de utilização recuperado dilui o custo fixo. Se o operador atende a máquina só parte do tempo, rateie o salário na mesma proporção.

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Onde usar a taxa

Para decidir sobre aceitar um pedido pontual com a máquina ociosa, o relevante é o custo variável e a margem de contribuição, não a taxa cheia.

Erros comuns

Perguntas frequentes

Como calcular o custo da hora-máquina?

Some os custos fixos anuais (depreciação, capital, manutenção, seguro, espaço), divida pelas horas produtivas do ano e some os custos variáveis por hora, como energia e, se for o caso, operador.

Quanto deu a hora-máquina no exemplo?

R$ 74,55 sem operador e R$ 110,55 com operador, com 1.920 horas produtivas por ano.

Devo incluir o operador na hora-máquina?

Depende do critério. Se a mão de obra direta é apropriada à parte, use a taxa sem operador. Em máquinas com operador dedicado, a taxa com operador facilita o orçamento.

Qual a diferença entre horas disponíveis e produtivas?

Disponíveis são as horas em que a máquina poderia operar; produtivas são as que se espera usar de fato, após paradas, setups e falta de demanda.

O custo da hora-máquina muda com a utilização?

Sim. No exemplo, ele vai de R$ 145,20 com 50% de utilização para R$ 99,00 com 100%, porque o custo fixo se dilui em mais horas.

Como transformar a taxa em custo por peça?

Multiplique a taxa pelo tempo de ciclo em horas. Com R$ 74,55 por hora e ciclo de 3 minutos (0,05 h), o custo de máquina é R$ 3,73 por peça.

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Fontes

  1. HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; RAJAN, M. V. Cost Accounting: A Managerial Emphasis. Pearson.
  2. MARTINS, E. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas.
  3. GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Managerial Accounting. McGraw-Hill.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.