
O que é make or buy
Make or buy (fabricar ou comprar) é a decisão de produzir um item internamente ou adquiri-lo de um fornecedor. A escolha certa compara o custo relevante de cada alternativa no volume esperado, não o custo médio cheio do produto, e depois confere os fatores que o número não mostra: qualidade, prazo, risco e estratégia.
O cálculo parte do custo de produção, mas separa o que muda com a decisão do que continua existindo de qualquer forma. Essa separação é onde a maioria das análises erra.
Mapa visual do make or buy
O mapa mostra as duas retas de custo, o ponto de indiferença e o exemplo de 6.000 peças por mês.

Fórmula do ponto de indiferença
Fabricar tem custo fixo evitável (F) mais custo variável por peça (v). Comprar tem apenas o preço por peça (p). Os dois custos se igualam no volume Q*:
F + v × Q* = p × Q* ⇒ Q* = F ÷ (p − v)
Abaixo de Q*, comprar custa menos. Acima, fabricar custa menos. É a mesma lógica do ponto de equilíbrio, aplicada a duas alternativas em vez de receita contra custo.
Exemplo resolvido: suporte usinado
Exemplo fictício. Uma fábrica compra um suporte usinado a R$ 15,50 por peça. Para fabricá-lo, precisaria de um dispositivo e de um programador dedicado que somam R$ 24.000 por mês de custo fixo evitável, mais R$ 11,50 de custo variável por peça (material, mão de obra direta, energia e ferramental consumido).
Q* = 24.000 ÷ (15,50 − 11,50) = 24.000 ÷ 4,00 = 6.000 peças por mês
| Volume (peças/mês) | Fabricar (R$) | Comprar (R$) | Economia ao fabricar (R$) | Decisão |
|---|---|---|---|---|
| 2.000 | 47.000 | 31.000 | −16.000 | Comprar |
| 4.000 | 70.000 | 62.000 | −8.000 | Comprar |
| 6.000 | 93.000 | 93.000 | 0 | Indiferente |
| 8.000 | 116.000 | 124.000 | +8.000 | Fabricar |
| 10.000 | 139.000 | 155.000 | +16.000 | Fabricar |
Conferência em 8.000 peças: fabricar custa 24.000 + 11,50 × 8.000 = R$ 116.000; comprar custa 15,50 × 8.000 = R$ 124.000. A diferença de R$ 8.000 por mês pesa R$ 1,00 por peça (custo unitário de R$ 14,50 contra R$ 15,50).
Com demanda de 4.000 peças, o cenário inverte: fabricar sai por R$ 70.000 e comprar por R$ 62.000. Fabricar só vale se a demanda estável ficar acima de 6.000.
Quais custos entram na conta
- Entram: custos que desaparecem se você comprar, como material, mão de obra direta, energia, ferramental e supervisão dedicada.
- Não entram: custos que continuam mesmo comprando, como aluguel do prédio, depreciação de máquina já paga e rateios administrativos.
- Custo de oportunidade: se a capacidade liberada tem outro uso, inclua o ganho perdido. Com capacidade ociosa e sem uso alternativo, só o custo variável conta, e fabricar quase sempre vence.
- Custos de comprar: frete, estoque de segurança, inspeção de recebimento e gestão do fornecedor também entram no preço efetivo de compra.
Se o investimento é novo (máquina ou dispositivo), traga o fixo para o mês com VPL, TIR e payback em vez de ratear sem critério.
Fatores que o número não mostra
| Fator | Favorece fabricar quando | Favorece comprar quando |
|---|---|---|
| Qualidade e segredo | Processo é diferencial ou exige confidencialidade | Fornecedor especializado tem capabilidade melhor |
| Prazo | Você precisa de resposta rápida e flexível | Fornecedor entrega com confiabilidade e baixo lead time |
| Capacidade | Há ociosidade na sua fábrica | Sua capacidade está no limite ou no gargalo |
| Risco | Fornecedor único e instável | Há mais de um fornecedor qualificado |
| Estratégia | O item é competência central | O item é commodity fora do seu negócio |
Antes de terceirizar, confira o custo da qualidade do fornecedor e o lead time real de entrega. Se sua fábrica está no limite, vale ver também o cálculo de capacidade produtiva: às vezes a resposta é comprar apenas o excedente.
Passo a passo da decisão
- Defina o volume anual esperado e a incerteza (mínimo, provável, máximo).
- Levante o preço efetivo de compra, com frete, embalagem e inspeção.
- Liste os custos fixos e variáveis que mudam com a decisão.
- Calcule Q* e compare com o volume esperado.
- Teste cenários: demanda 20% menor, preço do fornecedor reajustado, câmbio.
- Avalie os fatores qualitativos e decida, registrando as premissas.
Uma alternativa intermediária é fabricar até a capacidade e comprar o excedente, ou manter dois fornecedores de compra para reduzir risco.
Erros comuns
- Comparar o custo cheio com rateio (inclui custos que não somem ao comprar) contra o preço do fornecedor.
- Ignorar o custo de oportunidade da capacidade e do capital.
- Decidir com o volume de hoje, sem testar a variação de demanda.
- Esquecer custos ocultos de comprar: logística, retrabalho, atrasos e gestão do contrato.
- Terceirizar uma competência central e perder a capacidade de recuperá-la.
- Tratar a decisão como definitiva, sem revisar quando preço ou volume mudam.
Perguntas frequentes
O que é make or buy?
É a decisão de fabricar um item internamente ou comprá-lo de um fornecedor, comparando os custos relevantes e os riscos de cada opção.
Qual a fórmula do ponto de indiferença?
Q* = F ÷ (p − v), em que F é o custo fixo evitável de fabricar, p o preço de compra e v o custo variável de fabricar.
Quanto dá Q* no exemplo?
24.000 ÷ (15,50 − 11,50) = 6.000 peças por mês. Acima disso, fabricar é mais barato.
Devo incluir custos indiretos rateados?
Só os que desaparecem se você comprar. Custos que continuam existindo em qualquer cenário não fazem parte da decisão.
Make or buy é a mesma coisa que terceirização?
A terceirização é uma das saídas da decisão. O make or buy é a análise que diz se compensa terceirizar ou internalizar.
Com capacidade ociosa, vale fabricar?
Em geral sim, se a capacidade não tem uso alternativo: só o custo variável pesa. Se tiver, inclua o ganho que seria perdido.
Fontes
- SLACK, N.; BRANDON-JONES, A.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. São Paulo: Atlas.
- HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; RAJAN, M. Contabilidade de Custos. São Paulo: Pearson.
- MARTINS, E. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
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