
O que é a folha de combinação de trabalho
A folha de combinação de trabalho (standard work combination sheet, no Toyota Production System) é o documento que coloca, numa mesma linha do tempo, o tempo manual do operador, o tempo automático da máquina e o tempo de caminhada, e compara o total com o takt time. Ela mostra onde o operador espera a máquina, onde a máquina espera o operador e se o ciclo cabe no ritmo da demanda.
É um dos três documentos do trabalho padronizado, junto com o gráfico de trabalho padrão (layout e trajeto) e a tabela de capacidade de processo. Aqui o foco é só a folha de combinação; o conceito geral e a instrução de trabalho estão no artigo sobre trabalho padronizado.
Mapa visual da folha de combinação
O mapa resume a legenda de linhas, o exemplo do torno com takt de 60 s e a leitura da linha do tempo.

O que entra na folha
- Elementos de trabalho na ordem em que o operador executa, cada um com um verbo e um objeto (por exemplo, "descarregar e carregar peça").
- Tempo manual: o que o operador faz com as mãos, em segundos. Linha contínua no gráfico.
- Tempo automático: o que a máquina faz sozinha depois que o operador aciona o ciclo. Linha tracejada.
- Tempo de caminhada: deslocamentos entre posto, máquina e bancada. Linha ondulada.
- Takt time: linha vertical na escala do tempo. Veja como obtê-lo em takt time: como calcular.
- Tempos de início e fim de cada elemento, que formam a escala horizontal.
Os tempos manuais vêm de medições feitas no posto (a técnica está em cronoanálise e tempo padrão) ou de tempos predeterminados, como no artigo sobre MTM. Use o menor tempo repetível, não a média de um dia bom.
Exemplo: operador e torno CNC com takt de 60 s
Exemplo fictício. Um turno de 8 h tem 30 min de intervalo, ou 27.000 s disponíveis. Com demanda de 450 peças por dia:
takt = 27.000 s ÷ 450 peças = 60 s por peça
Um operador atende um torno. O ciclo automático do torno é de 45 s. Os elementos, na ordem:
| # | Elemento | Manual (s) | Máquina (s) | Caminhada (s) | Início–fim (s) |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Descarregar peça pronta e carregar peça nova | 8 | 0–8 | ||
| 2 | Acionar o ciclo | 2 | 8–10 | ||
| 3 | Andar até a bancada | 3 | 10–13 | ||
| 4 | Rebarbar a peça anterior | 14 | 13–27 | ||
| 5 | Inspecionar com calibre | 9 | 27–36 | ||
| 6 | Embalar na caixa | 4 | 36–40 | ||
| 7 | Voltar ao torno | 3 | 40–43 | ||
| 8 | Torno em ciclo automático | 45 | 10–55 | ||
| 9 | Espera do operador | 43–55 |
Contas conferidas: tempo manual = 8 + 2 + 14 + 9 + 4 = 37 s; caminhada = 3 + 3 = 6 s; trabalho do operador = 37 + 6 = 43 s. A máquina só começa depois de 10 s de preparo manual, então termina em 10 + 45 = 55 s.
tempo de ciclo = 10 s (preparo) + 45 s (máquina) = 55 s
O ciclo de 55 s cabe no takt de 60 s, com folga de 5 s (8,3%). O operador trabalha 43 s e espera 12 s (55 − 43). Ocupação sobre o ciclo: 43 ÷ 55 = 78,2%. Ocupação sobre o takt: 43 ÷ 60 = 71,7%.
Como montar a folha, passo a passo
- Defina o produto, o posto e o takt time. Sem takt não há linha de referência.
- Observe o operador no gemba e liste os elementos na sequência real, separando o que é manual, automático e caminhada.
- Meça cada elemento várias vezes e registre o menor tempo repetível.
- Desenhe a escala horizontal em segundos e a linha vertical do takt.
- Marque cada elemento: linha contínua para manual, tracejada para a máquina, ondulada para a caminhada. O início do ciclo automático é sempre o fim do acionamento manual.
- Some os tempos, compare com o takt e escreva o resultado no rodapé.
- Teste a folha com o operador e ajuste. Se o método mudar, refaça a folha e atualize a instrução.
Como ler o resultado
- Ciclo maior que o takt: o posto não entrega a demanda. Se o ciclo é limitado pela máquina, reduza o tempo automático ou duplique o recurso. Se é limitado pelo operador, mova elementos para outro posto (veja balanceamento de linha e yamazumi).
- Espera do operador: no exemplo, 12 s. Há folga para absorver outra tarefa, como abastecer a caixa, mas só adicione depois de refazer a folha.
- Caminhada: 6 s de 43 é 14% do trabalho do operador. Aproxime a bancada da máquina e mapeie o trajeto com o diagrama de espaguete.
- Tempo manual dentro do ciclo da máquina: converta o que for possível de trabalho interno para trabalho externo, a mesma lógica do SMED.
Cenário de teste: se a demanda subisse e o takt caísse para 50 s, o ciclo de 55 s deixaria de caber (5 s acima). As saídas seriam reduzir o ciclo automático para 40 s ou usar um segundo torno, o que muda o dimensionamento descrito em dimensionamento de mão de obra pela fórmula do takt.
Quando usar a folha de combinação
- Postos com operador e máquina automática, como usinagem, injeção e prensas.
- Células em U e fluxo de uma peça, onde o operador anda entre vários recursos (célula em U).
- Ao mudar o takt, o método ou o equipamento.
- Em treinamento, para mostrar ao novo operador a sequência e o ritmo esperados.
Erros comuns
- Somar tudo e ignorar a sobreposição: o tempo da máquina corre junto com o trabalho do operador, não depois dele.
- Usar tempo médio ou tempo com folga embutida. A folha deve mostrar o tempo real repetível; a margem fica visível na comparação com o takt.
- Esquecer a caminhada e a espera, que escondem o desperdício de movimento.
- Medir o melhor operador do dia e tratar como padrão sem validar com a equipe.
- Arquivar a folha sem uso. Se o método muda e o documento não, ele perde valor.
- Confundir tempo de ciclo do posto com tempo de ciclo da máquina: o ciclo do posto inclui o preparo manual.
Perguntas frequentes
Para que serve a folha de combinação de trabalho?
Para comparar, na mesma escala de tempo, o trabalho manual, o tempo da máquina e a caminhada com o takt time, e achar esperas e gargalos no posto.
Qual a diferença para o yamazumi?
O yamazumi empilha a carga de cada operador numa linha. A folha de combinação detalha um único posto no tempo, com a sobreposição entre operador e máquina.
Como se calcula o tempo de ciclo do posto?
É o tempo manual antes do início da máquina mais o tempo automático, se a máquina for o caminho crítico. No exemplo: 10 + 45 = 55 s.
Quem deve montar a folha?
O supervisor ou engenheiro de processos, junto com o operador do posto, observando o trabalho real no gemba.
Com que frequência revisar?
Sempre que mudar o takt, o método, o equipamento ou o produto, e em revisões periódicas definidas pela fábrica.
A folha serve para linhas manuais?
Sim. Sem máquina automática, ela mostra manual e caminhada contra o takt, e funciona como base para o balanceamento.
Fontes
- OHNO, T. Toyota Production System: Beyond Large-Scale Production. Productivity Press, 1988.
- MONDEN, Y. Toyota Production System: An Integrated Approach to Just-In-Time. CRC Press.
- HIRANO, H. JIT Implementation Manual. Productivity Press.
- LIKER, J. K. The Toyota Way. McGraw-Hill, 2004.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- Lean Enterprise Institute: What is Lean? (em inglês)
- Toyota Motor Corporation: Toyota Production System (em inglês)
- Wikipédia: Takt Time
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