
O que são MTM e tempos predeterminados
Os tempos predeterminados são sistemas que estimam o tempo de uma tarefa manual somando valores tabelados para cada movimento básico, sem cronometrar. O MTM (Methods-Time Measurement) é o mais difundido: você decompõe o trabalho em alcançar, pegar, mover, posicionar e soltar, e soma os tempos em TMU (time measurement units).
O MTM foi desenvolvido por Maynard, Stegemerten e Schwab e publicado em 1948. Os valores das tabelas já correspondem a um operador qualificado em ritmo normal, por isso não é preciso avaliar o ritmo, como se faz na cronoanálise.
Mapa visual do MTM
O mapa mostra a unidade TMU, os movimentos básicos e o exemplo de montagem de 381 TMU.

A unidade TMU e os movimentos básicos
O TMU é uma fração de hora, escolhida para evitar casas decimais nas tabelas:
1 TMU = 0,00001 h = 0,036 s | 1 s = 27,8 TMU | 100.000 TMU = 1 h
No MTM-1, os movimentos básicos são:
- Alcançar (R): mover a mão até um ponto. O tempo depende da distância e do tipo de alcance.
- Pegar (G): segurar o objeto. Depende do tamanho, da forma e de haver outros objetos junto.
- Mover (M): levar o objeto a outro lugar, conforme distância e peso.
- Posicionar (P): encaixar o objeto, conforme folga, simetria e facilidade de manuseio.
- Soltar (RL): abrir a mão e liberar o objeto.
- Girar (T), aplicar pressão (AP) e desengatar (D): movimentos com resistência ou torque.
- Movimentos dos olhos, do corpo e das pernas: foco visual, curvar, andar, sentar.
Cada combinação de classe e distância tem um valor na tabela oficial. Os valores do exemplo abaixo são ilustrativos; para um estudo real, use as tabelas licenciadas da associação MTM do seu país.
Exemplo: montar uma carcaça com 4 parafusos e etiqueta
Exemplo fictício, com valores ilustrativos em TMU, para um posto de montagem manual:
| Elemento | Repetições | TMU por vez | TMU total |
|---|---|---|---|
| Alcançar e pegar a carcaça | 1 | 16 | 16 |
| Mover e posicionar no gabarito | 1 | 30 | 30 |
| Pegar e posicionar o parafuso | 4 | 38 | 152 |
| Pegar a parafusadeira | 1 | 14 | 14 |
| Apertar o parafuso | 4 | 22 | 88 |
| Devolver a parafusadeira | 1 | 10 | 10 |
| Pegar e aplicar a etiqueta | 1 | 45 | 45 |
| Mover o conjunto à caixa e soltar | 1 | 26 | 26 |
| Total | 381 |
Soma conferida: 16 + 30 + 152 + 14 + 88 + 10 + 45 + 26 = 381 TMU. Conversão:
381 TMU × 0,036 s = 13,7 s (tempo normal)
O MTM não inclui paradas pessoais, fadiga nem atrasos inevitáveis. Com tolerância de 15% (valor do exemplo; cada empresa define a sua):
tempo padrão = 13,716 s × 1,15 = 15,8 s
Em 27.000 s disponíveis por turno (7,5 h), o posto faz 27.000 ÷ 15,77 = 1.711 peças. Com demanda de 1.500 peças por dia, o takt time é 27.000 ÷ 1.500 = 18 s. O tempo padrão de 15,8 s cabe, com ocupação de 15,77 ÷ 18 = 87,6%.
Variantes do MTM
- MTM-1: o sistema básico, com o maior detalhe. Serve para ciclos curtos e repetitivos e para criar dados de outros níveis.
- MTM-2: agrupa movimentos em blocos maiores, com análise mais rápida e precisão menor.
- MTM-UAS: sistema universal de análise para séries médias e grandes, comum no setor automotivo europeu.
- MTM-MEK: voltado a produção unitária e séries pequenas.
Quanto mais agrupado o nível, mais rápida a análise e menor o detalhe. Escolha o nível pelo tamanho da série e pela duração do ciclo.
MTM ou cronometragem?
| Critério | MTM | Cronometragem |
|---|---|---|
| Exige o processo em operação | Não, serve para posto ainda em projeto | Sim |
| Avaliação de ritmo | Não, o tempo já é normal | Sim, subjetiva |
| Esforço de análise | Alto: exige formação em MTM | Médio |
| Compara métodos antes de implantar | Sim | Não |
| Considera máquina e processo | Não, só trabalho manual | Sim, o tempo total do ciclo |
Os dois se complementam: o MTM define o tempo manual de um método novo; a cronoanálise valida o tempo no chão de fábrica.
Como aplicar, passo a passo
- Defina o método: sequência, posição de peças e ferramentas, mão esquerda e direita.
- Decomponha em movimentos básicos, mão por mão.
- Escolha na tabela a classe, a distância e o peso de cada movimento.
- Some os TMU, eliminando os movimentos que ocorrem em simultâneo com outra mão (o mais longo prevalece).
- Converta para segundos e some a tolerância.
- Compare com o takt, ajuste o layout e o método, e refaça a conta. Use o resultado na folha de combinação de trabalho e no balanceamento de linha.
Como o MTM enxerga cada movimento, ele aponta ganhos ergonômicos: alcances longos, giros do tronco e posicionamentos difíceis. Veja a análise de postura em RULA e REBA e o panorama em ergonomia na produção.
Erros comuns e limitações
- Usar valores de memória ou de tabelas não licenciadas e tratá-los como oficiais.
- Esquecer a tolerância: o tempo MTM é tempo normal, não tempo padrão.
- Somar movimentos das duas mãos, quando parte deles é simultânea.
- Analisar um método que não é o praticado e esperar que o operador atinja o resultado sem treino. Veja trabalho padronizado.
- Aplicar MTM a trabalho de máquina, mental ou de decisão; o sistema cobre movimentos manuais.
- Ignorar a variação de peças e a qualidade do material, que aumentam o tempo real.
Perguntas frequentes
O que significa MTM?
Methods-Time Measurement, um sistema de tempos predeterminados que estima o tempo manual a partir de movimentos básicos.
Quanto vale 1 TMU?
0,00001 hora, ou 0,036 segundo. Portanto, 1 segundo equivale a 27,8 TMU.
Preciso cronometrar para usar MTM?
Não. O tempo vem das tabelas, o que permite estimar o tempo de um posto antes de ele existir.
MTM já inclui tolerâncias?
Não. Os valores correspondem ao ritmo normal; é preciso acrescentar tolerâncias para necessidades pessoais, fadiga e atrasos.
Qual a diferença entre MTM-1 e MTM-2?
O MTM-1 analisa movimentos básicos individuais e é mais detalhado. O MTM-2 agrupa movimentos e é mais rápido, com menos precisão.
Quem pode usar as tabelas oficiais?
Profissionais com formação e licença da associação MTM do país. O artigo usa valores ilustrativos apenas para ensinar o cálculo.
Fontes
- MAYNARD, H. B.; STEGEMERTEN, G. J.; SCHWAB, J. L. Methods-Time Measurement. McGraw-Hill, 1948.
- NIEBEL, B. W.; FREIVALDS, A. Methods, Standards, and Work Design. McGraw-Hill.
- BARNES, R. M. Motion and Time Study: Design and Measurement of Work. Wiley.
- ZANDIN, K. B. MOST Work Measurement Systems. CRC Press.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ABEPRO: Associação Brasileira de Engenharia de Produção
- Ministério do Trabalho e Emprego: Normas Regulamentadoras (NRs)
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