
O que são a taxa de frequência e a taxa de gravidade
A taxa de frequência de acidentes mostra quantos acidentes com afastamento ocorrem para cada milhão de horas trabalhadas. A taxa de gravidade mostra quantos dias de trabalho se perdem, também por milhão de horas. A primeira diz com que frequência as pessoas se machucam; a segunda, o quanto machucam.
No Brasil, o cálculo segue a ABNT NBR 14280, que usa a base de 1.000.000 de horas-homem de exposição ao risco. Fora do país há outras bases (200.000 horas nos EUA, 1.000 pessoas na Alemanha), o que torna fundamental saber a base antes de comparar números. Os dois índices alimentam a análise de desempenho exigida pela ISO 45001 (monitoramento e medição, cláusula 9.1).
Mapa visual das taxas de frequência e gravidade
O mapa traz as duas fórmulas, o exemplo de 250 empregados, a conversão para a base americana e a leitura dos resultados.

Taxa de frequência: fórmula e exemplo
Taxa de frequência (TF) = nº de acidentes com afastamento × 1.000.000 ÷ horas-homem trabalhadas
As horas-homem de exposição somam as horas efetivamente trabalhadas por todos os empregados no período, inclusive horas extras, sem férias, faltas e afastamentos. Defina antes se terceirizados e acidentes de trajeto entram no cálculo e mantenha a regra.
Exemplo (fictício): uma fábrica com 250 empregados registrou, no ano, 480.000 horas trabalhadas (cerca de 1.920 h por pessoa), 6 acidentes com afastamento e 4 acidentes que exigiram tratamento médico sem afastamento.
TF = 6 × 1.000.000 ÷ 480.000 = 12,5
Ou seja, 12,5 acidentes com afastamento a cada milhão de horas trabalhadas. Os 4 casos sem afastamento não entram na TF de acidentes com afastamento; muitas empresas acompanham uma taxa separada para eles.
Taxa de gravidade: fórmula e exemplo
Taxa de gravidade (TG) = (dias perdidos + dias debitados) × 1.000.000 ÷ horas-homem trabalhadas
Os dias perdidos são os dias de afastamento. Os dias debitados são valores fixos que a norma atribui a casos de morte e de incapacidade permanente, para que um acidente grave pese mais que o número de dias de afastamento (6.000 dias para morte e incapacidade total permanente). Confira a tabela completa na NBR 14280.
| Acidente com afastamento | Dias perdidos |
|---|---|
| 1 | 5 |
| 2 | 8 |
| 3 | 10 |
| 4 | 12 |
| 5 | 21 |
| 6 | 28 |
| Total | 84 |
Sem casos de morte ou incapacidade permanente, não há dias debitados:
TG = 84 × 1.000.000 ÷ 480.000 = 175
Gravidade média por acidente: 84 ÷ 6 = 14 dias. Se houvesse uma morte no ano, os 6.000 dias debitados somariam 6.000 × 1.000.000 ÷ 480.000 = 12.500 à TG, o que mostra como um único caso grave domina o índice.
Conversão para TRIR e LTIR (base OSHA)
Empresas com matriz nos EUA ou clientes globais pedem as taxas na base da OSHA, que usa 200.000 horas (equivale a 100 empregados × 40 h × 50 semanas):
TRIR = casos registráveis × 200.000 ÷ horas trabalhadas
LTIR = casos com dias de afastamento × 200.000 ÷ horas trabalhadas
| Indicador | Cálculo | Resultado |
|---|---|---|
| TRIR (6 com afastamento + 4 com tratamento médico) | 10 × 200.000 ÷ 480.000 | 4,17 |
| LTIR (só com afastamento) | 6 × 200.000 ÷ 480.000 | 2,50 |
| Conversão | TF ÷ 5 = 12,5 ÷ 5 | 2,50 |
A conversão é simples (200.000 é um quinto de 1.000.000), mas os critérios de registro diferem: a OSHA define o que é caso registrável (tratamento médico além de primeiros socorros, trabalho restrito, afastamento), e a NBR 14280 tem sua própria classificação. Para comparar, alinhe as definições antes de alinhar a base.
Como ler os resultados
Compare o ano seguinte, ainda no exemplo: 500.000 horas, 4 acidentes com afastamento e 40 dias perdidos.
| Indicador | Ano 1 | Ano 2 | Variação |
|---|---|---|---|
| Horas trabalhadas | 480.000 | 500.000 | +4,2% |
| Acidentes com afastamento | 6 | 4 | −2 |
| TF | 12,5 | 8,0 | −36% |
| Dias perdidos | 84 | 40 | −44 |
| TG | 175 | 80 | −54,3% |
| Dias por acidente | 14 | 10 | −4 |
- TF e TG juntas. Uma TF que cai com TG que sobe indica menos acidentes, porém mais graves: o risco real não diminuiu.
- Poucos casos, muita variação. Com 4 ou 6 acidentes por ano, um caso a mais muda a taxa em dezenas de por cento. Olhe a tendência de 12 meses, não só o mês.
- Indicador reativo. As taxas contam o que já aconteceu. Complemente com indicadores preventivos: quase-acidentes, desvios corrigidos, inspeções e treinamento.
- Analise a causa. Use o diagrama de Pareto por tipo, setor e parte do corpo e os 5 Porquês em cada acidente, com ação registrada como ação corretiva.
- Prevenção. Antecipe riscos com a matriz de risco e APR, proteja máquinas conforme NR-12, aplique LOTO em manutenção e reduza esforço com ergonomia.
- Gestão à vista. A segurança é o "S" do quadro SQDCM; coloque os dias sem acidente e a TF no quadro de gestão visual.
Erros comuns
- Usar o número de empregados no lugar das horas. A base é hora trabalhada; o headcount distorce com turnos, horas extras e afastamentos.
- Comparar taxas de bases diferentes (1.000.000, 200.000 ou 1.000 pessoas) como se fossem iguais.
- Subnotificar para "melhorar" o indicador. Esconder acidentes elimina a chance de aprender e gera risco legal.
- Esquecer terceiros, temporários e horas extras no denominador ou no numerador, sem regra única.
- Contar dias de forma diferente de um ano para outro (dias corridos, úteis, incluindo o dia do acidente ou não).
- Tratar TF baixa como segurança garantida. Poucos acidentes podem significar sorte; o risco só cai com controles.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula da taxa de frequência de acidentes?
TF = nº de acidentes com afastamento × 1.000.000 ÷ horas-homem trabalhadas, conforme a NBR 14280. No exemplo: 6 × 1.000.000 ÷ 480.000 = 12,5.
Qual é a fórmula da taxa de gravidade?
TG = (dias perdidos + dias debitados) × 1.000.000 ÷ horas-homem trabalhadas. No exemplo: 84 × 1.000.000 ÷ 480.000 = 175.
O que são dias debitados?
São dias fixos atribuídos a casos de morte e de incapacidade permanente, para que o índice reflita a gravidade além dos dias de afastamento. A NBR 14280 traz os valores.
Qual a diferença entre TRIR e LTIR?
O TRIR considera todos os casos registráveis (inclusive tratamento médico e trabalho restrito); o LTIR considera só os casos com dias de afastamento. Ambos usam a base de 200.000 horas.
Como converter a taxa de frequência para a base da OSHA?
Divida por 5, pois 200.000 é um quinto de 1.000.000. No exemplo, 12,5 ÷ 5 = 2,5. Alinhe antes os critérios de registro dos casos.
O que é uma boa taxa de frequência?
Não há número universal; depende do setor e dos critérios de registro. Compare com o seu histórico e com empresas do mesmo segmento, com a mesma base e as mesmas definições.
Fontes
- ABNT. NBR 14280: Cadastro de acidente do trabalho: procedimento e classificação.
- ABNT. NBR ISO 45001: Sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional: requisitos com orientação para uso.
- OSHA (EUA). 29 CFR Part 1904: Recording and Reporting Occupational Injuries and Illnesses.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ISO: ISO 45001, Occupational health and safety (em inglês)
- Ministério do Trabalho e Emprego: Normas Regulamentadoras (NRs)
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