Quadro de gestão diária com cinco colunas ao lado de uma célula de produção, com a equipe reunida em volta

O que é o quadro SQDCM

O quadro SQDCM é um painel de gestão à vista, atualizado todo dia no próprio posto de trabalho, que acompanha cinco dimensões: Segurança (Safety), Qualidade (Quality), Entrega (Delivery), Custo (Cost) e Moral (Morale). Cada coluna mostra meta, resultado do dia e, quando a meta falha, a ação aberta com responsável e prazo.

A sigla SQDC vem da prática de gestão diária de montadoras e fornecedores; o "M" de moral é a variante mais comum na manufatura enxuta. A ordem importa: segurança vem primeiro e nunca é sacrificada para fechar volume.

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Mapa visual do quadro SQDCM

O mapa resume as cinco colunas, a regra de cores, o exemplo semanal e o roteiro da reunião de 10 minutos.

QUADRO SQDCM
Mapa visual 184: SQDCM: quadro de gestão à vista diária, como montar. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

As cinco colunas e o que medir em cada uma

LetraPergunta do diaIndicadores típicos
S: SegurançaAlguém se machucou ou quase?Dias sem acidente com afastamento, quase-acidentes registrados, condições inseguras abertas
Q: QualidadeFizemos certo da primeira vez?Rendimento de primeira passagem (FPY), refugo, retrabalho, reclamações de cliente
D: EntregaCumprimos o plano do dia?Realizado ÷ planejado, hora a hora; paradas e seus motivos
C: CustoGastamos além do previsto?Horas extras, refugo em peças, consumo de insumo, horas por unidade
M: MoralA equipe está bem e participando?Absenteísmo, sugestões de melhoria por semana, matriz de habilidades, humor da equipe

Escolha de um a três indicadores por coluna. Quadro com doze indicadores por letra vira mural: ninguém lê e ninguém age. Para o dado de qualidade, use o FPY e RTY; para a coluna de entrega, a relação realizado ÷ planejado já resolve.

Regra de cores: quando é verde, amarelo e vermelho

Defina a regra antes de pendurar o quadro, para que ninguém discuta a cor. Uma regra simples e usada em chão de fábrica:

Todo vermelho exige uma ação registrada: o quê, quem e até quando. Vermelho sem ação é só decoração; é o erro mais comum da gestão visual.

Exemplo semanal de uma célula de montagem

Exemplo fictício: célula com 12 operadores, takt de 1 minuto por unidade (480 minutos de linha, 480 unidades por dia, 60 por hora). Resultado da semana:

DiaPlanejadoRealizadoEntrega (%)
Segunda480480100
Terça48045695
Quarta48043290
Quinta480480100
Sexta48046897,5
Semana2.4002.31696,5

Entrega = realizado ÷ planejado = 2.316 ÷ 2.400 = 96,5%

Das 2.316 peças, 2.247 saíram boas na primeira vez: FPY = 2.247 ÷ 2.316 = 97,0%, com 69 peças em retrabalho ou refugo. Com as metas da célula, o quadro da semana fica assim:

ColunaIndicadorMetaRealCor
SDias sem acidente com afastamentocontínuo142Verde
QFPY98%97,0%Amarelo (1,0 ponto abaixo)
DEntrega semanal98%96,5%Vermelho (1,5 ponto abaixo)
CHoras extras na semanaaté 10 h14 hVermelho (40% acima)
MAbsenteísmo (1 falta em 60 pessoas-dia)até 3%1,7%Verde

Dois vermelhos, ligados entre si: na quarta a célula produziu 432 em vez de 480, ou seja, 48 unidades a menos. A 60 peças por hora, isso equivale a 48 minutos de produção perdida, que depois foram recuperados em horas extras. O quadro mostra a relação sem precisar de relatório.

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Da cor vermelha à ação

No exemplo, o líder registra na linha de ação do quadro, no formato do 5W2H:

  1. Problema: quarta, 48 min de parada por falta de componente no posto 4.
  2. Causa provável: reposição do supermercado sem hora definida.
  3. Ação: definir rota e horário de reposição.
  4. Responsável e prazo: logística interna, até sexta.
  5. Verificação: entrega da semana seguinte e paradas por falta de material.

Se a ação não cabe ao líder da célula, ela sobe para a camada seguinte, como explicamos em gestão diária Lean e reuniões em camadas.

A reunião de 10 minutos diante do quadro

O quadro só funciona com uma rotina fixa. Roteiro enxuto, em pé, no início do turno:

  1. Segurança (1 min): acidentes, quase-acidentes e o risco do dia.
  2. Qualidade (2 min): defeitos de ontem e onde foram achados.
  3. Entrega (2 min): resultado de ontem e plano de hoje, com paradas previstas.
  4. Custo (1 min): horas extras e refugo.
  5. Moral (1 min): ausências, sugestões, reconhecimentos.
  6. Ações (3 min): abrir, cobrar e fechar, com responsável e data.

Quem conduz é o líder da célula; os operadores atualizam a própria coluna. Complemente com uma caminhada no gemba do supervisor, que confere se o que está no quadro é o que acontece no posto.

Como montar o quadro em cinco passos

  1. Escolha uma célula piloto com líder disposto e dados já existentes.
  2. Defina 1 a 3 indicadores por letra e uma meta para cada, com o time.
  3. Padronize a atualização: quem anota, a que hora, com que caneta e em que formato (gráfico de barras diário ou tabela hora a hora).
  4. Posicione no fluxo de trabalho, onde a equipe passa e consegue ficar de pé em volta, não na sala do gerente.
  5. Revise em 30 dias: corte o que ninguém usa, acrescente o que gerou ação. Depois replique para outras células.

Se a fábrica já usa uma sala de gestão, o SQDCM da célula alimenta a Obeya com os mesmos indicadores, apenas consolidados.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que significa SQDCM?

Segurança, Qualidade, Entrega, Custo e Moral (Safety, Quality, Delivery, Cost, Morale): as cinco dimensões acompanhadas no quadro diário.

Qual a diferença entre SQDC e SQDCM?

O M acrescenta a moral da equipe (absenteísmo, sugestões, clima). O restante é igual; várias empresas usam a versão com M.

Quanto tempo dura a reunião no quadro?

Entre 10 e 15 minutos, em pé, no início do turno, sempre no mesmo horário.

Quem deve atualizar o quadro?

A própria equipe da célula, cada um na sua coluna. O líder conduz a reunião, mas não preenche tudo sozinho.

Quantos indicadores colocar por coluna?

De um a três. O quadro deve ser lido em segundos; o detalhe fica em análises à parte.

O SQDCM substitui a Obeya?

Não. Ele é o quadro da célula; a Obeya consolida indicadores de várias áreas para a gestão.

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Fontes

  1. MANN, David. Creating a Lean Culture: Tools to Sustain Lean Conversions. 3. ed. Boca Raton: CRC Press, 2014.
  2. LIKER, Jeffrey K. O Modelo Toyota: 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo. Porto Alegre: Bookman, 2005.
  3. GREIF, Michel. The Visual Factory: Building Participation Through Shared Information. Portland: Productivity Press, 1991.
  4. GALSWORTH, Gwendolyn D. Visual Workplace, Visual Thinking. Portland: Visual-Lean Enterprise Press, 1997.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.