
O que são razão crítica e folga mínima
A razão crítica (CR, de critical ratio) é uma regra de prioridade que divide o tempo que falta até o prazo pelo trabalho que falta fazer. A folga mínima (MST, minimum slack time) subtrai os dois em vez de dividir. Em ambas, quem tem o menor valor é processado primeiro: é a ordem mais perto de atrasar.
Diferente do FIFO, SPT e EDD, que usam só a chegada, o tempo ou o prazo, essas regras olham prazo e trabalho restante juntos e se atualizam a cada decisão.
Mapa visual: tempo restante contra trabalho restante
O mapa traz as três fórmulas, as cinco ordens do exemplo e a sequência que cada regra produz.

As fórmulas
CR = (prazo − hoje) ÷ tempo de processamento restante
Folga = (prazo − hoje) − tempo de processamento restante
S/RO = folga ÷ número de operações restantes
- CR < 1: a ordem já está atrasada em relação ao prazo.
- CR = 1: está no limite; qualquer espera atrasa.
- CR > 1: há folga; quanto maior, mais sobra.
A folga está em unidades de tempo (dias, horas) e a CR é adimensional. A S/RO (folga por operação restante) distribui a folga pelas etapas que ainda faltam: uma ordem com 2 dias de folga e 1 operação restante é menos urgente que outra com os mesmos 2 dias e 4 operações, porque a segunda ainda vai enfrentar 4 filas.
Exemplo: cinco ordens no dia 10
Exemplo fictício. Hoje é o dia 10 (dias úteis corridos) e cinco ordens aguardam no mesmo centro de trabalho:
| Ordem | Prazo (dia) | Trabalho restante (dias) | Operações restantes |
|---|---|---|---|
| A | 18 | 6 | 1 |
| B | 15 | 5 | 2 |
| C | 20 | 8 | 4 |
| D | 13 | 4 | 1 |
| E | 25 | 10 | 5 |
| Ordem | Tempo até o prazo | CR | Folga | S/RO |
|---|---|---|---|---|
| A | 18 − 10 = 8 | 8 ÷ 6 = 1,33 | 8 − 6 = 2 | 2 ÷ 1 = 2,0 |
| B | 15 − 10 = 5 | 5 ÷ 5 = 1,00 | 5 − 5 = 0 | 0 ÷ 2 = 0 |
| C | 20 − 10 = 10 | 10 ÷ 8 = 1,25 | 10 − 8 = 2 | 2 ÷ 4 = 0,5 |
| D | 13 − 10 = 3 | 3 ÷ 4 = 0,75 | 3 − 4 = −1 | −1 ÷ 1 = −1,0 |
| E | 25 − 10 = 15 | 15 ÷ 10 = 1,50 | 15 − 10 = 5 | 5 ÷ 5 = 1,0 |
Sequências resultantes:
- Razão crítica: D (0,75), B (1,00), C (1,25), A (1,33), E (1,50).
- Folga mínima: D (−1), B (0), depois A e C empatadas em 2, e E (5).
- S/RO: D (−1,0), B (0), C (0,5), E (1,0), A (2,0).
As três concordam nas duas primeiras posições: D já está atrasada (CR 0,75 e folga negativa) e B está sem nenhuma margem. A divergência aparece depois. A folga empata A e C; a CR desempata a favor de C, que tem mais trabalho a fazer; a S/RO manda A para o fim, porque A tem uma só operação e pode recuperar o prazo mais rápido.
Conferência: para D, o trabalho restante (4 dias) é maior que o tempo disponível (3 dias). Mesmo começando agora, a ordem termina no dia 14, 1 dia depois do prazo. A regra não cria tempo; ela mostra que D precisa de ação (hora extra, divisão do lote, renegociação) antes das demais.
Recalcular a cada decisão
As regras são dinâmicas. Passado 1 dia, o "hoje" muda e os valores mudam. No dia 11, se B ainda não foi processada, seu tempo até o prazo cai para 4 e o trabalho restante continua 5: CR = 4 ÷ 5 = 0,80, folga = −1. Uma ordem que estava na margem passa a atrasada só porque esperou. Por isso a lista deve ser recalculada sempre que o recurso liberar, no sistema ou em planilha, e não impressa uma vez por semana.
O trabalho restante deve incluir tempos de fila e de movimentação quando eles são relevantes, ou o resultado será otimista. É a mesma lógica do lead time: o tempo de processamento é só uma fração do tempo total na fábrica.
Quando usar cada regra
| Regra | Pontos fortes | Cuidado |
|---|---|---|
| Razão crítica | Compara ordens de tamanhos diferentes; sinaliza atraso por valor menor que 1 | Perde sentido se o prazo já passou ou o trabalho restante é zero |
| Folga mínima | Simples; mostra a margem em tempo | Ignora quantas operações faltam; empata com facilidade |
| S/RO | Considera o número de etapas restantes | Exige o roteiro atualizado de cada ordem |
| EDD | Minimiza o maior atraso em uma máquina | Não vê o trabalho restante |
Use CR ou folga em oficinas de produção sob encomenda (job shop), com muitas ordens, roteiros diferentes e prazos próprios. Em linhas repetitivas de fluxo contínuo, o takt time e o sequenciamento fixo servem melhor. Para dois recursos em série, veja a regra de Johnson. Com recurso restritivo, programe antes pelo tambor-pulmão-corda. E quando a carga já excede a capacidade, nenhuma regra de prioridade resolve: veja programação finita e APS.
Erros comuns e limitações
- Calcular uma vez e não atualizar: os valores mudam todo dia.
- Usar o tempo de processamento sem fila e movimentação, e declarar CR de 1,2 uma ordem que na prática está atrasada.
- Interpretar CR sem olhar o sinal da folga: prazo vencido gera CR zero ou negativa e a ordem deve ser tratada como máxima prioridade.
- Ignorar a preparação: ordens com a mesma ferramenta podem ser agrupadas, e a regra pura as separa.
- Priorizar sempre as mais atrasadas e nunca terminar as demais; use a regra junto com um limite de WIP.
- Prazos que são "chute" do comercial: a regra só é tão boa quanto a data.
Perguntas frequentes
O que é razão crítica?
É o tempo restante até o prazo dividido pelo trabalho restante. Abaixo de 1 a ordem está atrasada; acima de 1 há folga.
Qual a diferença entre razão crítica e folga mínima?
A razão crítica divide (tempo até o prazo ÷ trabalho restante) e a folga subtrai (tempo até o prazo − trabalho restante). A CR é adimensional; a folga é em dias ou horas.
O que significa CR igual a 1?
A ordem está exatamente no limite do prazo: o tempo disponível é igual ao trabalho restante, sem margem para espera.
O que é S/RO?
A folga dividida pelo número de operações restantes. Dá prioridade a ordens com pouca folga por etapa que ainda falta percorrer.
Qual regra é melhor, CR ou EDD?
Depende do objetivo. EDD minimiza o maior atraso em uma máquina; CR e folga reagem melhor quando há muitas ordens com trabalho restante diferente.
No exemplo, qual ordem vai primeiro?
A D, em todas as regras: CR de 0,75, folga de −1 dia e S/RO de −1,0. Ela já não consegue cumprir o prazo do dia 13.
Fontes
- BAKER, K. R. Introduction to Sequencing and Scheduling. Wiley.
- VOLLMANN, T. E. et al. Manufacturing Planning and Control for Supply Chain Management. McGraw-Hill.
- CORRÊA, H. L.; GIANESI, I. G. N.; CAON, M. Planejamento, Programação e Controle da Produção. São Paulo: Atlas.
- PINEDO, M. L. Scheduling: Theory, Algorithms, and Systems. Springer.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ASCM: Association for Supply Chain Management (em inglês)
- ABEPRO: Associação Brasileira de Engenharia de Produção
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