Doca de centro de distribuição com paletes passando do caminhão de entrada direto para o caminhão de saída

O que é cross docking

O cross docking é a operação em que a mercadoria entra por uma doca e sai pela doca de expedição em poucas horas, sem passar por armazenagem de longo prazo. O item não é endereçado, não fica em estoque e não é separado de novo no picking: ele só troca de caminhão.

Na prática, veículos de vários fornecedores chegam ao centro de distribuição (CD), a carga é conferida, dividida por destino (loja, cliente ou rota) e embarcada em outros veículos. O armazém funciona como ponto de baldeação, não como depósito.

O ganho vem de eliminar etapas: sem putaway (guardar), sem estoque e sem picking, o tempo de permanência cai de dias para horas e o custo por palete cai junto. Em troca, a operação exige sincronia entre chegada e saída, e qualquer atraso vira fila na doca.

Anúncio · Publicidade

Mapa visual do cross docking

O mapa mostra o fluxo do recebimento à expedição, os tipos de operação e o exemplo calculado deste artigo.

CROSS DOCKING
Mapa visual 178: Cross docking: o que é, tipos, vantagens e exemplo de custo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Tipos de cross docking

TipoComo funcionaO que exige
Pré-alocadoO destino de cada volume já está definido no pedido antes da carga chegarAviso antecipado de embarque (ASN) e etiqueta por destino
Pós-alocadoA divisão por destino é decidida depois da chegadaÁrea de triagem maior e sistema que aloque em tempo real
OportunistaSó o item que chega com pedido aberto vai direto; o resto segue para o estoqueWMS que compare recebimento e demanda na hora
De manufaturaComponentes de vários fornecedores são consolidados e enviados à linha na ordem de usoProgramação de produção estável e entregas sincronizadas

Também se distingue pelo volume manuseado: no cross docking de palete fechado a unidade chega e sai inteira; no de quebra de carga (break-bulk) o palete é aberto e as caixas são recombinadas por destino, o que acrescenta mão de obra e tempo.

Exemplo: 72 paletes por dia para 4 lojas

Exemplo fictício. Um CD recebe, todo dia, 3 caminhões de 24 paletes, um de cada fornecedor, e abastece 4 lojas. Os pedidos já estão definidos (cross docking pré-alocado):

OrigemLoja ALoja BLoja CLoja DTotal
Fornecedor 1866424
Fornecedor 2668424
Fornecedor 3668424
Total por loja2018221272

Para comparar custos, use a fórmula abaixo, com uma movimentação a R$ 6,00 por palete e armazenagem a R$ 4,00 por palete por dia:

Custo por palete = movimentações × custo por movimentação + dias de estoque × custo diário

ModeloMovimentaçõesDias em estoqueCálculoCusto por palete
Tradicional4 (recebimento, guarda, picking, carregamento)54 × 6 + 5 × 4R$ 44,00
Cross docking3 (descarga, triagem, carregamento)03 × 6 + 0 × 4R$ 18,00

Os valores unitários são premissas do exemplo: troque pelos custos reais do seu CD. Não entrou na conta o capital parado em estoque, que favorece ainda mais o cross docking (veja giro de estoque).

Anúncio · Publicidade

Como implantar em 6 passos

  1. Escolha os fluxos candidatos. Itens de alto giro, demanda previsível e destino conhecido na origem. Veja a classificação em curva ABC.
  2. Sincronize as janelas. Agende as chegadas por doca e hora, para que as saídas partam logo depois da última entrada.
  3. Exija o ASN do fornecedor. Sem aviso prévio com quantidades e destinos, não há como pré-alocar.
  4. Padronize identificação e etiquetas. Código de barras ou RFID por volume, com o destino legível.
  5. Dimensione a área de triagem. Ela deve comportar o maior lote de uma janela, e nada além disso; se o item fica mais de um dia, deixou de ser cross docking.
  6. Meça e ajuste. Acompanhe tempo de permanência na doca, pedidos atendidos e avarias. Um WMS facilita a alocação em tempo real.

O abastecimento interno entre áreas segue lógica parecida, como mostra o milk run de logística interna.

Quando usar e quando evitar

Favorece o cross dockingDesfavorece
Demanda estável e previsívelDemanda errática ou de baixo giro
Fornecedores pontuais, com ASN confiávelAtrasos frequentes de entrega
Itens perecíveis ou de alto giroItens que exigem inspeção ou kitting demorados
Muitos fornecedores e muitos destinosUm fornecedor e um destino (basta entrega direta)
Sistema que identifica cada volumeCadastro sujo e etiquetas ilegíveis

Ele também reduz o prazo total do pedido (lead time) e dá menos espaço para a distorção de pedidos descrita no efeito chicote, porque há menos estoque intermediário acumulando incerteza. Para a visão da cadeia inteira, veja supply chain; para o modelo de entrega e responsabilidade em compras internacionais, veja Incoterms.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é cross docking?

É a transferência da carga da doca de recebimento direto para a de expedição, sem armazenagem de longo prazo.

Qual a diferença entre cross docking e armazenagem tradicional?

Na armazenagem tradicional o item é guardado, fica em estoque e depois é separado no picking. No cross docking essas três etapas não existem.

Quanto tempo a carga pode ficar no cross docking?

Em geral de poucas horas a no máximo 24 horas. Acima disso, a operação já se comporta como armazenagem.

Quais as vantagens do cross docking?

Menos estoque, menos movimentações, menor custo por palete, menor prazo de entrega e menos espaço de armazenagem ocupado.

Quais as desvantagens?

Exige sincronia entre fornecedores e transporte, informação antecipada confiável, área de triagem bem dimensionada e não serve para demanda errática.

Cross docking precisa de WMS?

Não é obrigatório em volumes pequenos, mas o WMS ajuda muito a alocar cargas por destino em tempo real, principalmente no modelo pós-alocado e no oportunista.

Anúncio · Publicidade

Fontes

  1. APTE, U. M.; VISWANATHAN, S. Effective cross docking for improving distribution efficiencies. International Journal of Logistics: Research and Applications, v. 3, n. 3, 2000.
  2. BARTHOLDI, J. J.; GUE, K. R. The best shape for a crossdock. Transportation Science, v. 38, n. 2, 2004.
  3. BALLOU, R. H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas.
  4. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Pearson.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

Quer estoque que gira sem faltar?

Baixe o e-book gratuito sobre produção puxada, com kanban, supermercado e nivelamento.

Baixar e-book
Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.