
O que são a carta c e a carta u
A carta c controla o número de defeitos por unidade inspecionada quando o tamanho da unidade é constante; a carta u controla os defeitos por unidade quando o tamanho da amostra muda de uma coleta para outra. Ambas são cartas de controle por atributos para defeitos, isto é, para cada falha encontrada, mesmo que a mesma peça tenha várias.
É diferente da carta p, que conta peças defeituosas (a peça é aprovada ou reprovada). Estas cartas fazem parte do CEP e partem de uma folha de coleta bem definida.
Mapa visual: quando usar c, u, p ou np
O mapa mostra a escolha entre as quatro cartas por atributos e traz as fórmulas e os números do exemplo.

Defeito ou defeituoso: qual carta usar
Uma peça defeituosa é reprovada como um todo. Um defeito é cada falha individual: uma placa com 3 pontos de solda frios tem 3 defeitos, mas é 1 placa defeituosa. A escolha da carta depende do que você conta e de a amostra ser fixa ou variável.
| O que se conta | Tamanho da amostra constante | Tamanho da amostra variável |
|---|---|---|
| Peças defeituosas | Carta np (nº de defeituosas) | Carta p (fração defeituosa) |
| Defeitos | Carta c (nº de defeitos) | Carta u (defeitos por unidade) |
As cartas c e u pressupõem que os defeitos aparecem ao acaso, de forma independente, numa área ou volume de oportunidade fixo, o que corresponde à distribuição de Poisson. Nessa distribuição a variância é igual à média, e é daí que vem a raiz no cálculo dos limites.
Carta c: fórmula e exemplo
c-barra = Σ c ÷ k | LSC = c-barra + 3 × √c-barra | LIC = c-barra − 3 × √c-barra
Exemplo fictício: em uma linha de pintura, inspeciona-se a cada hora 1 painel de mesma área e contam-se os defeitos de acabamento (escorrido, poeira, casca de laranja). Em 20 painéis, os defeitos foram:
| Painéis 1 a 10 | 4, 6, 3, 5, 7, 2, 5, 4, 6, 8 |
|---|---|
| Painéis 11 a 20 | 3, 5, 4, 9, 5, 3, 6, 4, 5, 5 |
- Total: Σ c = 99 defeitos em 20 painéis.
- Média: c-barra = 99 ÷ 20 = 4,95 defeitos por painel.
- Desvio: √4,95 = 2,225; 3 × 2,225 = 6,67.
- Limites: LSC = 4,95 + 6,67 = 11,62; LIC = 4,95 − 6,67 = -1,72, que se adota como 0, pois não existe contagem negativa.
- Leitura: o maior valor é 9 (painel 14), abaixo de 11,62. O processo está estável, com média de cerca de 5 defeitos por painel.
Se o próximo painel trouxer 13 defeitos, o ponto passa de 11,62 e é sinal de causa especial: investigue o lote de tinta, a cabine e a pistola antes de continuar. Como a média é baixa, o LIC fica em zero e a carta não detecta melhorias por pontos abaixo dele; use as demais regras de leitura, como sequência de pontos abaixo da linha central.
Carta u: limites que variam com a amostra
u = c ÷ n | u-barra = Σ c ÷ Σ n | limites = u-barra ± 3 × √(u-barra ÷ n)
Exemplo fictício: na inspeção final de placas eletrônicas, o número de placas verificadas por lote varia entre 40 e 65, e se contam os defeitos de solda. Em 20 lotes foram inspecionadas 1.010 placas, com 588 defeitos.
- Média: u-barra = 588 ÷ 1.010 = 0,582 defeito por placa.
- Valor de um lote: lote 6 (n = 40, 19 defeitos): u = 19 ÷ 40 = 0,475. Lote 8 (n = 65, 41 defeitos): u = 41 ÷ 65 = 0,631.
- Limites do lote 6: 3 × √(0,582 ÷ 40) = 0,362, logo LIC = 0,220 e LSC = 0,944.
- Limites do lote 8: para n = 65, LIC = 0,298 e LSC = 0,866.
| n (placas) | LIC | Linha central | LSC |
|---|---|---|---|
| 40 | 0,220 | 0,582 | 0,944 |
| 45 | 0,241 | 0,582 | 0,923 |
| 50 | 0,258 | 0,582 | 0,906 |
| 55 | 0,274 | 0,582 | 0,891 |
| 60 | 0,287 | 0,582 | 0,878 |
| 65 | 0,298 | 0,582 | 0,866 |
Quanto maior a amostra, mais estreitos os limites. Nos 20 lotes, todos os valores de u ficam entre os limites do respectivo n (o menor é 0,444 e o maior, 0,667), então o processo está estável. Se a variação de n for pequena (por exemplo, dentro de ±25% da média), muitos usam limites fixos com o n médio; com variação maior, calcule ponto a ponto.
Passo a passo
- Defina o que é um defeito e a unidade de inspeção (placa, painel, metro de tecido), com critério escrito e igual para todos os inspetores.
- Decida entre c e u: a unidade é constante ou varia?
- Colete de 20 a 25 amostras e registre o número de defeitos.
- Calcule a média, os limites e marque os pontos.
- Investigue pontos fora dos limites, trate a causa e recalcule os limites sem esses pontos.
- Priorize os tipos de defeito mais frequentes com o diagrama de Pareto e registre-os na folha de verificação.
Para dados medidos, como diâmetro, a carta é a X-barra e R.
Erros comuns
- Usar carta c com tamanho de amostra variável, o que cria alarmes falsos.
- Confundir defeito com peça defeituosa e escolher a carta errada.
- Definir o defeito de forma subjetiva, cada inspetor contando de um jeito.
- Misturar tipos de defeito muito diferentes numa única contagem, o que esconde a causa.
- Usar a carta com médias muito baixas (perto de 1) sem avaliar se a aproximação normal serve.
- Tratar o LIC negativo como valor real, em vez de adotar zero.
Quando um ponto sair do limite, o tratamento segue a ação corretiva (CAPA).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre carta c e carta u?
A carta c usa o número de defeitos com unidade de tamanho constante; a carta u usa defeitos por unidade quando o tamanho da amostra varia.
Qual a diferença entre carta c e carta p?
A carta c conta defeitos (várias falhas por peça) e a carta p conta peças defeituosas (aprovada ou reprovada).
Qual a fórmula dos limites da carta c?
c-barra ± 3 × √c-barra. Se o LIC der negativo, adota-se zero.
Por que os limites da carta u variam?
Porque dependem de n: limites = u-barra ± 3 × √(u-barra ÷ n). Amostras maiores geram limites mais estreitos.
Quando usar carta np?
Quando se conta peças defeituosas e a amostra tem sempre o mesmo tamanho.
Quantas amostras são necessárias?
De 20 a 25 amostras para os limites iniciais.
Fontes
- MONTGOMERY, D. C. Introduction to Statistical Quality Control. Wiley.
- AIAG. Statistical Process Control (SPC) Reference Manual. 2. ed., 2005.
- ISO 7870-2. Control charts: Shewhart control charts.
- SHEWHART, W. A. Economic Control of Quality of Manufactured Product. Van Nostrand, 1931.
- COSTA, A. F. B.; EPPRECHT, E. K.; CARPINETTI, L. C. R. Controle Estatístico de Qualidade. São Paulo: Atlas.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ASQ: Quality Resources (em inglês)
- ISO: ISO 9001 and related standards, Quality management (em inglês)
- Wikipédia: Carta de controlo
- Wikipédia: Controle estatístico de processos
Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.
Encontrou uma causa especial? Resolva na raiz.
Baixe o e-book gratuito "Kit de Resolução de Problemas", com PDCA, A3, 5 Porquês e Ishikawa.
Baixar e-book
