Sala de planejamento de uma fábrica de móveis com quadro de capacidade mensal e pilhas de produtos acabados ao fundo

O que é o planejamento agregado da produção

O planejamento agregado da produção define, para um horizonte de 6 a 18 meses, quanto produzir por período, de quantas pessoas precisar, quanto de estoque manter e quanto de hora extra ou terceirização usar, tudo com os produtos agrupados em famílias. O objetivo é atender a demanda prevista ao menor custo total, sem detalhar ainda cada item.

É o elo entre a previsão de demanda e a programação do dia a dia: o plano agregado fixa os recursos, e o plano mestre de produção o desdobra por produto e semana. Na prática, ele é aprovado no S&OP.

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Mapa visual do planejamento agregado

O mapa compara as três estratégias com o mesmo exemplo de seis meses e mostra o custo total de cada uma.

PLANEJAMENTO AGREGADO
Mapa visual 191: Planejamento agregado da produção: estratégias com exemplo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

As três estratégias clássicas

Com a demanda variando mês a mês, só há quatro alavancas: o tamanho da equipe, as horas extras, o estoque e a terceirização. As estratégias combinam essas alavancas de formas diferentes.

Estoque final(t) = Estoque final(t−1) + Produção(t) − Demanda(t)

Custo total = mão de obra + contratação/demissão + hora extra + estoque + falta

Na estratégia nivelada, a produção por mês é a demanda total dividida pelo número de períodos. Na perseguição, o número de operários é a demanda do mês dividida pela produtividade de cada um.

Exemplo resolvido: seis meses, três estratégias

Exemplo fictício de uma fábrica de móveis, com a demanda agregada em unidades de uma família de produtos:

Nivelada: 6.000 ÷ 6 = 1.000 unidades por mês, o que exige 10 operários (1 contratação). O estoque final acumula 300, 500, 500, 200, 0 e 0: soma de 1.500 unidades-mês.

Perseguição: operários = demanda ÷ 100, ou seja, 7, 8, 10, 13, 12 e 10. Saindo de 9, são 2 demissões no mês 1, contratações de 1, 2 e 3 pessoas nos meses 2, 3 e 4, e demissões de 1 e 2 pessoas nos meses 5 e 6: 6 contratações e 5 demissões.

Mista: equipe fixa de 9 operários (900 unidades regulares por mês) e hora extra nos meses de pico, dentro do limite de 180 por mês (20% de 900). Precisa de 600 unidades extras ao todo, nos meses 3 a 6.

MêsDemandaNivelada: produçãoNivelada: estoque finalPerseguição: operáriosMista: produçãoMista: estoque final
Mês 17001.0003007900200
Mês 28001.0005008900300
Mês 31.0001.000500101.040 (900 + 140)340
Mês 41.3001.000200131.080 (900 + 180)120
Mês 51.2001.0000121.080 (900 + 180)0
Mês 61.0001.0000101.000 (900 + 100)0
Total6.0006.0001.500606.000960

Custos, em R$:

ItemNiveladaPerseguiçãoMista
Mão de obra regular240.000240.000216.000
Hora extra0028.800
Contratação e demissão1.50019.0000
Estoque15.00009.600
Custo total256.500259.000254.400

Como foi calculado: mão de obra regular = operários × meses × R$ 4.000 (nivelada 10 × 6; perseguição 60 operários-mês; mista 9 × 6 = 54 operários-mês, R$ 216.000). Hora extra mista = 600 × R$ 48 = R$ 28.800. Contratação e demissão na perseguição = 6 × 1.500 + 5 × 2.000 = R$ 19.000. Estoque = unidades-mês × R$ 10 (nivelada 1.500; mista 960).

A estratégia mista é a mais barata, com R$ 254.400: 0,8% abaixo da nivelada e 1,8% abaixo da perseguição. A diferença é pequena, e isso é típico: o resultado depende dos custos informados.

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Como montar o plano agregado, passo a passo

  1. Agregue a demanda em uma unidade comum: peças da família, horas-padrão ou toneladas. Use a previsão de demanda consolidada.
  2. Calcule a capacidade regular por período (equipe × produtividade × dias) e o limite de hora extra, como em capacidade produtiva.
  3. Levante os custos: hora regular e extra, contratar, demitir, estoque por unidade-mês, falta ou atraso, terceirização.
  4. Monte os planos em planilha, um por estratégia, calculando a cada mês produção, estoque e equipe.
  5. Some os custos e compare. Para muitos períodos e restrições, use programação linear, que acha a combinação de menor custo.
  6. Verifique a viabilidade: estoque nunca negativo, hora extra dentro do limite, espaço para o estoque e política de pessoal.
  7. Aprove no S&OP e desdobre no plano mestre e no MRP.

Como escolher a estratégia

Teste a sensibilidade: varie o custo de estoque, de hora extra e de contratação em ±30% e veja se o ranking muda. Se mudar, a decisão é frágil e merece uma análise mais cuidadosa. Fatores não financeiros, como rotatividade, qualidade e moral da equipe, também pesam, e o plano precisa caber na estrutura de PCP da fábrica.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é planejamento agregado?

É o planejamento de médio prazo que define produção, equipe, estoque e hora extra por período para famílias de produtos, ao menor custo.

Quais são as estratégias do planejamento agregado?

Perseguição (produção acompanha a demanda), nivelada (produção constante com estoque) e mista (equipe estável com hora extra ou terceirização).

Qual a diferença entre planejamento agregado e plano mestre?

O agregado trabalha com famílias e meses; o plano mestre trabalha com produtos e semanas e é o desdobramento do agregado.

Qual é a melhor estratégia?

Depende dos custos. No exemplo, a mista custou R$ 254.400, contra R$ 256.500 da nivelada e R$ 259.000 da perseguição.

Como o S&OP se relaciona com o plano agregado?

O S&OP é o processo mensal em que vendas, operações e finanças aprovam o plano agregado e resolvem as diferenças entre demanda e capacidade.

Qual horizonte usar?

Em geral de 6 a 18 meses, revisado todo mês, em períodos mensais.

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Fontes

  1. HOLT, C. C.; MODIGLIANI, F.; MUTH, J. F.; SIMON, H. A. Planning Production, Inventories, and Work Force. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1960.
  2. CHASE, R. B.; JACOBS, F. R.; AQUILANO, N. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo: McGraw-Hill.
  3. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas.
  4. TUBINO, D. F. Planejamento e Controle da Produção. São Paulo: Atlas.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.