
O que é o planejamento agregado da produção
O planejamento agregado da produção define, para um horizonte de 6 a 18 meses, quanto produzir por período, de quantas pessoas precisar, quanto de estoque manter e quanto de hora extra ou terceirização usar, tudo com os produtos agrupados em famílias. O objetivo é atender a demanda prevista ao menor custo total, sem detalhar ainda cada item.
É o elo entre a previsão de demanda e a programação do dia a dia: o plano agregado fixa os recursos, e o plano mestre de produção o desdobra por produto e semana. Na prática, ele é aprovado no S&OP.
Mapa visual do planejamento agregado
O mapa compara as três estratégias com o mesmo exemplo de seis meses e mostra o custo total de cada uma.

As três estratégias clássicas
Com a demanda variando mês a mês, só há quatro alavancas: o tamanho da equipe, as horas extras, o estoque e a terceirização. As estratégias combinam essas alavancas de formas diferentes.
- Perseguição (chase): a produção acompanha a demanda mês a mês, contratando e demitindo. Estoque quase zero, mas custo alto de contratação, treinamento e demissão, além de risco de clima e qualidade.
- Nivelada (level): a produção é constante e igual à demanda média. Estoque cresce nos meses fracos e é consumido nos fortes. Equipe estável, porém com custo de estoque e risco de obsolescência.
- Mista: equipe estável no nível de base, com hora extra, banco de horas, turno extra ou terceirização para cobrir os picos. É a que mais se vê na indústria.
Estoque final(t) = Estoque final(t−1) + Produção(t) − Demanda(t)
Custo total = mão de obra + contratação/demissão + hora extra + estoque + falta
Na estratégia nivelada, a produção por mês é a demanda total dividida pelo número de períodos. Na perseguição, o número de operários é a demanda do mês dividida pela produtividade de cada um.
Exemplo resolvido: seis meses, três estratégias
Exemplo fictício de uma fábrica de móveis, com a demanda agregada em unidades de uma família de produtos:
- Demanda dos meses 1 a 6: 700, 800, 1.000, 1.300, 1.200 e 1.000 (total 6.000, média 1.000).
- Produtividade: 100 unidades por operário por mês. Equipe atual: 9 operários.
- Mão de obra: R$ 4.000 por operário por mês (R$ 40 por unidade com o operário ocupado).
- Contratar: R$ 1.500 por pessoa. Demitir: R$ 2.000 por pessoa.
- Hora extra: R$ 48 por unidade, no máximo 20% da produção regular. Estoque: R$ 10 por unidade por mês. Estoque inicial e final: zero, sem atraso de entrega.
Nivelada: 6.000 ÷ 6 = 1.000 unidades por mês, o que exige 10 operários (1 contratação). O estoque final acumula 300, 500, 500, 200, 0 e 0: soma de 1.500 unidades-mês.
Perseguição: operários = demanda ÷ 100, ou seja, 7, 8, 10, 13, 12 e 10. Saindo de 9, são 2 demissões no mês 1, contratações de 1, 2 e 3 pessoas nos meses 2, 3 e 4, e demissões de 1 e 2 pessoas nos meses 5 e 6: 6 contratações e 5 demissões.
Mista: equipe fixa de 9 operários (900 unidades regulares por mês) e hora extra nos meses de pico, dentro do limite de 180 por mês (20% de 900). Precisa de 600 unidades extras ao todo, nos meses 3 a 6.
| Mês | Demanda | Nivelada: produção | Nivelada: estoque final | Perseguição: operários | Mista: produção | Mista: estoque final |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês 1 | 700 | 1.000 | 300 | 7 | 900 | 200 |
| Mês 2 | 800 | 1.000 | 500 | 8 | 900 | 300 |
| Mês 3 | 1.000 | 1.000 | 500 | 10 | 1.040 (900 + 140) | 340 |
| Mês 4 | 1.300 | 1.000 | 200 | 13 | 1.080 (900 + 180) | 120 |
| Mês 5 | 1.200 | 1.000 | 0 | 12 | 1.080 (900 + 180) | 0 |
| Mês 6 | 1.000 | 1.000 | 0 | 10 | 1.000 (900 + 100) | 0 |
| Total | 6.000 | 6.000 | 1.500 | 60 | 6.000 | 960 |
Custos, em R$:
| Item | Nivelada | Perseguição | Mista |
|---|---|---|---|
| Mão de obra regular | 240.000 | 240.000 | 216.000 |
| Hora extra | 0 | 0 | 28.800 |
| Contratação e demissão | 1.500 | 19.000 | 0 |
| Estoque | 15.000 | 0 | 9.600 |
| Custo total | 256.500 | 259.000 | 254.400 |
Como foi calculado: mão de obra regular = operários × meses × R$ 4.000 (nivelada 10 × 6; perseguição 60 operários-mês; mista 9 × 6 = 54 operários-mês, R$ 216.000). Hora extra mista = 600 × R$ 48 = R$ 28.800. Contratação e demissão na perseguição = 6 × 1.500 + 5 × 2.000 = R$ 19.000. Estoque = unidades-mês × R$ 10 (nivelada 1.500; mista 960).
A estratégia mista é a mais barata, com R$ 254.400: 0,8% abaixo da nivelada e 1,8% abaixo da perseguição. A diferença é pequena, e isso é típico: o resultado depende dos custos informados.
Como montar o plano agregado, passo a passo
- Agregue a demanda em uma unidade comum: peças da família, horas-padrão ou toneladas. Use a previsão de demanda consolidada.
- Calcule a capacidade regular por período (equipe × produtividade × dias) e o limite de hora extra, como em capacidade produtiva.
- Levante os custos: hora regular e extra, contratar, demitir, estoque por unidade-mês, falta ou atraso, terceirização.
- Monte os planos em planilha, um por estratégia, calculando a cada mês produção, estoque e equipe.
- Some os custos e compare. Para muitos períodos e restrições, use programação linear, que acha a combinação de menor custo.
- Verifique a viabilidade: estoque nunca negativo, hora extra dentro do limite, espaço para o estoque e política de pessoal.
- Aprove no S&OP e desdobre no plano mestre e no MRP.
Como escolher a estratégia
- Contratar e demitir é barato (mão de obra temporária fácil de achar): a perseguição ganha força. Com contratar a R$ 500 e demitir a R$ 700, o mesmo exemplo daria R$ 246.500 para a perseguição, a mais barata.
- Estoque é barato e o produto não vence: a nivelada funciona bem.
- Demanda sazonal e equipe qualificada difícil de repor: mista, com banco de horas e hora extra.
- Produto perecível ou sob encomenda: o estoque não é opção, então perseguição ou terceirização.
Teste a sensibilidade: varie o custo de estoque, de hora extra e de contratação em ±30% e veja se o ranking muda. Se mudar, a decisão é frágil e merece uma análise mais cuidadosa. Fatores não financeiros, como rotatividade, qualidade e moral da equipe, também pesam, e o plano precisa caber na estrutura de PCP da fábrica.
Erros comuns e limitações
- Agregar mal: misturar produtos com consumos muito diferentes de hora de máquina esconde gargalos. Use horas, não só unidades.
- Esquecer o custo de falta ou de atraso e tratar o atendimento como garantido.
- Ignorar a curva de aprendizagem do pessoal novo na perseguição: quem foi contratado ontem não produz 100 unidades.
- Comparar só pelo custo, sem checar espaço, fluxo de caixa de estoque e legislação trabalhista.
- Tratar a previsão como certeza. O plano agregado deve ser revisto todo mês com horizonte móvel.
- Parar no agregado. Sem desdobrar no plano mestre, o ganho não chega ao chão de fábrica.
Perguntas frequentes
O que é planejamento agregado?
É o planejamento de médio prazo que define produção, equipe, estoque e hora extra por período para famílias de produtos, ao menor custo.
Quais são as estratégias do planejamento agregado?
Perseguição (produção acompanha a demanda), nivelada (produção constante com estoque) e mista (equipe estável com hora extra ou terceirização).
Qual a diferença entre planejamento agregado e plano mestre?
O agregado trabalha com famílias e meses; o plano mestre trabalha com produtos e semanas e é o desdobramento do agregado.
Qual é a melhor estratégia?
Depende dos custos. No exemplo, a mista custou R$ 254.400, contra R$ 256.500 da nivelada e R$ 259.000 da perseguição.
Como o S&OP se relaciona com o plano agregado?
O S&OP é o processo mensal em que vendas, operações e finanças aprovam o plano agregado e resolvem as diferenças entre demanda e capacidade.
Qual horizonte usar?
Em geral de 6 a 18 meses, revisado todo mês, em períodos mensais.
Fontes
- HOLT, C. C.; MODIGLIANI, F.; MUTH, J. F.; SIMON, H. A. Planning Production, Inventories, and Work Force. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1960.
- CHASE, R. B.; JACOBS, F. R.; AQUILANO, N. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo: McGraw-Hill.
- SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas.
- TUBINO, D. F. Planejamento e Controle da Produção. São Paulo: Atlas.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ASCM: Association for Supply Chain Management (em inglês)
- ABEPRO: Associação Brasileira de Engenharia de Produção
- Wikipédia: Sales and Operations Planning
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