Engenheiro de manutenção inspecionando uma bomba centrífuga de resfriamento em uma sala de máquinas industrial, com tubulações e painel elétrico ao fundo.

O que é a FTA (análise de árvore de falhas)

A FTA (Fault Tree Analysis, ou análise de árvore de falhas) parte de uma falha indesejada, chamada evento topo, e desce por causas e combinações de causas até os eventos básicos, como falha de um rolamento ou erro de operação. Ligando esses eventos com portas lógicas E e OU, a árvore mostra quais combinações levam ao topo e permite calcular a probabilidade do evento.

É uma análise dedutiva, de cima para baixo. A FMEA faz o caminho inverso: parte de cada modo de falha de um componente e pergunta qual o efeito. Use a FMEA para varrer o projeto ou processo e a FTA para investigar a fundo uma falha grave específica.

Mapa visual da árvore de falhas

O mapa mostra a árvore do exemplo, as probabilidades de cada porta, os conjuntos de corte e a probabilidade do evento topo.

ÁRVORE DE FALHAS (FTA)
Mapa visual 155: FTA: análise de árvore de falhas, portas E/OU e exemplo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Símbolos e portas lógicas

ElementoSímboloSignificado
Evento topoRetânguloA falha que se quer analisar
Evento intermediárioRetânguloResultado de uma porta, ainda decomponível
Evento básicoCírculoCausa que não será desdobrada, com probabilidade conhecida
Evento não desenvolvidoLosangoCausa que não se detalha por falta de dados ou de interesse
Porta OUPorta em arcoSaída ocorre se qualquer entrada ocorrer
Porta EPorta de base retaSaída ocorre só se todas as entradas ocorrerem

A porta OU soma os caminhos de falha; a porta E exige coincidência e, por isso, representa uma proteção ou redundância. Quanto mais portas E na árvore, mais robusto é o sistema.

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Como construir uma FTA em 6 passos

  1. Defina o evento topo de forma específica e mensurável: "bomba de resfriamento sem vazão", e não "falha na refrigeração".
  2. Fixe o escopo: limites do sistema, condições de operação e período de missão (por exemplo, 1 ano).
  3. Desça um nível por vez: pergunte "o que é necessário e suficiente para este evento ocorrer?" e ligue as respostas por E ou OU.
  4. Pare nos eventos básicos, aqueles em que há dado de falha ou não faz sentido desdobrar mais.
  5. Atribua probabilidades aos eventos básicos, a partir de histórico de manutenção ou dados de fabricantes.
  6. Calcule de baixo para cima e levante os conjuntos de corte mínimos.

Fórmulas das portas

Com eventos independentes, as probabilidades se combinam assim:

Porta E: P = P1 × P2 × … × Pn  |  Porta OU: P = 1 − (1 − P1) × (1 − P2) × … × (1 − Pn)

Para dados de taxa de falha λ constante e período t, a probabilidade de um evento básico é P = 1 − e−λt. Em eventos raros, a porta OU pode ser aproximada pela soma das probabilidades, o que sempre superestima um pouco o resultado. A relação entre taxa de falha e vida do equipamento está no artigo sobre a curva da banheira, e as taxas vêm de indicadores como o MTBF.

Exemplo resolvido: bomba de resfriamento sem vazão

Exemplo fictício, período de missão de 1 ano, eventos independentes. Evento topo: bomba de resfriamento sem vazão. Estrutura:

CódigoEvento básicoProbabilidade em 1 ano
E1Queda da energia da rede0,10
E2Gerador de emergência não parte0,05
E3Falha do rolamento0,02
E4Falha do selo mecânico0,03
E5Válvula de sucção fechada por erro de operação0,01
PortaCálculoResultado
G1 (E)0,10 × 0,050,005
G2 (OU)1 − (1 − 0,02) × (1 − 0,03) = 1 − 0,98 × 0,970,0494
Topo (OU)1 − (1 − 0,005) × (1 − 0,0494) × (1 − 0,01)0,0636

A probabilidade do evento topo é de 0,0636, ou 6,36% ao ano. Pela aproximação de eventos raros, a soma 0,005 + 0,02 + 0,03 + 0,01 = 0,065 (6,5%) fica próxima, com erro de cerca de 2%.

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Conjuntos de corte mínimos

Um conjunto de corte é uma combinação de eventos básicos que, ocorrendo juntos, causa o evento topo; o mínimo é aquele que não pode ser reduzido sem perder essa propriedade. No exemplo, são quatro:

ConjuntoOrdemDescriçãoProbabilidadeParcela da soma (0,065)
{E3}1Rolamento0,02031%
{E4}1Selo mecânico0,03046%
{E5}1Válvula fechada0,01015%
{E1, E2}2Rede e gerador0,0058%

Conjuntos de ordem 1 são pontos únicos de falha: um só evento derruba o sistema. Aqui, o selo mecânico e o rolamento respondem por 77% da probabilidade e merecem ação prioritária, como plano de manutenção preventiva e peça reserva.

Teste uma melhoria: um bloqueio com cadeado na válvula de sucção reduz E5 de 0,01 para 0,002. Novo topo = 1 − 0,995 × 0,9506 × 0,998 = 0,0560, ou 5,60%. A redução de 0,76 ponto percentual mostra o ganho antes de gastar com a mudança.

Quando usar a FTA

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é evento topo?

É a falha indesejada que a árvore analisa, definida de forma específica, como "bomba de resfriamento sem vazão".

Qual a diferença entre porta E e porta OU?

Na porta OU basta uma entrada ocorrer para a saída ocorrer; na porta E é preciso que todas ocorram ao mesmo tempo.

Como calcular a probabilidade do evento topo?

Calcule de baixo para cima: multiplique as probabilidades nas portas E e use 1 − ∏(1 − P) nas portas OU. No exemplo, o resultado é 6,36%.

O que é conjunto de corte mínimo?

É a menor combinação de eventos básicos que causa o evento topo. Se tem um só evento, é um ponto único de falha.

Qual a diferença entre FTA e FMEA?

A FTA é dedutiva: parte da falha final e busca as causas. A FMEA é indutiva: parte da falha de cada componente e avalia o efeito.

A FTA serve para qualquer sistema?

Serve para sistemas em que se consegue descrever as falhas por lógica E/OU. Para sistemas com sequência de eventos ou reparo, são necessários métodos adicionais.

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Fontes

  1. IEC 61025. Fault tree analysis (FTA). International Electrotechnical Commission.
  2. VESELY, W. E. et al. Fault Tree Handbook (NUREG-0492). U.S. Nuclear Regulatory Commission, 1981.
  3. RAUSAND, M.; HØYLAND, A. System Reliability Theory: Models, Statistical Methods, and Applications. Wiley.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.