Bomba centrífuga desmontada em bancada de manutenção com rolamento desgastado e sensor de vibração

O que é a curva da banheira

A curva da banheira mostra como a taxa de falha de um equipamento muda ao longo da vida: alta no começo, baixa e estável no meio, e crescente no fim. O nome vem do formato do gráfico, com três fases bem distintas.

Cada fase tem causa de falha própria e, por isso, exige uma ação de manutenção diferente. A distribuição de Weibull é a ferramenta que permite descrever as três fases com um único parâmetro de forma, o beta (β).

Mapa visual da curva da banheira

O mapa resume as 3 fases, o valor de β em cada uma e a ação de manutenção correspondente, com o exemplo calculado neste artigo.

CURVA DA BANHEIRA E WEIBULL
Mapa visual 124: Curva da banheira: confiabilidade, taxa de falha e Weibull. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG
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As 3 fases da curva

FaseTaxa de falhaβ de WeibullCausas típicasAção
1. Mortalidade infantilAlta e decrescenteβ < 1Erro de montagem, defeito de fabricação, instalação ruim, ajuste inicialInspeção de recebimento, comissionamento, teste de rodagem, treinamento
2. Vida útilBaixa e constanteβ ≈ 1Falhas aleatórias: sobrecarga, contaminação, erro de operaçãoLubrificação, limpeza, inspeção, manutenção autônoma
3. DesgasteCrescenteβ > 1Fadiga, abrasão, corrosão, envelhecimentoManutenção preditiva, troca por idade ou condição, reforma

Só na fase 2 a taxa de falha é constante. Nela vale o modelo exponencial, em que o MTBF é o inverso da taxa de falha (λ = 1 ÷ MTBF). Fora dela, usar o MTBF como se a taxa fosse constante dá previsões erradas.

Weibull: taxa de falha e confiabilidade

Com dois parâmetros, a Weibull descreve qualquer das três fases:

R(t) = e−(t/η)β    h(t) = (β ÷ η) × (t ÷ η)β−1

Com β = 1 a Weibull vira a exponencial e η passa a ser o MTBF. Outras duas medidas úteis: a vida B10, tempo até 10% de falhas, calculada por η × (−ln 0,90)1/β; e o tempo médio até a falha, η × Γ(1 + 1/β), em que Γ é a função gama.

Exemplo resolvido: rolamento de bomba

Exemplo fictício. Os dados de falha de um rolamento de bomba, ajustados em uma Weibull, resultaram em β = 2,0 e η = 1.200 horas. Como β > 1, o rolamento está em desgaste.

Tempo t (h)R(t) = e−(t/1200)²h(t) (falhas por 1.000 h)
10099,31%0,14
30093,94%0,42
50084,06%0,69
80064,12%1,11
1.20036,79%1,67

Cálculos principais:

Se alguém tratasse esse rolamento como exponencial com MTBF de 1.063 h, preveria R(500) = e−500÷1063 = 62,5%. O valor real é 84,06%. A taxa de falha cresce com o uso, então o modelo de taxa constante erra tanto para cima quanto para baixo.

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Que ação tomar em cada fase

  1. Fase 1: confirme a instalação (alinhamento, torque, folgas) e faça um período de rodagem antes de liberar a produção. Se as falhas iniciais se repetem, investigue o fornecedor e a montagem com os 5 Porquês.
  2. Fase 2: o objetivo é não encurtar a vida útil. Lubrificação correta, limpeza e inspeção pelo operador evitam as falhas aleatórias. Troca preventiva aqui é desperdício, porque a peça nova reinicia a fase 1.
  3. Fase 3: acompanhe vibração, temperatura e ruído, e programe a troca antes do ponto em que a taxa dispara. A TPM trata esse acompanhamento como rotina.

Para priorizar quais ativos analisar, use um Pareto de horas de parada. O FMEA ajuda a listar os modos de falha de cada fase, e a disponibilidade medida entra no OEE.

Como estimar β e η

  1. Registre o tempo de operação até a falha de cada item (horas, ciclos ou km), incluindo os que ainda não falharam como dados censurados.
  2. Ordene os tempos e calcule a probabilidade acumulada de falha F para cada um (por exemplo, pelos postos medianos de Benard).
  3. Plote ln(t) contra ln(−ln(1 − F)). Em um papel de Weibull, os pontos formam uma reta.
  4. O coeficiente angular da reta é o β. O η é o tempo em que a reta cruza F = 63,2%.

Planilhas e softwares estatísticos fazem o ajuste. A regra prática: com poucas falhas registradas (menos de uns 6 a 10), o β estimado tem muita incerteza, e a decisão deve ser tomada com cautela.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é a curva da banheira na confiabilidade?

É o gráfico da taxa de falha ao longo da vida: alta no início (mortalidade infantil), baixa e constante na vida útil e crescente no desgaste.

O que significa o parâmetro β da Weibull?

É o parâmetro de forma. β menor que 1 indica taxa de falha decrescente, igual a 1 indica constante e maior que 1 indica crescente.

O que é a vida característica η?

É o tempo em que 63,2% dos itens falharam. Nesse ponto a confiabilidade é 36,8%, para qualquer β.

Quando posso usar o MTBF?

Quando a taxa de falha é aproximadamente constante (β próximo de 1), ou seja, na fase de vida útil. Fora dela, o MTBF mascara a tendência.

Como reduzir a mortalidade infantil?

Com inspeção de recebimento, comissionamento padronizado, período de rodagem e treinamento de quem monta e opera o equipamento.

Quantas falhas preciso para ajustar uma Weibull?

Não há número exato, mas com menos de 6 a 10 falhas a estimativa fica muito incerta. Quanto mais dados, mais confiável o β.

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Fontes

  1. WEIBULL, W. A statistical distribution function of wide applicability. Journal of Applied Mechanics, v. 18, 1951.
  2. NOWLAN, F. S.; HEAP, H. F. Reliability-Centered Maintenance. United Airlines / U.S. Department of Defense, 1978.
  3. ABERNETHY, R. B. The New Weibull Handbook. 5. ed. 2004.
  4. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.