
O que é um plano de manutenção
O plano de manutenção é o documento que define, para cada equipamento, quais tarefas preventivas e preditivas serão feitas, com que frequência, por quem, em quanto tempo e com quais peças. Ele nasce de um inventário de ativos, passa por um critério de criticidade e termina em um cronograma que cabe na capacidade da equipe.
Copiar o manual do fabricante para uma planilha não é plano: gera centenas de tarefas que ninguém cumpre. Um bom plano é a base da TPM e se mede com MTBF e MTTR.
Mapa visual do plano de manutenção
O mapa mostra o fluxo em cinco etapas, do inventário de ativos ao cronograma, com o exemplo numérico deste artigo.

Passo 1: inventário de ativos
Sem lista de equipamentos não há plano. Percorra a fábrica e cadastre cada ativo com uma identificação única (TAG). Campos mínimos:
- TAG e descrição do equipamento;
- local (linha, setor) e fabricante/modelo;
- data de instalação e horas de uso, quando houver horímetro;
- manual e desenhos disponíveis;
- peças críticas e fornecedor.
Agrupe os itens por sistema (hidráulico, elétrico, pneumático). Isso facilita escrever tarefas e achar a causa quando a falha se repete.
Passo 2: criticidade dos ativos
Não dá para tratar todos os equipamentos igual. Classifique pela criticidade e concentre o esforço onde a falha custa mais.
Criticidade = Impacto na produção (1 a 5) × Probabilidade de falha (1 a 5)
Exemplo: fábrica de embalagens com seis ativos. A probabilidade vem do histórico de falhas. Classe A: 15 ou mais; B: de 8 a 14; C: abaixo de 8.
| Ativo | Impacto (1-5) | Probabilidade (1-5) | Criticidade | Classe |
|---|---|---|---|---|
| Prensa injetora | 5 | 4 | 20 | A |
| Compressor de ar | 5 | 3 | 15 | A |
| Esteira | 3 | 3 | 9 | B |
| Seladora | 4 | 2 | 8 | B |
| Empilhadeira | 3 | 2 | 6 | C |
| Exaustor | 2 | 2 | 4 | C |
Os dois ativos de classe A recebem inspeção mais frequente, peças de reserva e atenção da FMEA. Os de classe C podem ficar em manutenção corretiva planejada. Um Pareto das paradas ajuda a calibrar as notas.
Passo 3: estratégia, tarefas e frequências
Para cada ativo, escolha a estratégia: preventiva por tempo ou uso (lubrificar, trocar filtro), preditiva por condição (vibração, temperatura, análise de óleo) ou corretiva planejada (rodar até falhar, quando o custo da falha é baixo). Depois liste tarefas curtas, com duração estimada e a frequência. Parte das rotinas simples (limpar, lubrificar, inspecionar) pode passar para a produção na manutenção autônoma.
No exemplo, as tarefas somam 180 horas por ano:
| Ativo | Tarefa | Frequência | Vezes/ano | Duração (h) | Horas/ano |
|---|---|---|---|---|---|
| Prensa injetora | Lubrificação | semanal | 52 | 0,5 | 26 |
| Prensa injetora | Inspeção geral | mensal | 12 | 2 | 24 |
| Prensa injetora | Troca de óleo hidráulico | semestral | 2 | 4 | 8 |
| Compressor de ar | Inspeção e drenagem | semanal | 52 | 0,5 | 26 |
| Compressor de ar | Troca de filtros | trimestral | 4 | 1,5 | 6 |
| Compressor de ar | Revisão geral | anual | 1 | 8 | 8 |
| Esteira | Lubrificação | mensal | 12 | 1 | 12 |
| Esteira | Ajuste de correias | trimestral | 4 | 2 | 8 |
| Seladora | Limpeza e inspeção | quinzenal | 26 | 1 | 26 |
| Seladora | Troca de resistências | semestral | 2 | 2 | 4 |
| Empilhadeira | Inspeção | mensal | 12 | 1,5 | 18 |
| Empilhadeira | Revisão | semestral | 2 | 3 | 6 |
| Exaustor | Inspeção | trimestral | 4 | 1 | 4 |
| Exaustor | Limpeza | semestral | 2 | 2 | 4 |
| Total | 180 |
Por ativo: prensa 58 h, compressor 40 h, esteira 20 h, seladora 30 h, empilhadeira 24 h e exaustor 8 h. Os dois ativos de classe A concentram 98 h, ou 54% do total (98 ÷ 180).
Passo 4: cronograma e capacidade
Compare a carga com a capacidade. Se um técnico tem 1.800 h disponíveis por ano (premissa do exemplo), as 180 h do plano ocupam 10% do tempo dele (180 ÷ 1.800). Sobra espaço para corretivas, o que é saudável; se a carga passasse de 70% a 80%, o plano seria irreal.
Distribua as tarefas no calendário evitando concentrar tudo na mesma semana e combinando com as paradas da produção. Em um mês sem tarefas trimestrais ou semestrais, a carga é de 13 ordens de serviço (OS) e 10,5 h:
| Semana | OS planejadas | Horas |
|---|---|---|
| 1 | 4 | 4 |
| 2 | 4 | 3,5 |
| 3 | 3 | 2 |
| 4 | 2 | 1 |
| Total | 13 | 10,5 |
A semana 4 fica leve de propósito: é a folga para atrasos e urgências. Emita as OS com antecedência, com lista de peças e ferramentas.
Passo 5: acompanhar e revisar o plano
Cumprimento do plano = OS preventivas executadas ÷ OS planejadas × 100
Se no mês foram executadas 12 das 13 OS, o cumprimento é 12 ÷ 13 = 92,3%. Meça também MTBF e MTTR por ativo. Se a esteira teve 3 falhas em 4.320 h de operação, o MTBF é 4.320 ÷ 3 = 1.440 h; inspeções espaçadas demais em relação a esse número deixam a falha passar. Regra prática: o intervalo da inspeção deve ser bem menor que o MTBF.
Revise o plano ao menos uma vez por ano e sempre que um equipamento mudar de uso. Ativo que nunca falha pode ter excesso de preventiva; ativo que falha muito precisa de nova tarefa ou de análise de causa. Veja também o impacto no OEE.
Erros comuns
- Copiar o manual inteiro, sem priorizar por criticidade.
- Ignorar a capacidade: plano de 150% da equipe nunca é cumprido.
- Inventário incompleto ou sem TAG, o que impede histórico por ativo.
- Frequência fixa para sempre, sem olhar falhas e MTBF.
- Plano sem dono e sem acordo com a produção para liberar a máquina.
- Não registrar o que foi feito, o que impossibilita a revisão.
Perguntas frequentes
O que um plano de manutenção deve conter?
Inventário de ativos, criticidade, tarefas com frequência e duração, responsáveis, peças e o cronograma.
Como definir a frequência das tarefas?
Parta do manual do fabricante, ajuste pelo histórico de falhas e pelo MTBF e revise depois.
Qual a diferença entre plano e programação de manutenção?
O plano define o que fazer e a cada quanto tempo; a programação diz em que dia, com quem e com que recursos.
Como calcular a criticidade de um equipamento?
Multiplique o impacto na produção pela probabilidade de falha, ambos de 1 a 5, e classifique em A, B e C.
O que é cumprimento do plano de manutenção?
É a razão entre as OS preventivas executadas e as planejadas, no período. No exemplo, 12 ÷ 13 = 92,3%.
Quantas horas o plano do exemplo exige por ano?
180 horas, ou cerca de 10% de um técnico com 1.800 h disponíveis.
Fontes
- NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Productivity Press, 1988.
- KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark.
- VIANA, H. R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark.
- ABNT NBR 5462: Confiabilidade e mantenabilidade.
Para estudar mais: fontes e links confiáveis
- ABRAMAN: Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos
- SMRP: Society for Maintenance & Reliability Professionals (em inglês)
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