Técnico de manutenção conferindo um quadro de cronograma ao lado de uma linha de embalagem, sem texto na imagem.

O que é um plano de manutenção

O plano de manutenção é o documento que define, para cada equipamento, quais tarefas preventivas e preditivas serão feitas, com que frequência, por quem, em quanto tempo e com quais peças. Ele nasce de um inventário de ativos, passa por um critério de criticidade e termina em um cronograma que cabe na capacidade da equipe.

Copiar o manual do fabricante para uma planilha não é plano: gera centenas de tarefas que ninguém cumpre. Um bom plano é a base da TPM e se mede com MTBF e MTTR.

Mapa visual do plano de manutenção

O mapa mostra o fluxo em cinco etapas, do inventário de ativos ao cronograma, com o exemplo numérico deste artigo.

Mapa visual: Plano de manutenção. Resumo do artigo em oito blocos, do conceito à aplicação prática.
Mapa visual 112: Plano de manutenção: do inventário ao cronograma, com exemplo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Passo 1: inventário de ativos

Sem lista de equipamentos não há plano. Percorra a fábrica e cadastre cada ativo com uma identificação única (TAG). Campos mínimos:

Agrupe os itens por sistema (hidráulico, elétrico, pneumático). Isso facilita escrever tarefas e achar a causa quando a falha se repete.

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Passo 2: criticidade dos ativos

Não dá para tratar todos os equipamentos igual. Classifique pela criticidade e concentre o esforço onde a falha custa mais.

Criticidade = Impacto na produção (1 a 5) × Probabilidade de falha (1 a 5)

Exemplo: fábrica de embalagens com seis ativos. A probabilidade vem do histórico de falhas. Classe A: 15 ou mais; B: de 8 a 14; C: abaixo de 8.

AtivoImpacto (1-5)Probabilidade (1-5)CriticidadeClasse
Prensa injetora5420A
Compressor de ar5315A
Esteira339B
Seladora428B
Empilhadeira326C
Exaustor224C

Os dois ativos de classe A recebem inspeção mais frequente, peças de reserva e atenção da FMEA. Os de classe C podem ficar em manutenção corretiva planejada. Um Pareto das paradas ajuda a calibrar as notas.

Passo 3: estratégia, tarefas e frequências

Para cada ativo, escolha a estratégia: preventiva por tempo ou uso (lubrificar, trocar filtro), preditiva por condição (vibração, temperatura, análise de óleo) ou corretiva planejada (rodar até falhar, quando o custo da falha é baixo). Depois liste tarefas curtas, com duração estimada e a frequência. Parte das rotinas simples (limpar, lubrificar, inspecionar) pode passar para a produção na manutenção autônoma.

No exemplo, as tarefas somam 180 horas por ano:

AtivoTarefaFrequênciaVezes/anoDuração (h)Horas/ano
Prensa injetoraLubrificaçãosemanal520,526
Prensa injetoraInspeção geralmensal12224
Prensa injetoraTroca de óleo hidráulicosemestral248
Compressor de arInspeção e drenagemsemanal520,526
Compressor de arTroca de filtrostrimestral41,56
Compressor de arRevisão geralanual188
EsteiraLubrificaçãomensal12112
EsteiraAjuste de correiastrimestral428
SeladoraLimpeza e inspeçãoquinzenal26126
SeladoraTroca de resistênciassemestral224
EmpilhadeiraInspeçãomensal121,518
EmpilhadeiraRevisãosemestral236
ExaustorInspeçãotrimestral414
ExaustorLimpezasemestral224
Total180

Por ativo: prensa 58 h, compressor 40 h, esteira 20 h, seladora 30 h, empilhadeira 24 h e exaustor 8 h. Os dois ativos de classe A concentram 98 h, ou 54% do total (98 ÷ 180).

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Passo 4: cronograma e capacidade

Compare a carga com a capacidade. Se um técnico tem 1.800 h disponíveis por ano (premissa do exemplo), as 180 h do plano ocupam 10% do tempo dele (180 ÷ 1.800). Sobra espaço para corretivas, o que é saudável; se a carga passasse de 70% a 80%, o plano seria irreal.

Distribua as tarefas no calendário evitando concentrar tudo na mesma semana e combinando com as paradas da produção. Em um mês sem tarefas trimestrais ou semestrais, a carga é de 13 ordens de serviço (OS) e 10,5 h:

SemanaOS planejadasHoras
144
243,5
332
421
Total1310,5

A semana 4 fica leve de propósito: é a folga para atrasos e urgências. Emita as OS com antecedência, com lista de peças e ferramentas.

Passo 5: acompanhar e revisar o plano

Cumprimento do plano = OS preventivas executadas ÷ OS planejadas × 100

Se no mês foram executadas 12 das 13 OS, o cumprimento é 12 ÷ 13 = 92,3%. Meça também MTBF e MTTR por ativo. Se a esteira teve 3 falhas em 4.320 h de operação, o MTBF é 4.320 ÷ 3 = 1.440 h; inspeções espaçadas demais em relação a esse número deixam a falha passar. Regra prática: o intervalo da inspeção deve ser bem menor que o MTBF.

Revise o plano ao menos uma vez por ano e sempre que um equipamento mudar de uso. Ativo que nunca falha pode ter excesso de preventiva; ativo que falha muito precisa de nova tarefa ou de análise de causa. Veja também o impacto no OEE.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que um plano de manutenção deve conter?

Inventário de ativos, criticidade, tarefas com frequência e duração, responsáveis, peças e o cronograma.

Como definir a frequência das tarefas?

Parta do manual do fabricante, ajuste pelo histórico de falhas e pelo MTBF e revise depois.

Qual a diferença entre plano e programação de manutenção?

O plano define o que fazer e a cada quanto tempo; a programação diz em que dia, com quem e com que recursos.

Como calcular a criticidade de um equipamento?

Multiplique o impacto na produção pela probabilidade de falha, ambos de 1 a 5, e classifique em A, B e C.

O que é cumprimento do plano de manutenção?

É a razão entre as OS preventivas executadas e as planejadas, no período. No exemplo, 12 ÷ 13 = 92,3%.

Quantas horas o plano do exemplo exige por ano?

180 horas, ou cerca de 10% de um técnico com 1.800 h disponíveis.

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Fontes

  1. NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Productivity Press, 1988.
  2. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark.
  3. VIANA, H. R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark.
  4. ABNT NBR 5462: Confiabilidade e mantenabilidade.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.