Painel de automação com rack de CLP modular e técnico verificando a fiação ao lado de uma máquina.

O que é CLP e automação industrial

O CLP (controlador lógico programável, PLC em inglês) é o computador industrial que lê sensores, executa um programa e aciona motores, válvulas e lâmpadas em ciclos de milissegundos. A automação industrial é o conjunto formado por ele, pelos sensores e atuadores, pela IHM e pelo SCADA, organizado em níveis na chamada pirâmide de automação.

Entender a pirâmide evita dois erros comuns: pedir ao ERP que controle uma máquina e pedir ao CLP que planeje a produção. Cada nível tem uma função, um prazo de resposta e um tipo de dado. É a base de qualquer projeto de Indústria 4.0 no chão de fábrica.

Mapa visual da automação industrial

O mapa mostra a pirâmide, o ciclo de varredura, as linguagens da IEC 61131-3 e o exemplo de dimensionamento deste artigo.

PIRÂMIDE DE AUTOMAÇÃO
Mapa visual 197: CLP e automação industrial: pirâmide, ladder e SCADA. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

A pirâmide de automação: 5 níveis

NívelCamadaFunçãoTempo de resposta típico
0CampoSensores, atuadores, motores, válvulasInstantâneo (sinal físico)
1ControleCLP, drives, controladores de movimentoMilissegundos
2SupervisãoIHM e SCADA: visualizar, alarmar, registrarCentenas de ms a segundos
3OperaçãoMES: ordens, apontamento, rastreabilidadeSegundos a minutos
4GestãoERP: pedidos, estoque, custosMinutos a horas

A numeração segue o modelo ISA-95 (níveis 0 a 4). Quanto mais alto, menor a frequência de dados e maior o horizonte de decisão. O elo entre o nível 2 e o 4 é o MES, que traduz a ordem do ERP em instruções de máquina e devolve o que foi produzido. O apontamento da ordem de produção é um exemplo típico dessa conversa.

Como o CLP funciona: o ciclo de varredura

O CLP repete continuamente quatro tarefas, chamadas de ciclo de varredura (scan):

  1. Lê as entradas (botões, sensores) e guarda uma cópia na memória.
  2. Executa o programa do usuário, instrução por instrução, sobre essa cópia.
  3. Escreve as saídas (contatores, solenoides) com o resultado.
  4. Cuida da comunicação e do diagnóstico interno.

Como o CLP trabalha em ciclos, ele não "vê" um pulso mais curto que o seu tempo de varredura somado ao filtro de entrada. Para eventos rápidos (contagem de alta frequência, encoder), usam-se entradas dedicadas ou módulos de contagem rápida.

O hardware típico é: CPU, fonte, módulos de entrada digital (DI), saída digital (DO), entrada analógica (AI) e saída analógica (AO), mais a rede de comunicação. Os protocolos industriais comuns são Modbus, PROFINET, EtherNet/IP e OPC UA.

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Linguagens e ladder

A norma IEC 61131-3 define as linguagens de programação do CLP: diagrama de contatos (ladder, LD), diagrama de blocos de funções (FBD), texto estruturado (ST) e sequenciamento gráfico (SFC). A lista de instruções (IL) existe em versões antigas e está em desuso. O ladder imita o esquema elétrico de relés, por isso é o preferido de eletricistas e manutenção.

O exemplo clássico é a partida de motor com selo (retenção). Entradas: botão Liga (contato NA), botão Desliga e relé térmico (ambos NF, ligados em série, de modo que fio rompido desliga). A lógica da linha é:

Motor = (Liga OU Motor) E Desliga_ok E Térmico_ok

SituaçãoLigaMotor (selo)Desliga e térmico okSaída Motor
Repouso0010
Aperta Liga1011
Solta Liga (selo mantém)0111
Aperta Desliga ou térmico atua0100

O ponto de segurança: parada de emergência e proteções de pessoas devem ter circuito próprio, com relé ou CLP de segurança, e não depender só do programa comum. Veja o contexto em NR-12 e Lean.

Exemplo: dimensionar I/O e tempo de resposta

Exemplo fictício de uma célula de envase. O levantamento de sinais deu: 24 entradas digitais, 16 saídas digitais, 8 entradas analógicas e 4 saídas analógicas. Regra comum: reservar 20% para expansão e arredondar para os módulos disponíveis (DI e DO de 16 pontos, AI de 4 canais, AO de 2 canais).

TipoPontosCom 20%MóduloMódulosPontos instalados
DI2428,816 pontos232
DO1619,216 pontos232
AI89,64 canais312
AO44,82 canais36

Total: 10 módulos de I/O. Note que o arredondamento deu folga real maior que 20% em DI e DO (32 pontos para 24 usados, 33%).

Depois, o tempo de resposta. Se a varredura leva 1 ms (entradas) + 3 ms (programa) + 1 ms (saídas) + 1 ms (comunicação) = 6 ms, o pior caso para uma entrada virar saída é cerca de 2 varreduras = 12 ms: o sinal pode mudar logo após a leitura, esperar o ciclo seguinte e só então ser executado e escrito. Some filtros de entrada e atraso do módulo de saída. Para uma esteira com prazo de reação de 50 ms, 12 ms bastam; para um evento de 5 ms, não.

Por fim, a leitura analógica. Um sensor de pressão de 0 a 10 bar com sinal de 4 a 20 mA:

Pressão = (I − 4) ÷ 16 × faixa

Com 12 mA: (12 − 4) ÷ 16 × 10 = 5 bar. Com 13,6 mA: (13,6 − 4) ÷ 16 × 10 = 6 bar. Se a corrente cai abaixo de cerca de 3,8 mA, o programa deve tratar como fio rompido, e não como "pressão zero". Essa é uma vantagem do início de escala em 4 mA.

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SCADA e IHM: o nível de supervisão

A IHM é a tela local da máquina: o operador liga, ajusta receita e vê alarmes. O SCADA reúne várias máquinas e áreas: mostra o processo em telas sinóticas, gera alarmes com prioridade, grava tendências e histórico e comunica com o MES. O SCADA não controla em tempo real; quem fecha o laço de controle é o CLP, e o SCADA envia setpoints e recebe valores.

Dados do SCADA alimentam indicadores como o OEE e disparam a manutenção, em conjunto com o CMMS. Sinais do CLP também sustentam o andon e a parada automática do jidoka.

Como estruturar um projeto de automação

  1. Descreva o processo e as sequências (fluxograma ou SFC) antes de programar.
  2. Levante os sinais (lista de I/O) e reserve folga.
  3. Padronize nomes de variáveis, blocos e telas.
  4. Separe a segurança da lógica comum.
  5. Teste em simulação e com a máquina parada antes de ligar.
  6. Documente e faça backup do programa, e controle versões.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é CLP?

É o controlador lógico programável: computador industrial que lê entradas, executa um programa e aciona saídas em ciclos de milissegundos.

Quais são os níveis da pirâmide de automação?

Campo (0), controle com CLP (1), supervisão com IHM e SCADA (2), operação com MES (3) e gestão com ERP (4).

Qual a diferença entre CLP e SCADA?

O CLP controla a máquina em tempo real. O SCADA supervisiona vários CLPs, mostra o processo, gera alarmes e guarda o histórico.

O que é ladder?

Linguagem gráfica de CLP em diagrama de contatos, parecida com o esquema elétrico de relés. Está definida na IEC 61131-3.

O que é o tempo de varredura?

É o tempo que o CLP leva para ler entradas, executar o programa e escrever saídas. No exemplo, 6 ms, com resposta de pior caso de cerca de 12 ms.

Como converter 4 a 20 mA em pressão?

Pressão = (I − 4) ÷ 16 × faixa. Em 12 mA, num sensor de 0 a 10 bar, são 5 bar.

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Fontes

  1. IEC 61131-3. Programmable controllers — Programming languages. IEC.
  2. ANSI/ISA-95. Enterprise-Control System Integration. ISA.
  3. PETRUZELLA, F. D. Programmable Logic Controllers. McGraw-Hill.
  4. BOLTON, W. Programmable Logic Controllers. Newnes/Elsevier.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.