Doca de expedição de uma fábrica com paletes filmados prontos para carregar e um conferente com prancheta ao lado do caminhão

O que é nível de serviço e fill rate

O nível de serviço mede quanto da demanda a empresa atende com o estoque que tem. O fill rate (taxa de atendimento) é a medida mais usada: a fração das unidades pedidas que sai de imediato, sem falta. Fill rate de 95% significa que, de cada 100 unidades pedidas, 95 foram entregues na hora.

Fill rate, nível de serviço de ciclo e OTIF respondem a perguntas diferentes e dão números diferentes para a mesma operação. Escolher a medida certa, e a meta certa, é o que define quanto estoque de segurança você precisa carregar.

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Mapa visual do nível de serviço

O mapa mostra as três medidas, o exemplo de pedidos e a relação entre a meta, o estoque de segurança e o fill rate.

NÍVEL DE SERVIÇO E FILL RATE
Mapa visual 242: Nível de serviço e fill rate: como medir e definir a meta. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

As três medidas: fill rate, ciclo e OTIF

MedidaFórmulaPergunta que responde
Fill rate (β)unidades atendidas ÷ unidades pedidasQue fração do volume saiu sem falta?
Nível de serviço de ciclo (α)ciclos de reposição sem falta ÷ total de ciclosCom que frequência o estoque não zera antes da reposição?
OTIF (on time, in full)pedidos no prazo e completos ÷ total de pedidosQue fração dos pedidos chegou certa ao cliente?

Fill rate = unidades atendidas ÷ unidades pedidas × 100

O nível α é a probabilidade usada para calcular o estoque de segurança: ele conta ciclos, não unidades. Um ciclo com falta de 1 unidade e outro com falta de 500 pesam igual. O fill rate pondera pelo volume, e o OTIF é o mais rígido, porque exige prazo e quantidade ao mesmo tempo, pedido a pedido.

Exemplo: 6 pedidos, três resultados diferentes

Pedidos de uma semana (exemplo fictício). "No prazo" significa entregue na data prometida; "completo" significa a quantidade total pedida.

PedidoPedido (un)Entregue (un)No prazoCompletoOTIF
P1100100simsimsim
P2200180simnãonão
P3150150nãosimnão
P48080simsimsim
P512090simnãonão
P65050simsimsim
Total7006505/64/63/6

O mesmo conjunto de pedidos tem fill rate de 92,9% e OTIF de 50%. Nenhum dos dois está errado: medem coisas distintas. Por isso o contrato com o cliente deve dizer qual medida vale, com a janela de prazo e a tolerância de quantidade.

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Relação com o estoque de segurança

Premissas do exemplo: demanda semanal média de 500 un, desvio-padrão de 80 un por semana, lead time de reposição de 4 semanas e lote de reposição Q = 1.000 un. A demanda durante o lead time tem desvio σL = 80 × √4 = 160 un (distribuição normal, lead time constante, falta atendida depois).

Estoque de segurança = z × σL  |  Falta esperada por ciclo = σL × G(z)  |  Fill rate = 1 − falta esperada ÷ Q

G(z) é a função de perda da normal padrão, encontrada em tabelas e em qualquer planilha. Para cada nível α desejado:

Nível αzEstoque de segurança (un)Falta esperada por ciclo (un)Fill rate com Q = 1.000Fill rate com Q = 200
90%1,2822057,699,24%96,21%
95%1,6452633,399,67%98,33%
98%2,0543291,299,88%99,41%
99%2,3263720,599,95%99,73%

Com α = 95%, o estoque de segurança é 1,645 × 160 = 263 un. Em 1 ciclo a cada 20 pode haver falta, mas a falta média é de só 3,3 un em um lote de 1.000, o que dá fill rate de 99,67%. Por isso α e fill rate não se comparam diretamente.

O inverso também vale. Para um fill rate-alvo de 98% com Q = 1.000, basta z ≈ 0,78, ou seja, estoque de segurança de cerca de 124 un (α ≈ 78%). Com lotes de 200 un, a mesma meta pede z ≈ 1,57 e cerca de 251 un. Lotes menores têm mais ciclos expostos à falta e exigem mais proteção para o mesmo fill rate. Veja também distribuição normal e desvio-padrão e o ponto de pedido.

Como definir a meta de serviço

  1. Segmente os itens. Use a curva ABC e a matriz ABC-XYZ: item crítico e de giro alto merece meta maior que item C.
  2. Compare custos. Custo da falta (venda perdida, multa contratual, parada na linha do cliente) contra o custo de manter o estoque extra.
  3. Veja o custo marginal. No exemplo, de α 90% para 95% o estoque de segurança sobe de 205 para 263 un (+28%). De 95% para 99% sobe para 372 un (+41%). Cada ponto a mais custa mais que o anterior.
  4. Alinhe com o cliente. Defina medida, janela de prazo e tolerância de quantidade por escrito.
  5. Revise a cada trimestre. Mudou a variabilidade da demanda ou do fornecedor? A meta e o estoque mudam junto.

Política de exemplo, só para ilustrar: itens A com 98%, itens B com 95%, itens C com 90%. Não é regra: o número certo sai do custo da falta de cada empresa.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que é fill rate?

É a fração das unidades pedidas que foi entregue de imediato, sem falta. Fórmula: unidades atendidas ÷ unidades pedidas.

Qual a diferença entre fill rate e OTIF?

O fill rate conta unidades; o OTIF conta pedidos que chegaram no prazo e completos. No exemplo, fill rate de 92,9% e OTIF de 50% com os mesmos pedidos.

Qual é um bom nível de serviço?

Depende do item e do custo da falta. Itens críticos costumam ter metas mais altas que itens de baixo valor e giro; o número vem do custo da falta contra o custo de estoque.

Nível de serviço de 95% é o mesmo que fill rate de 95%?

Não. O nível de serviço de ciclo conta ciclos sem falta; o fill rate conta unidades. No exemplo, α de 95% equivale a fill rate de 99,67% com lote de 1.000 un.

Como o nível de serviço afeta o estoque de segurança?

O estoque de segurança é z × σL, e z vem do nível α escolhido. No exemplo, subir de 95% para 99% eleva o estoque de segurança de 263 para 372 un.

Com que frequência medir?

Semanal ou mensal, por item e por classe, e revise a meta a cada trimestre ou quando mudar a variabilidade da demanda ou do fornecedor.

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Fontes

  1. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation. Pearson.
  2. SILVER, E. A.; PYKE, D. F.; THOMAS, D. J. Inventory and Production Management in Supply Chains. CRC Press.
  3. NAHMIAS, S. Production and Operations Analysis. McGraw-Hill.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.