Técnico de manutenção inspecionando uma prensa industrial com um coletor de vibração portátil durante uma parada planejada

Preventiva, preditiva e corretiva: o que são

A manutenção corretiva age depois que o equipamento falha; a preventiva intervém em intervalos fixos de tempo ou de uso, antes da falha; a preditiva intervém quando a condição medida do equipamento (vibração, temperatura, óleo) indica que a falha se aproxima. A escolha entre elas depende do custo da parada, do risco e de a falha dar sinais antes de acontecer.

Não existe um tipo "melhor". Uma fábrica madura usa os três, cada um nos ativos certos.

Mapa visual dos três tipos de manutenção

O mapa compara os três tipos e traz a curva de custo contra disponibilidade, com os números do exemplo deste artigo.

Mapa visual: 3 tipos de manutenção. Resumo do artigo em oito blocos, do conceito à aplicação prática.
Mapa visual 105: Manutenção preventiva, preditiva e corretiva: diferenças. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG
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Os três tipos lado a lado

CorretivaPreventivaPreditiva
GatilhoFalha ocorreuCalendário, horas ou ciclosCondição medida
ParadaNão planejadaPlanejadaPlanejada, só quando necessário
Custo de paradaAltoMédioBaixo
Custo de implantaçãoNenhumPlano, peças e mão de obraSensores, software, treinamento
RiscoQuebra em hora ruim, dano em cadeiaTrocar peça boa, ou falhar antes do prazoFalha sem sinal prévio não é detectada
Quando usarItem barato, redundante, sem riscoDesgaste previsível, exigência legalAtivo crítico e caro, falha com sinais

Há ainda a manutenção detectiva (testar funções ocultas, como um sistema de proteção) e a melhoria (modificar o ativo para eliminar a causa). A norma ABNT NBR 5462 define a terminologia de confiabilidade e mantenabilidade.

Exemplo: custo de cada estratégia em um ano

Exemplo fictício, com números simples para mostrar a lógica. Uma prensa opera 6.000 horas por ano e cada hora parada custa R$ 1.500 em produção perdida. Cada reparo de falha custa R$ 2.000 em peças e mão de obra.

ItemCorretivaPreventivaPreditiva
Falhas no ano (8 h cada)621
Paradas planejadas04 de 2 h3 de 3 h
Horas paradas488 + 16 = 249 + 8 = 17
Produção perdida (× R$ 1.500)R$ 72.000R$ 36.000R$ 25.500
Reparos e intervenções6 × 2.000 = R$ 12.0004 × 1.500 + 2 × 2.000 = R$ 10.0003 × 2.000 + 1 × 2.000 = R$ 8.000
Monitoramento00R$ 9.000
Custo totalR$ 84.000R$ 46.000R$ 42.500
Disponibilidade99,2%99,6%99,7%

Disponibilidade = (6.000 − horas paradas) ÷ 6.000

Na corretiva: (6.000 − 48) ÷ 6.000 = 99,2%. O mesmo resultado sai de MTBF e MTTR: MTBF = 6.000 ÷ 6 = 1.000 h; MTTR = 8 h; 1.000 ÷ (1.000 + 8) = 99,2%.

A preventiva economiza R$ 38.000 (45%) contra a corretiva e a preditiva, R$ 41.500 (49%). A diferença entre as duas é pequena porque o custo de monitoramento consome parte do ganho: a preditiva só compensa de verdade quando o ativo é crítico e a parada é cara.

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Curva de custo x disponibilidade

Quanto mais se investe em prevenção, mais a disponibilidade sobe e o custo de falhas cai. Mas o custo de manter também sobe. A soma dos dois forma uma curva em "U", e o custo total mínimo fica num ponto intermediário. Ir além dele gasta mais em manutenção do que se evita em quebra. Esse ponto muda por equipamento, por isso a estratégia deve ser definida por ativo e não para a fábrica inteira.

Como escolher a estratégia para cada ativo

  1. Liste os ativos e classifique a criticidade. Use o impacto da parada em segurança, qualidade, produção e custo. Um Pareto das horas de parada mostra onde focar.
  2. Analise os modos de falha. Com o FMEA, veja como cada ativo falha e se a falha dá sinais.
  3. Falha aleatória, sem desgaste? Preventiva por calendário desperdiça; prefira inspeção ou preditiva.
  4. Desgaste previsível e barato de trocar? Preventiva.
  5. Falha cara, com sinal mensurável? Preditiva.
  6. Item barato, redundante e sem risco? Corretiva planejada (deixar quebrar de propósito).
  7. Revise com dados. Acompanhe MTBF, MTTR e custo por ativo e ajuste.

Essa lógica de decisão por criticidade e modo de falha é a base da manutenção centrada em confiabilidade (RCM), descrita por John Moubray.

Como isso se encaixa na TPM

Na TPM, a preventiva e a preditiva são pilares da manutenção planejada, enquanto o operador cuida do básico na manutenção autônoma: limpar, lubrificar, apertar e inspecionar. O ganho aparece no OEE, porque paradas e microparadas reduzem a disponibilidade. Quando uma falha ocorre mesmo assim, use os 5 Porquês para impedir que se repita.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre manutenção preventiva e preditiva?

A preventiva é feita por tempo ou uso, independentemente do estado; a preditiva é feita quando a medição da condição indica necessidade.

Qual é a mais barata?

Depende do ativo. A corretiva não tem custo de plano, mas tende a custar mais em parada; no exemplo, ficou em R$ 84.000 contra R$ 46.000 e R$ 42.500.

Manutenção corretiva é sempre ruim?

Não. É a escolha racional para itens baratos, redundantes e sem risco de segurança.

O que a manutenção preditiva monitora?

Condições como vibração, temperatura, análise de óleo, ultrassom e termografia, conforme o tipo de ativo.

Como medir se a estratégia funciona?

Pelo MTBF, MTTR, disponibilidade, custo de manutenção por ativo e horas de parada não planejada.

Preventiva e preditiva podem coexistir?

Sim, e é o normal: preventiva em itens de desgaste previsível e preditiva nos ativos críticos.

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Fontes

  1. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark.
  2. NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Cambridge: Productivity Press, 1988.
  3. MOUBRAY, J. Reliability-Centered Maintenance. New York: Industrial Press, 1997.
  4. MOBLEY, R. K. An Introduction to Predictive Maintenance. Butterworth-Heinemann, 2002.
  5. ABNT NBR 5462. Confiabilidade e mantenabilidade: terminologia.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.