Equipe de manutenção inspecionando um compressor industrial em uma sala de utilidades, com tubulações e painéis ao fundo

O que é a ISO 55000

A ISO 55000 é a família de normas de gestão de ativos: ela define princípios, termos e requisitos para uma organização extrair valor de seus ativos ao longo de todo o ciclo de vida, equilibrando custo, risco e desempenho. Ativo, na norma, é qualquer item ou entidade que tem valor real ou potencial para a organização, não apenas máquinas.

Na prática, a ISO 55000 organiza decisões que a manutenção, a engenharia, as finanças e a operação já tomam separadamente: quando comprar, como operar, quando intervir, quando renovar e quando descartar. Ela não diz como fazer manutenção; exige que as decisões estejam alinhadas aos objetivos da organização e baseadas em risco e em dados.

Mapa visual da ISO 55000

O mapa mostra a família de normas, os quatro princípios, o ciclo de vida do ativo e o exemplo de criticidade e de custo de ciclo de vida.

ISO 55000
Mapa visual 281: ISO 55000: gestão de ativos, princípios e como começar. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

A família de normas e os 4 princípios

NormaConteúdoUso
ISO 55000Visão geral, princípios e terminologiaEntender o vocabulário e a lógica
ISO 55001Requisitos do sistema de gestão de ativosImplantar e certificar
ISO 55002Diretrizes para aplicar a ISO 55001Orientar a implantação

Somente a ISO 55001 é certificável. Os quatro princípios da ISO 55000 resumem a lógica da norma:

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Estrutura da ISO 55001 e documentos-chave

A ISO 55001 segue a estrutura comum das normas de sistemas de gestão, a mesma da ISO 9001, da ISO 14001 e da ISO 45001, o que facilita a integração:

  1. Contexto da organização: partes interessadas, escopo e o próprio sistema de gestão de ativos.
  2. Liderança: política de gestão de ativos, papéis e responsabilidades.
  3. Planejamento: riscos e oportunidades, objetivos de gestão de ativos e plano para atingi-los.
  4. Apoio: recursos, competência, comunicação, informação e documentação.
  5. Operação: planejamento e controle operacional, gestão de mudanças, terceirização.
  6. Avaliação de desempenho: monitoramento, auditoria interna, análise crítica pela direção.
  7. Melhoria: não conformidades, ação corretiva e preventiva, melhoria contínua.

Os documentos mais citados são a política de gestão de ativos, o plano estratégico (SAMP) que traduz os objetivos da organização em objetivos de gestão de ativos, e os planos de gestão de ativos por classe de ativo, com atividades, recursos e prazos.

Exemplo: criticidade e custo do ciclo de vida

Exemplo fictício de uma fábrica com cinco classes de ativos. O primeiro passo é priorizar por risco: risco = probabilidade de falha (1 a 5) × consequência (1 a 5).

AtivoProbabilidadeConsequênciaRiscoClasse
Compressor C-014520Alta
Forno F-023515Alta
Prensa P-034312Média
Ponte rolante R-04248Média
Empilhadeira E-05326Baixa

Critério do exemplo: 15 ou mais é alta, de 8 a 14 é média e abaixo de 8 é baixa. Os ativos de classe alta entram primeiro em análise de modos de falha, como o FMEA e o RCM, e têm prioridade em monitoramento e peças de reserva (sobressalentes críticos).

O compressor C-01 aparece com a pior nota. A decisão: revisar agora ou substituir? Horizonte de 8 anos, taxa de 10% ao ano, sem valor residual, e uma falha do equipamento custa R$ 150.000.

Item (R$ por ano)Revisar o atualComprar novo
Investimento inicial90.000400.000
Manutenção38.00012.000
Energia120.00095.000
Risco de falha (probabilidade anual × 150.000)0,30 × 150.000 = 45.0000,05 × 150.000 = 7.500
Custo anual recorrente203.000114.500
Valor presente (8 anos, 10%)90.000 + 203.000 × 5,3349 = 1.172.990400.000 + 114.500 × 5,3349 = 1.010.849

O fator 5,3349 é o valor presente de uma série de 8 pagamentos anuais a 10%. A substituição custa R$ 400.000 contra R$ 90.000 no início, mas o custo de ciclo de vida é R$ 162.141 menor no horizonte. Esse é o tipo de decisão que a norma pede: comparar opções pelo valor ao longo da vida, incluindo o risco, e não pelo orçamento do ano. Para a metodologia de custo total, veja o TCO.

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Como começar em 6 passos

  1. Defina o escopo: quais unidades e classes de ativos entram no sistema.
  2. Faça o inventário e o cadastro dos ativos, com hierarquia e dados mínimos, em um CMMS ou sistema equivalente.
  3. Classifique a criticidade por risco, como na tabela acima, usando a mesma matriz de risco já adotada na empresa.
  4. Converta os objetivos do negócio em objetivos de ativos: disponibilidade, custo por unidade, segurança, ambiental. Meça com indicadores como MTBF e MTTR e OEE.
  5. Escreva política, SAMP e planos por classe, a partir do plano de manutenção e dos planos de renovação e descarte.
  6. Faça um diagnóstico de lacunas contra a ISO 55001, priorize as lacunas e decida se a meta é adotar as boas práticas ou certificar.

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

O que é a ISO 55000?

É a norma que apresenta a visão geral, os princípios e os termos da gestão de ativos, base para a ISO 55001 (requisitos) e a ISO 55002 (diretrizes).

Qual a diferença entre ISO 55000, 55001 e 55002?

A 55000 explica conceitos e princípios, a 55001 traz os requisitos e é a única certificável, e a 55002 orienta a aplicação.

Quais são os princípios da gestão de ativos?

Valor, alinhamento, liderança e garantia (assurance).

ISO 55000 vale só para máquinas?

Não. Ativo é qualquer item com valor real ou potencial, tangível ou intangível, embora o uso mais comum seja em ativos físicos.

Qual a relação com manutenção e RCM?

A manutenção é uma das atividades do ciclo de vida. O RCM e a TPM são técnicas que ajudam a cumprir os objetivos definidos pelo sistema de gestão de ativos.

É obrigatório certificar?

Não. A norma pode ser usada como referência de boas práticas; a certificação é voluntária e depende do objetivo da organização.

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Fontes

  1. ISO 55000. Asset management: Overview, principles and terminology. Organização Internacional de Normalização.
  2. ISO 55001. Asset management: Management systems, Requirements. Organização Internacional de Normalização.
  3. ISO 55002. Asset management: Management systems, Guidelines for the application of ISO 55001. Organização Internacional de Normalização.
  4. MOUBRAY, J. Reliability-centered Maintenance. 2. ed. Industrial Press, 1997.
  5. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Qualitymark.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.