Diagrama de blocos com bombas em série e em paralelo e fórmulas de confiabilidade.

O que é confiabilidade de sistemas em série e em paralelo

A confiabilidade de um sistema é a probabilidade de ele funcionar durante um tempo definido, calculada a partir da confiabilidade de cada componente e da forma como estão ligados. Em série, todos precisam funcionar e a confiabilidade cai; em paralelo, basta um funcionar e a confiabilidade sobe.

Cada confiabilidade R é um número entre 0 e 1 para um tempo de missão (por exemplo, 100 horas). Para ver como a taxa de falha muda ao longo da vida do equipamento, consulte a curva da banheira; aqui o foco é combinar componentes.

Mapa visual: diagrama de blocos e fórmulas

O mapa mostra os dois arranjos em diagrama de blocos, as fórmulas e o exemplo com os mesmos números deste artigo.

CONFIABILIDADE EM SÉRIE E EM PARALELO
Mapa visual 204: Confiabilidade de sistemas em série e em paralelo, com exemplo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Sistema em série: a cadeia é tão fraca quanto o produto dos elos

Num arranjo em série, a falha de qualquer bloco para o sistema. Pense em uma linha de envase com bomba, válvula e sensor, na qual a parada de um item para a linha toda.

Rsérie = R1 × R2 × … × Rn

Duas consequências práticas: a confiabilidade do sistema é sempre menor que a do pior componente, e quanto mais blocos em série, pior fica. Dez componentes com R = 0,99 cada resultam em 0,9910 = 0,9044; vinte resultam em 0,8179.

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Sistema em paralelo: redundância

Num arranjo em paralelo (redundância ativa), o sistema só falha se todos os blocos falharem. Por isso se calcula a probabilidade de todos falharem e se toma o complemento.

Rparalelo = 1 − (1 − R1) × (1 − R2) × … × (1 − Rn)

Duas bombas com R = 0,90 cada: 1 − (0,10 × 0,10) = 0,99. Com três bombas: 1 − 0,103 = 0,999. Cada bloco adicional tem ganho menor que o anterior, e custa o mesmo.

Quando exigimos que pelo menos k de n blocos funcionem (k de n), usa-se a distribuição binomial. Exemplo: 2 de 3 blocos com R = 0,90 dá 3 × 0,90² × 0,10 + 0,90³ = 0,243 + 0,729 = 0,972.

Exemplo resolvido: série, paralelo e arranjo misto

Exemplo fictício: uma estação de bombeamento tem uma bomba de alimentação A (R = 0,95), um par de bombas redundantes B1 e B2 (R = 0,90 cada) e um quadro de comando C (R = 0,98), todos para um tempo de missão de 100 horas.

ArranjoCálculoR do sistema
Tudo em série (A, B, C)0,95 × 0,90 × 0,980,8379
Par B1 e B2 em paralelo1 − (0,10 × 0,10)0,99
A em série com o par e com C0,95 × 0,99 × 0,980,9217

A redundância no ponto fraco (a bomba B) elevou o sistema de 0,8379 para 0,9217. Reforçar o elo mais fraco rende mais que melhorar um componente que já é bom. Observe também que A e C, sem redundância, passaram a limitar o resultado: 0,95 × 0,98 = 0,931 é o teto desse arranjo.

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Com taxa de falha constante: MTBF e tempo de missão

Quando a taxa de falha λ é constante (a fase de vida útil da curva da banheira), a confiabilidade de cada bloco é R(t) = e−λt e o MTBF vale 1/λ. Veja a definição prática no artigo sobre MTBF e MTTR.

R(t) = e−λt    MTBF = 1 ÷ λ

Exemplo: bloco 1 com λ = 0,001 falha/h e bloco 2 com λ = 0,002 falha/h, missão de 100 h.

ItemCálculoResultado
R do bloco 1e−0,001 × 1000,9048
R do bloco 2e−0,002 × 1000,8187
Série (1 e 2)0,9048 × 0,81870,7408
Taxa da série0,001 + 0,0020,003 falha/h
MTBF da série1 ÷ 0,003333,3 h
Dois blocos 1 em paralelo1 − (1 − 0,9048)²0,9909

Na série, as taxas de falha somam, então o MTBF cai de 1.000 h (bloco 1 sozinho) para 333,3 h. Em paralelo ativo com dois blocos idênticos, o MTBF do sistema é 1,5 ÷ λ = 1.500 h, e não o dobro.

Como usar na manutenção e no projeto

Erros comuns e limitações

Perguntas frequentes

Qual a fórmula da confiabilidade em série?

É o produto das confiabilidades: R = R1 × R2 × … × Rn. Com 0,95, 0,90 e 0,98 resulta em 0,8379.

Qual a fórmula da confiabilidade em paralelo?

R = 1 − (1 − R1) × (1 − R2) × … × (1 − Rn). Duas peças com 0,90 resultam em 0,99.

Por que a confiabilidade em série é menor que a do pior componente?

Porque todos precisam funcionar ao mesmo tempo; multiplicar números menores que 1 sempre reduz o resultado.

Redundância sempre compensa?

Não. O ganho decresce a cada bloco extra e cai a zero se houver falha de causa comum. Compare com o custo e a criticidade.

Como combinar série e paralelo no mesmo sistema?

Resolva primeiro cada grupo em paralelo, trate o resultado como um único bloco e multiplique com os demais em série.

Como calcular o MTBF de um sistema em série?

Some as taxas de falha e inverta: MTBF = 1 ÷ (λ1 + λ2 + …). Com 0,001 e 0,002 falha/h, MTBF = 333,3 h.

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Fontes

  1. O'CONNOR, P.; KLEYNER, A. Practical Reliability Engineering. Wiley.
  2. LAFRAIA, J. R. B. Manual de Confiabilidade, Mantenabilidade e Disponibilidade. Rio de Janeiro: Qualitymark.
  3. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark.
  4. ABNT NBR 5462: Confiabilidade e mantenabilidade (terminologia).

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.