
- O que é a auditoria interna da ISO 9001
- Mapa visual da auditoria interna
- Roteiro da auditoria em 6 passos
- Como montar o programa de auditorias, com cálculo
- Checklist de auditoria por processo
- Exemplo: auditoria do processo de Compras
- Como classificar as constatações
- Erros comuns na auditoria interna
- Perguntas frequentes
O que é a auditoria interna da ISO 9001
A auditoria interna da ISO 9001 é uma verificação planejada e documentada, feita pela própria empresa, para confirmar se o sistema de gestão da qualidade cumpre os requisitos da norma, os requisitos da organização e se está de fato implementado e mantido. Ela é exigida pela cláusula 9.2 da ISO 9001:2015 e alimenta a análise crítica pela direção.
Não é uma caça a culpados nem uma inspeção de produto: o auditor compara o que as pessoas fazem com o que está escrito e com o que a norma pede, e registra evidências. As diretrizes de como conduzir estão na ISO 19011.
Mapa visual da auditoria interna
O mapa resume o fluxo completo: programa, plano, execução, relatório e ação corretiva, com o exemplo numérico deste artigo.

Roteiro da auditoria em 6 passos
- Programa anual: lista quais processos serão auditados, quando e por quem, considerando a importância do processo, mudanças recentes e resultados de auditorias anteriores.
- Plano da auditoria: define objetivo, escopo, critérios (cláusulas da norma, procedimentos, requisitos do cliente), data, horário e equipe. O auditado recebe o plano com antecedência.
- Reunião de abertura: confirma o escopo, o roteiro e como as constatações serão tratadas.
- Execução: entrevistas, observação no posto de trabalho e análise de registros por amostragem. Toda constatação precisa de evidência objetiva: documento, registro, número de lote, fala confirmada no local.
- Reunião de encerramento e relatório: apresenta as constatações, classifica as não conformidades e conclui se o sistema está em conformidade. O relatório é mantido como informação documentada.
- Ação corretiva e acompanhamento: o auditado trata cada não conformidade, o auditor verifica a eficácia e o resultado vai para a análise crítica. Veja como tratar e fechar em não conformidade e ação corretiva.
Como montar o programa de auditorias, com cálculo
A norma não fixa quantas auditorias fazer: pede que o ciclo cubra todo o sistema e que a frequência considere a importância dos processos e os resultados anteriores. Um critério simples é auditar processos de maior risco duas vezes por ano e os demais uma vez.
Auditorias por ano = (processos de risco alto × 2) + (demais processos × 1)
Exemplo (fictício): fábrica com 8 processos. Compras, Produção e Controle da qualidade são de risco alto; Direção, Comercial, Projeto, Expedição e RH/Treinamento são de risco normal.
| Grupo | Processos | Frequência | Auditorias/ano |
|---|---|---|---|
| Risco alto | 3 | 2 por ano | 3 × 2 = 6 |
| Risco normal | 5 | 1 por ano | 5 × 1 = 5 |
| Total | 8 | — | 11 |
Se cada auditoria consumir 8 horas (2 h de preparação, 4 h de execução e 2 h de relatório), o esforço do programa é 11 × 8 = 88 horas por ano. Esse número ajuda a dimensionar quantos auditores treinados você precisa.
Checklist de auditoria por processo
O checklist não substitui o julgamento do auditor, mas evita esquecimentos. Perguntas abertas funcionam melhor do que perguntas de sim ou não.
| Tema | Pergunta de auditoria | Evidência a pedir |
|---|---|---|
| Entradas e saídas | Quais são as entradas e saídas do processo e quem as recebe? | Fluxo ou SIPOC, registros de entrega |
| Responsabilidades | Quem é responsável e sabe qual é a sua função? | Descrição de função, entrevista |
| Documentos | O procedimento em uso é a versão vigente? | Lista mestra, cópia no posto |
| Competência | Quem executa foi treinado e o treinamento foi verificado? | Matriz de treinamento, registros |
| Indicadores | A meta foi definida e os resultados são analisados? | Gráficos, atas de análise |
| Riscos | Os riscos do processo foram identificados e tratados? | Matriz de riscos, ações |
| Não conformidades | Problemas anteriores foram tratados e a eficácia verificada? | Registros de ação corretiva |
| Produto | O produto liberado atende aos critérios de aceitação? | Registros de inspeção, rastreabilidade |
Para ver o processo como ele é, vá ao local, como na caminhada no gemba, e peça para a pessoa mostrar o trabalho sendo feito.
Exemplo: auditoria do processo de Compras
Caso fictício. Critério: cláusula 8.4 (controle de processos, produtos e serviços providos externamente) e o procedimento interno de avaliação de fornecedores. No período havia 25 pedidos de compra de itens críticos. O auditor tirou uma amostra de 10 pedidos (10 ÷ 25 = 40%).
| Verificação | Pedidos verificados | Conformes | Não conformes |
|---|---|---|---|
| Fornecedor na lista de aprovados | 10 | 10 | 0 |
| Avaliação do fornecedor em dia | 10 | 8 | 2 |
| Especificação no pedido | 10 | 10 | 0 |
Em 2 dos 10 pedidos (2 ÷ 10 = 20%) o fornecedor estava com a avaliação anual vencida. Constatação registrada: "Pedidos de compra nº X e Y emitidos para fornecedor com avaliação vencida há mais de 60 dias; o procedimento exige reavaliação anual". Classificação: não conformidade menor, pois o sistema existe e a falha é pontual. Se a maioria dos pedidos estivesse nessa situação, o auditor trataria como falha sistêmica (maior).
Ainda no relatório: 1 não conformidade menor, 1 oportunidade de melhoria (relatório de recebimento sem campo para lote) e 2 pontos fortes. O responsável de Compras trata a não conformidade com 5 Porquês e define a ação.
Como classificar as constatações
- Conformidade: requisito atendido, com evidência.
- Não conformidade: requisito não atendido. Muitas empresas e organismos certificadores separam em maior (falha do sistema ou risco ao cliente) e menor (falha pontual); a norma não obriga essa divisão, então defina o critério no seu procedimento.
- Observação ou oportunidade de melhoria: algo que ainda atende, mas pode virar problema.
- Ponto forte: prática que merece ser replicada.
Erros comuns na auditoria interna
- Auditar o próprio trabalho: a norma exige objetividade e imparcialidade; ninguém audita o processo que executa ou gerencia.
- Checklist de sim ou não: vira conferência de papel e não mostra como o trabalho é feito.
- Constatação sem evidência: "parece que não treinam" não é constatação; "3 de 5 operadores sem registro de treinamento na prensa 2" é.
- Auditar só o papel: o procedimento pode estar perfeito e o posto de trabalho usar outra versão.
- Fechar sem verificar eficácia: a ação foi feita, mas o problema voltou.
- Auditoria só antes da certificação: o programa precisa rodar o ano todo, ligado a como implementar a ISO 9001.
Use o ciclo PDCA no próprio programa: o resultado de cada ciclo ajusta o foco do próximo.
Perguntas frequentes
Com que frequência fazer a auditoria interna?
A norma pede auditorias em intervalos planejados, sem número fixo. O comum é cobrir todo o sistema ao menos uma vez por ano, com mais frequência nos processos de maior risco.
Quem pode ser auditor interno?
Qualquer pessoa treinada em auditoria e na norma, que não audite o próprio trabalho. A competência deve ser comprovada por treinamento e prática acompanhada.
Qual a diferença entre auditoria interna e de certificação?
A interna é feita pela empresa, para melhorar o sistema; a de certificação é feita por organismo independente para conceder ou manter o certificado.
Toda constatação precisa de ação corretiva?
Toda não conformidade precisa ser tratada. Observações e oportunidades de melhoria ficam a critério da empresa, mas devem ser registradas.
Que registros guardar?
O programa, os planos, os relatórios e as evidências do tratamento das não conformidades, como informação documentada.
A ISO 19011 é obrigatória?
Não. É uma norma de diretrizes, mas é a referência mais usada para estruturar o programa e treinar auditores.
Fontes
- ABNT NBR ISO 9001:2015. Sistemas de gestão da qualidade: requisitos (cláusulas 9.2 e 10.2).
- ABNT NBR ISO 19011:2018. Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão.
- ASQ. The Certified Quality Auditor Handbook. Milwaukee: ASQ Quality Press.
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