Capa: técnico fixando um acelerômetro no mancal de um motor elétrico acoplado a um ventilador industrial.

O que é análise de vibração

A análise de vibração mede como uma máquina rotativa vibra e usa o espectro desse sinal para identificar a causa: desbalanceamento, desalinhamento, folga ou defeito de rolamento. É a técnica mais usada da manutenção preditiva, porque cada falha mecânica deixa uma assinatura em uma frequência própria, muito antes de a máquina parar.

A ideia central é simples: a vibração total diz que há um problema, e o espectro diz qual.

Mapa visual da análise de vibração

O mapa mostra como desbalanceamento, desalinhamento e folga aparecem no espectro, com os números do motor de 1780 rpm usado como exemplo.

ANÁLISE DE VIBRAÇÃO
Mapa visual 183: Análise de vibração: do sinal ao diagnóstico, com exemplo. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG
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Do sinal ao espectro

Um acelerômetro fixado no mancal gera um sinal no tempo. A FFT (transformada rápida de Fourier) o converte em espectro: eixo horizontal em frequência (Hz), eixo vertical em amplitude. Três conceitos bastam para começar:

Os parâmetros de aquisição definem o que você enxerga. Com Fmax = 1000 Hz e 1600 linhas, a resolução é 1000 ÷ 1600 = 0,625 Hz, suficiente para separar 1X (29,67 Hz) de picos vizinhos. A frequência de amostragem deve ser de pelo menos 2,56 × Fmax = 2560 Hz, e o tempo de aquisição é 1 ÷ 0,625 = 1,6 s.

Assinaturas das falhas mais comuns

FalhaOnde aparece no espectroDireção típica
DesbalanceamentoPico dominante em 1X, fase estávelRadial (horizontal e vertical)
Desalinhamento1X e 2X altos; regra prática: 2X acima de 50% de 1XAxial e radial
Folga mecânicaVários harmônicos (1X, 2X, 3X…), às vezes 0,5XRadial, com fase instável
Defeito de rolamentoPicos não síncronos (BPFO, BPFI) e, no início, ruído de alta frequênciaRadial, na região do mancal

Para rolamentos, as frequências de defeito dependem da geometria. Para a pista externa, BPFO = (n ÷ 2) × f × (1 − d/D × cos φ), e para a interna, BPFI = (n ÷ 2) × f × (1 + d/D × cos φ), sendo n o número de elementos rolantes. Com n = 9, d/D = 0,2, φ = 0 e f = 29,67 Hz: BPFO = 4,5 × 29,67 × 0,8 = 106,8 Hz e BPFI = 4,5 × 29,67 × 1,2 = 160,2 Hz. Na prática, use os valores do catálogo do fabricante do rolamento. A conferência é simples: BPFO + BPFI = n × f = 267,0 Hz.

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Exemplo: motor e ventilador de 1780 rpm (fictício)

Na rota mensal, o mancal do ventilador apresentou velocidade global de 4,2 mm/s RMS contra 1,8 mm/s da linha de base. O espectro mostra:

FrequênciaHzAmplitude (mm/s RMS)Leitura
1X29,74,2Dominante
2X59,30,4Baixo
3X89,00,3Baixo
BPFO106,80,1Sem pico de rolamento

A relação 2X ÷ 1X = 0,4 ÷ 4,2 ≈ 0,095, bem abaixo de 0,5, e não há harmônicos em série nem pico em BPFO. O diagnóstico é desbalanceamento do rotor (acúmulo de sujeira nas pás, por exemplo). A ação é limpar e balancear no local, e a confirmação vem na medição seguinte: 1X deve voltar para perto de 1,8 mm/s.

Linha de base, alarmes e rota

Dois alarmes simples funcionam bem para começar, definidos a partir da linha de base de cada ponto: alerta em 2 × a base (3,6 mm/s no exemplo) e crítico em 3 × a base (5,4 mm/s). Os 4,2 mm/s do ventilador cruzam o alerta e pedem diagnóstico e programação da correção. Esses fatores são critério interno de exemplo; para limites por classe de máquina use a ISO 20816, que define zonas de severidade (A a D).

O resultado aparece nos indicadores: menos paradas não planejadas elevam o MTBF e reduzem o MTTR, como mostra o artigo sobre MTBF e MTTR. A análise de vibração também ajuda a detectar o início da fase de desgaste da curva da banheira.

Erros comuns

Perguntas frequentes

Para que serve a análise de vibração?

Para detectar e diagnosticar falhas mecânicas em equipamentos rotativos, como desbalanceamento, desalinhamento, folga e defeitos de rolamento, antes da quebra.

Como calcular 1X?

Divida a rotação em rpm por 60. Para 1780 rpm: 1780 ÷ 60 = 29,67 Hz.

Qual a diferença entre desbalanceamento e desalinhamento?

No desbalanceamento domina 1X, no sentido radial. No desalinhamento aparecem 1X e 2X, com 2X relevante (regra prática: acima de 50% de 1X) e componente axial alta.

Qual grandeza devo medir, aceleração ou velocidade?

Velocidade em mm/s RMS para severidade geral; aceleração para falhas de rolamento e engrenagens, que aparecem em altas frequências.

Qual a periodicidade das medições?

Mensal na maioria dos casos. Reduza o intervalo quando a tendência estiver subindo ou o ativo for crítico.

Preciso de ISO para limites de alarme?

Não é obrigatório, mas a ISO 20816 oferece zonas de severidade por classe de máquina. Muitas plantas combinam essas zonas com limites baseados na linha de base de cada ponto.

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Fontes

  1. SCHEFFER, C.; GIRDHAR, P. Practical Machinery Vibration Analysis and Predictive Maintenance. Oxford: Newnes, 2004.
  2. MOBLEY, R. K. An Introduction to Predictive Maintenance. 2. ed. Butterworth-Heinemann, 2002.
  3. ISO 20816-1: Mechanical vibration, measurement and evaluation of machine vibration, general guidelines.
  4. ISO 13373-1: Condition monitoring and diagnostics of machines, vibration condition monitoring.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.