Três máquinas rotuladoras lado a lado em um chão de fábrica, avaliadas por uma equipe com pranchetas.

O que é a matriz de decisão ponderada e a matriz de Pugh

A matriz de decisão ponderada compara alternativas com base em critérios que têm pesos diferentes: cada alternativa recebe uma nota por critério, a nota é multiplicada pelo peso e a soma indica a melhor opção. A matriz de Pugh faz a mesma comparação de forma mais simples, medindo cada alternativa contra uma referência com os sinais +, 0 e −.

Use as duas quando a decisão envolve vários critérios que não se resumem a preço: compra de máquina, escolha de fornecedor, seleção de layout ou de software. Elas não substituem o julgamento, mas obrigam a equipe a explicitar o que importa e quanto importa.

Mapa visual da matriz de decisão

O mapa mostra critérios, pesos, notas e o cálculo do total por alternativa, com o mesmo exemplo usado abaixo.

MATRIZ DE DECISÃO PONDERADA E PUGH
Mapa visual 290: Matriz de decisão ponderada e matriz de Pugh: como usar. Clique no mapa para ver em tamanho real.Baixar o mapa em PNG

Como calcular a matriz ponderada

Total da alternativa = Σ (peso do critério × nota da alternativa naquele critério)

Passo a passo:

  1. Liste de 4 a 8 critérios que realmente diferenciam as alternativas. Critério que todas atendem igual não entra.
  2. Distribua pesos que somem 100 (ou 1,00). O peso expressa a importância, definida antes de olhar as notas.
  3. Defina a escala de notas (por exemplo, de 1 a 5) e o que significa cada nota em cada critério.
  4. Dê a nota de cada alternativa por critério, de preferência com dados: orçamento, ficha técnica, visita, referência de outros clientes.
  5. Multiplique, some e divida por 100 para obter a nota média ponderada.

Exemplo: escolher uma rotuladora automática

Exemplo fictício: uma fábrica precisa escolher entre três rotuladoras (A, B e C). O grupo definiu cinco critérios e pesos que somam 100, com notas de 1 (ruim) a 5 (excelente).

CritérioPesoNota ANota BNota C
Custo total (TCO)30435
Qualidade e precisão25353
Prazo de entrega e instalação15532
Assistência técnica local15342
Facilidade de operação15435
Soma dos pesos100

Cada nota é multiplicada pelo peso do critério:

CritérioNota ANota BNota C
Custo total (TCO) (30)30 × 4 = 12030 × 3 = 9030 × 5 = 150
Qualidade e precisão (25)25 × 3 = 7525 × 5 = 12525 × 3 = 75
Prazo de entrega e instalação (15)15 × 5 = 7515 × 3 = 4515 × 2 = 30
Assistência técnica local (15)15 × 3 = 4515 × 4 = 6015 × 2 = 30
Facilidade de operação (15)15 × 4 = 6015 × 3 = 4515 × 5 = 75
Total ponderado (nota média)375 (3,75)365 (3,65)360 (3,60)

A alternativa A vence com 375 pontos (nota média 3,75), à frente de B (365) e C (360). A diferença é pequena, e isso é uma informação: a decisão está sensível aos pesos e merece o teste da seção seguinte.

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Teste de sensibilidade dos pesos

Pesos são opinião. Antes de fechar, mude os pesos dentro de uma faixa razoável e veja se o vencedor muda. Se a direção financeira pressiona e o custo sobe de 30 para 40, com qualidade em 20 e prazo em 10, o resultado muda:

Cenário de pesosABC
Base: custo 30, qualidade 25, prazo 15, assistência 15, operação 15375365360
Teste: custo 40, qualidade 20, prazo 10, assistência 15, operação 15375355385

Com custo valendo 40, a alternativa C passa para a primeira posição (385 pontos). Quando o ranking vira com uma mudança plausível, a escolha não é robusta: reveja os pesos com os decisores, busque dados melhores para as notas mais incertas ou aprofunde o critério de custo com o TCO da máquina em vez de usar só o preço de compra.

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Matriz de Pugh: comparar contra uma referência

Stuart Pugh, professor de engenharia de projeto, propôs o método para selecionar conceitos nas fases iniciais, quando ainda não há dados para notas numéricas. Escolhe-se uma alternativa de referência (o datum, normalmente a solução atual ou a melhor conhecida) e compara-se cada concorrente, critério a critério: + se for melhor, 0 se for equivalente, − se for pior.

No mesmo exemplo, usando B como referência:

CritérioPesoA vs. BC vs. BA (peso)C (peso)
Custo total (TCO)30+++30+30
Qualidade e precisão25−−−25−25
Prazo de entrega e instalação15+−+15−15
Assistência técnica local15−−−15−15
Facilidade de operação15+++15+15
Resultado+3 / −2 = +1+2 / −3 = −1+20−10

A tem três critérios melhores e dois piores que B (saldo +1). C tem dois melhores e três piores (saldo −1). Ao ponderar os sinais pelos pesos, A fica com +20 e C com −10, ou seja, A é melhor que a referência e C é pior.

O ponto forte do Pugh é a rapidez e o foco: mostra onde cada alternativa perde, e essas fraquezas podem virar ideias de melhoria. A prática comum é eliminar as piores, combinar o que há de bom nas melhores e repetir a rodada com uma nova referência.

Quando usar cada uma

Para levantar as alternativas e os critérios, o brainstorming com diagrama de afinidade ajuda a gerar e agrupar as ideias antes da matriz. Para comparar riscos das alternativas, veja o registro de riscos do projeto.

Erros comuns

Perguntas frequentes

O que é uma matriz de decisão ponderada?

É uma tabela que compara alternativas por critérios com pesos diferentes. A nota de cada critério é multiplicada pelo peso, e a soma indica a melhor opção.

Qual a diferença entre matriz de decisão e matriz de Pugh?

A matriz ponderada usa notas numéricas e pesos. A de Pugh compara cada alternativa com uma referência usando +, 0 e −, e é mais rápida para fases iniciais.

Quantos critérios usar?

Entre 4 e 8. Menos que isso deixa a decisão pobre; mais que isso dilui os pesos e dificulta a discussão.

Como definir os pesos dos critérios?

Em grupo, antes de pontuar, distribuindo 100 pontos entre os critérios. Para mais rigor, compare os critérios par a par.

No exemplo, por que A vence?

A soma é 375 contra 365 de B e 360 de C. Se o custo passar a pesar 40, C ganha com 385, por isso o teste de sensibilidade é parte do método.

Nutzwertanalyse é o mesmo que matriz ponderada?

Sim. É o nome alemão da análise de valor de utilidade, que usa o mesmo cálculo de pesos multiplicados por notas.

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Fontes

  1. PUGH, S. Total Design: Integrated Methods for Successful Product Engineering. Addison-Wesley, 1991.
  2. PUGH, S. Creating Innovative Products Using Total Design. Addison-Wesley, 1996.
  3. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas.
  4. PMI. Guia PMBOK. Project Management Institute.

Para estudar mais: fontes e links confiáveis

Guarde este endereço: o Manufatura Enxuta é a sua escola de manufatura enxuta. Volte sempre que precisar estudar, com artigo completo, mapa visual e fontes confiáveis. Siga uma das trilhas de estudo ou consulte o glossário A–Z.

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Foto de Vagner Soares

Sobre o autor

Vagner Soares

Especialista em Lean Manufacturing e Gestão Comportamental

Mais de 20 anos de indústria automotiva e metalmecânica (GM e Dana), especialista em Lean Manufacturing desde 2006. Instrutor e mentor do SENAI no programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias, treinamentos e auditorias em mais de 50 empresas, unindo qualidade, produtividade e desenvolvimento de pessoas.